Aquele era o primeiro dia de estágio no Jornal Callegari e como aquele era o sonho de Coraline desde que decidiu fazer faculdade de jornalismo, o que significava que a garota estava mais ansiosa do que nunca, o que a fez acordar muito mais cedo do que de costume.
O jornal era o maior do país e o seu gosto pela notícia e principalmente por ter uma certa admiração pelo fundador dele, aquele estágio de meio período seria para ela a oportunidade perfeita de mostrar o seu potencial e aprender com aquele homem que tanto admirava. Coraline, por incrível que pareça não estava atrasada, o que significava que ela estava mesmo empolgada, o que causou estranheza em seus pais.
— Coraline Morton Grant, acordada às 6 da manhã e pronta para faculdade? Eu só posso estar tendo alucinações. — Sidney, pai de Cora, brincou, arrancando uma careta da filha e um olhar de reprovação de sua esposa.
— Isso é o efeito família Scarpelli Callegari, essa menina é obcecada por essa família, que estou começando a pensar que ela fez jornalismo incentivada por eles. — A mulher disse.
— Não é obsessão, mãe. É o que eu quero fazer, jornalismo é o meu sonho, foi o que eu escolhi. E o Jornal Callegari é o melhor lugar para um jornalista iniciar. — Respondeu, indo até o seu pai e lhe dando um beijo no rosto.
— Deixa a garota, Vivian. A Corinha é o meu orgulho, você também deveria se orgulhar de ter uma filha tão talentosa como a nossa, fazendo aquilo que nós não pudemos. — o homem disse abraçado a filha.
— Não adianta, pai. A mamãe nunca vai se orgulhar por eu ter escolhido jornalismo, para ela, foi a mesma coisa que ter entrado para o mundo do crime. — Disse indo até o armário pegando uma caneca azul bebê com estampa de golfinhos, Coraline era apaixonada por golfinhos.
— Eu ainda acho que é uma profissão perigosa. — O homem riu.
— De onde você tirou isso, mulher? O jornalismo é uma profissão muito bonita e eu acho que você deveria tirar essa ideia da sua cabeça, jornalismo é como qualquer outra profissão. — Falou.
— A mamãe só se orgulha da Pandora, a filha perfeita. — Disse comendo um pedaço de bolo.
— Eu nunca disse isso, Coraline. — A mulher respondeu.
— Vocês vão começar a discutir logo cedo. — O homem sentou-se com um pouco de dificuldade.
— Pai, é a sua coluna de novo? — Perguntou a jovem, indo até o pai e o ajudando.
— Sim, eu estou ficando velho, minha menina, as peças já estão enferrujadas. — Brincou.
— Você deixou de tomar os remédios, por isso está sentindo dores, Sidney. — Vivian reclamou. Colocando um prato de ovos mexidos em frente ao marido.
— O senhor não podia ter parado os remédios, pai e nem era para o senhor trabalhar tanto, nenhum de vocês. — Olhou para a sua mãe.
— E quem vai sustentar a casa? As despesas? Como você acha que vamos pagar as contas? — Sidney perguntou à filha com um sorriso singelo.
— E a sua faculdade de jornalismo, como acha que vai ser paga? — Disse Vivian.
— Vivian! — Sidney chamou a atenção de sua esposa.
— Tudo bem, pai. Eu ainda vou dar a vida que vocês merecem e não vão precisar trabalhar mais, muito menos se preocuparem comigo. — Coraline falou, ficando triste por a mãe ter lhe dito aquilo.
— Você só não pode esquecer da minha casa com vista para praia, tudo bem? — Sidney disse sorrindo. O grisalho sempre incentivava a filha a correr atrás de seus objetivos e usava o seu sonho sempre com ela, mesmo que aquilo fosse apenas uma brincadeira.
— É a primeira coisa que eu vou fazer, comprar uma casa com vista para a praia. — Riu.
Vivian sentou-se à mesa junto com eles, observando aquela interação de pai e filha. A mulher amava sua filha incondicionalmente, mas não aceitava a escolha dela. Para Vivian o jornalismo era uma profissão de risco, já que envolvia trabalho de campo em vários locais e com várias pessoas diferentes.
— E quanto ao seu estágio, está empolgada? — Perguntou Sidney.
— Sim, o meu professor, o senhor Gérard, disse que vamos estagiar com a equipe do senhor Eliel Scarpelli e que cada um de nós três, teremos mentoria com grandes nomes lá. O professor Gérard disse que no final do estágio, que terá duração de um mês, um de nós será escolhido e efetivado no jornal, que ficará trabalhando por meio período até o fim da faculdade. — Disse empolgada.
Vivian sorriu, apesar de ser contra, ela ficou feliz com a felicidade da filha.
— E claro que a escolhida vai ser você, meu pequeno sol da primavera. — Sidney falou alegre.
— Irei dar o meu melhor para que isso aconteça, pai. — Disse.
— A Pandora falou que esse tal Eliel é um velho arrogante e frio, bastante rígido também. Ela não concorda que você trabalhe com eles. — Vivian disse.
— Pandora! Sempre a Pandora. Pouco importa o que aquela ingrata e egoísta pense sobre mim, eu não pedi a opinião dela, muito menos a permissão para que ela concorde ou não. Ela só liga para a senhora para reclamar de alguma coisa, mamãe. Quantos meses fazem que ela vem visitar a gente? Seis meses. E quando o papai ficou três dias hospitalizado com a coluna travada, ela foi vê-lo? Não. A Pandora tem um carro luxuoso, comprou um lindo apartamento e trabalha no Jornal, como assistente do jornalista Adrien Smith, porque ela não quer que eu trabalhe lá também? A minha irmã vive uma vida ótima, enquanto nós estamos presos nesse bairro e graças a Deus e a vocês que não passamos nenhum tipo de necessidade, no entanto, moramos longe de tudo, e ela, a Pandora, a melhor filha do mundo, ela não se importa com vocês, ela não se importa conosco, e ela querendo ou não eu vou fazer o meu estágio e eu serei a escolhida e serei a melhor jornalista, assim como Rosely Scarpelli foi. — Disse de uma vez.
Pandora Morton não era uma filha que se preocupava com a família e muito menos era amorosa com os pais assim como Coraline era. Aos dezoito anos saiu de casa e foi morar sozinha, logo conseguiu um emprego no jornal como assistente de Adrien, onde continua depois de sete anos
— Não fale assim da sua irmã. Nós não precisamos da ajuda dela, ela está fazendo a vida dela, garantindo o seu futuro com muito esforço, Coraline. Eu não entendo porque você sente tanta raiva da sua irmã. E quanto a nos visitar, você tem razão, moramos muito distante de tudo, ela é muito ocupada, não a culpo. — Vivian disse.
— A senhora se ilude muito fácil com a sua filha, eu não vou ficar aqui ouvindo a senhora defendê-la. Eu só chego a noite, um bom dia para vocês. — Beijou a bochecha de seu pai, pegou a sua mochila e saiu em seguida.
Desde que a sua irmã decidiu sair de casa e ir morar sozinha, Coraline tinha desenvolvido uma certa mágoa pela irmã. Com quase dez anos de diferença, as duas eram muito apegadas e até mesmo bastante parecidas. Coraline gostava de se parecer com a irmã e até mesmo o seu visual era parecido com o dela, no entanto, quando a irmã foi embora e passou a se distanciar de seus pais e principalmente de Coraline, ela mudou completamente, começando pelo cabelo, que antes era longo, passou a ser curtíssimo, e o modo de se vestir, que era romântico e delicado, foi substituído pelo estilo mais neutro e discreto, tons de bege, marrom, preto e branco eram as cores predominantes em seu guarda roupa, assim como tênis e botas sem salto foram seus escolhidos.
Coraline, James e Felicity adentraram a sede do jornal Scarpelli Callegari acompanhados pelo seu professor Gérard. Era o primeiro dia deles e tinham que ir acompanhados por aquele que os indicou.
— Isso é maior do que eu imaginei. — James disse.
— E mais bonito também. — Felicity continuou.
— É simplesmente do jeito que eu sempre imaginei: Magnífico. — Gérard olhou para a sua aluna, o maior destaque da sala.
— Eu quero que vocês deem o melhor de vocês e no fim desse mês muito orgulho também. Independente de quem for o escolhido, vocês já são grandes vencedores, simplesmente por estarem estagiando aqui. Isso é como uma chave para todas as oportunidades de trabalho que vier pela frente. — Respondeu entusiasmado.
— Obrigado, professor. — Como se tivesse ensaiado, os três falaram juntos.
— Bom mesmo será, se no fim deste mês, todos nós sejamos contratados. — Coraline disse, exibindo o sorriso que era a sua marca registrada.
— A Cora sempre tão positiva, que os anjos ouçam você e essa sua fala se realize. — Felicity disse.
— Vamos, não podemos deixar as pessoas nos esperando, sem falar que isso já seria algo negativo para o estágio. — Gerard disse, encarando os seus alunos.
Os três alunos acompanharam o professor, que foi imediatamente até a recepção.
— Boa tarde, eu sou o Gérard Parker e tenho um horário marcado com o senhor Lewis. — Disse a recepcionista.
— Boa tarde! Claro, a entrada de vocês já foi liberada e esses são crachás de identificação, sejam bem vindos e aos estagiários, boa sorte. — Foi simpática.
— Professor, nós estamos indo para a cobertura, o que significa que podemos ver e até mesmo conhecer o poderoso chefão, o senhor Eliel Scarpelli? — A garota pareceu bastante entusiasmada.
— Parece que sim, Coraline. — Deu um sorriso gentil.
Os jovens estavam eufóricos, aquilo tudo era um sonho para eles, era o pontapé para uma grande carreira como jornalista.
— Gérard, que bom que vocês chegaram! Bem adiantados, isso já é um ponto para vocês. — O homem de pele n***a e alguns fios de cabelo grisalho cumprimentou o professor e seus alunos.
— Pontualidade é sempre visto como uma virtude e eu sempre gostei disso, por isso tento passar para os meus alunos. — Falou.
— Então esses são os seus prodígios? — o homem encarou os três alunos.
— Sim, os que tiveram o melhor desempenho durante todo o curso. A Felicity, o James e a Coraline. — Disse.
— Se vocês foram recomendados pelo Gérard, tenho certeza que são muito talentosos e têm muito potencial. — Sorriu gentilmente.
— Obrigada, senhor. Essa é uma grande oportunidade para nós. — Coraline disse e os outros balançaram a cabeça concordando com a amiga.
— Por nada! Venham comigo. — Pediu.
O homem levou os quatro até uma sala de reuniões, que os deixou surpresos pelo seu tamanho.
— Vocês terão uma carga horária de quatro horas diárias, de segunda a sexta, o estágio será supervisionado de perto, terão um mês com um mentor de grande nome dentro do jornal nas áreas que o professor de vocês indicou cada um. Essa é a remuneração que receberão, além de um acréscimo para transporte e refeição. — Explicou.
— Estágio remunerado? Acho que também quero me candidatar a esse estágio também, não esperava ter uma remuneração. — Gérard brincou.
— O senhor Eliel acha que os estagiários merecem sim uma remuneração, muitos precisam e como não podem trabalhar durante o curso, ele acha justo terem essa bonificação, além de ser um incentivo para que eles deem o seu melhor, já que, dependendo da área que vão atuar, esse valor pode ser triplicado. — Disse.
— Cada minuto isso fica melhor. — James disse sorrindo.
Nesse momento, três pessoas entraram na sala, deixando todos surpresos, principalmente o último a entrar.
— Senhor Eliel? — Lewis pareceu surpreso.
— Boa tarde a todos! O que aconteceu Lewis? Está tenso? — o grisalho perguntou com um sorriso divertido nos lábios.
— Eu não esperava pelo senhor aqui. O senhor nunca participa desse tipo de reunião, ainda mais quando é estágio. — Disse.
— Bom, pelo jeito milagres acontecem, não é? Vocês devem ser os nossos novos estagiários, sejam bem vindos. Eu sou Eliel Scarpelli Callegari o fundador do jornal e confesso que estou bastante feliz em ver jovens que aparentam ter bastante energia e disposição. Esse é Xavier, jornalista esportivo e essa é Francine, ela faz de tudo um pouco. — Sorriu e a mulher o acompanhou. — E eu, que estarei no lugar da nossa jornalista veterana, Catherine, ela teve que tirar férias adiantadas, devido a alguns problemas pessoais. — Respondeu.
— Eu não imaginava que o senhor seria um dos mentores, nunca foi, isso é surpresa até pra mim que trabalho aqui há anos. — Lewis falou.
— Será uma boa experiência, eu tenho certeza, sem falar que será muito bom compartilhar o que eu sei, o meu conhecimento com um jovem que tem a mesma vontade que eu tive quando tinha a idade deles. — Disse.
— Acredito que para todos nós será uma grande experiência, Eliel. — Francine falou.
— Eu estou muito feliz. O jornalismo é uma grande paixão e junto a tudo que eu sempre gostei, que é o futebol e esporte em geral, na minha opinião isso é a melhor coisa do mundo. São 25 anos de carreira e eu nunca vim trabalhar com raiva, eu trabalho com o que eu gosto e sou feliz com isso. Espero que vocês também pensem assim e que tenham feito uma boa escolha. — Xavier falou.
— Então vamos lá revelar quem fica com quem, relacionado ao relatório que o professor de vocês enviou ao jornal. — Eliel falou. — James Rimmer trabalhará durante um mês com a senhorita Francine, dê o seu melhor, meu jovem, ela é ótima, se espelhe nela e será um jornalista de sucesso. — James assentiu com um sorriso largo. — Agora ficaram as duas jovens e já adianto, que estou bastante feliz pela escolha das duas, uma no meio investigativo e outra no meio esportivo. Então, a senhorita Felicity Wood será acompanhada pelo nosso querido Xavier, acredito que vocês se darão muito bem, ele é um dos jornalistas mais calmos e pacientes que temos aqui, certeza que esse mês para você será bastante proveitoso, minha jovem. — Felicity ficou feliz, a jovem era apaixonada por esporte e ter como mentor um dos maiores jornalistas esportivos do país, era a realização de um sonho.
— Obrigada, eu darei o meu melhor, senhor. — Sorriu.
— Isso significa que… — Gérard começou.
— Significa que eu serei o mentor da senhorita Coraline Morton Grant, que acredito que seja você. — Riu, enquanto encarou a jovem, claro que era ela, só tinha sobrado a moça ali.
— Sim senhor, sou eu e será um prazer ser a sua aprendiz, darei o meu melhor. — Disse animada.
— Eu tenho certeza que vai. — o mais velho falou. — Professor Gérard, os seus alunos serão grandes jornalistas e o senhor vai ouvir falar muito deles. — Falou.
— Disso eu não tenho dúvidas. — Gérard parecia bastante orgulhoso de seus alunos e feliz por Coraline ser aprendiz de seu ídolo.
Naquele dia, eles foram apresentados a cada sessão do jornal, desde onde eram confeccionados os jornais impressos até o set de gravação do jornal que era transmitido pela TV. Após todas as apresentações necessárias, os jovens estavam liberados para ir embora, e mesmo sabendo que a sua irmã trabalhava ali, Coraline não fez questão de buscar por ela e assim como os seus colegas ela já estava de partida.
— Coraline, o que faz aqui? — Uma mulher bem vestida, com uma saia lápis preta, bastante justa ao corpo, o que destacava o corpo bem cuidado e suas curvas, que não passavam despercebidos e camisa vermelha, em cima de um scarpin nude, perguntou surpresa.
— Pandora! — Coraline respondeu, sem esboçar nenhuma reação.
— Vocês se conhecem? — James perguntou.
— Infelizmente. — Coraline disse.
— Estão em excursão da escola? Vieram fazer algum trabalho? Ou estão procurando patrocínio para alguma viagem escolar? — Indagou, olhando para Coraline.
— Não, estamos aqui como estagiários, estamos no último semestre da faculdade, não estamos em excursão escolar não. — Felicity respondeu, não gostando do jeito que a mulher falou com eles.
— Estágio é? — Então conversar com sua mãe não tinha dado certo e sua irmã não tinha desistido da ideia de fazer parte do jornal, se tornando uma funcionária ali. — Precisamos conversar então. — Disse.
— Eu não vou conversar com você, combinei com os meus colegas de irmos tomar um sorvete. — Ela não tinha nada para falar com ela e muito menos queria conversar com a irmã.
— Você vai sim — Insistiu.
— Vai lá Cora, a gente te espera. — James disse.
— E se precisar de ajuda, é só gritar. — Felicity falou.
Coraline seguiu a irmã.
Pandora ainda era a mesma egoísta que tinha largado a família, só que agora bem vestida e com um ar de superioridade ainda maior. Não tinha mudado muito, apenas o cabelo, que estava maior, mas ainda continuava com a coloração natural, um preto intenso e liso.
— Porque você tinha que vir estagiar exatamente onde eu trabalho? — Pandora perguntou.
— Não foi exatamente uma escolha minha, tanto eu como os meus colegas fomos indicados pelo nosso professor. Mas não se preocupe, ninguém saberá que somos irmãs, eu mesma faço questão de manter isso em segredo, senhorita Pandora Moore. — Falou, olhando o crachá da irmã. — Odeia tanto assim o seu sobrenome ao ponto de trocá-lo? Como conseguiu isso? — Perguntou.
— Isso não é da sua conta. — Disse ríspida. — Você não pode ficar nesse estágio, se conseguir ficar aqui, vai ter que deixar nossos pais. — Falou.
— Eu não sou você, não vou abandonar meus pais e não vou desistir do estágio, assim como faço questão de ficar bem longe de você. Se era só isso que você queria, estou indo embora. — Deu as costas indo em direção à porta.
— Você mudou, está diferente. Não parece tanto comigo como antes. — Falou.
— Exatamente por parecer tanto com você que eu decidi mudar. Você é uma grande decepção, não consigo me inspirar em pessoas igual a você. — Disse.
— Isso é ótimo, você nunca será como eu. — Disse cruzando os braços.
— Você não sabe como isso me deixa feliz. — Falou antes de sair, batendo a porta com força.
Coraline não pretendia desistir dos seus sonhos, ela não iria fazer o que a irmã lhe pediu e muito menos desejava ter contato com ela. Mesmo Pandora sendo sua irmã, ela jamais iria ser parecida com ela, fisicamente até podia ser, no entanto, psicologicamente eram totalmente diferentes. Coraline era sonhadora e tinha ambição de crescer com seus próprios esforços, enquanto Pandora, era egoísta e insensível. Coraline jamais abandonaria seus pais, iria descobrir o segredo que girava em torno do acidente dos irmãos Scarpelli Callegari e se tornaria conhecida profissionalmente pelo feito e o primeiro passo já tinha sido dado, quando teve a sorte de tornar-se aprendiz de Eliel Scarpelli Callegari, o seu primeiro alvo.