Prólogo

2103 Palavras
Segunda-feira. Não tinha mais nada que Coraline odiasse em sua vida do que as segundas-feiras, exceto o fato de estar atrasada. Ela amaldiçoou o despertador que não despertou no horário certo e agora ela estava atrasada para as primeiras aulas da faculdade. No último período de jornalismo, ela não podia se dar ao luxo de faltar a aulas tão importantes. No entanto, pior do que estar atrasada era acordar e ver que era tão cedo e seus pais não estavam mais em casa. Desde que a carga de peixes, mariscos e frutos do mar foi completamente estragada, a família da jovem futura jornalista vinha enfrentando uma dívida imensa o que resultava no casal tendo que trabalhar três vezes mais que antes, mas graças a ela, logo todos os problemas de seus pais seriam resolvidos. — Eles nem ficam mais para o café da manhã — murmurou vendo que não tinha nada pronto, assim pegando apenas uma maçã e saindo rápido de casa, enquanto comia a fruta. Em frente a sua casa, havia um carro estacionado e um homem de terno preto e óculos escuro encostado nele. — Atrasada, senhorita Coraline Morton Grant? — Perguntou, surpreendendo ela. — Como você sabe o meu nome? — Parou bruscamente e o encarou, estranhando alguém desconhecido saber seu nome e sobrenome. — Eu tenho que saber o nome da noiva do meu chefe, aliás eu vim buscá-la, ele deseja vê-la. — Disse juntando as mãos em frente ao corpo. — Eu não vou poder ir com você, estou atrasada para a faculdade e depois ainda tenho que ir para o estágio, com licença. — Foi gentil. — A senhorita não me entendeu. O senhor seu noivo exige a sua presença na casa dele e sem atrasos. — Disse o homem com tranquilidade. — Se o seu chefe deseja tanto me ver, ele que venha até mim. — Retrucou, sem paciência. — Por favor, não complique a minha vida, o meu emprego depende disso, por favor me acompanhe. — Apelou para o lado humanitário de Coraline. — Isso é golpe baixo. — Retrucou. — A senhorita já está atrasada mesmo, perdeu um dia de aula, então não custa nada salvar o meu emprego. — Sorriu de lado. — Só vou fazer isso porque você foi gentil ao pedir e o nosso país não precisa de mais um desempregado — Disse entrando no carro, que tinha o brasão da família de seu noivo. Coraline, apesar de ser uma jovem íntegra e de caráter irrevogável, ela tinha muitas ambições e viver para sempre naquele bairro e se contentar apenas com um salário mínimo, tendo que fazer as contas todos os dias para saber se podia ou não comprar algo que ela desejava, não estava nos seus planos. Tirar seus pais do trabalho árduo era o seu maior objetivo. A mansão na qual o carro entrou lhe fez brilhar os olhos com intensidade, aquilo não era exatamente o que ela sonhou, sua ambição não ia tão longe, no entanto, se estava no seu destino se tornar a senhora daquela casa, ela aceitaria de bom grado e agradeceria ao universo por ser ela a escolhida. — Nossa, parece até que entrei no castelo da Elsa. Porque está mais frio aqui do que lá fora? — Perguntou, no entanto o homem não respondeu. — Não faça muitas perguntas e me acompanhe. — A jovem fez careta. Onde tinha ido parar o homem gentil que pediu-lhe que salvasse o seu emprego? — Claro, já me calei e não está mais aqui quem perguntou. — Disse, sarcástica. — Por favor, entre, o senhor já está à sua espera. — Abriu a porta e ela entrou em seguida. A sala tinha pouca luminosidade e ela só podia ver a silhueta de uma pessoa que parecia estar sentada. Ela caminhou, se aproximando do homem, quando o mesmo acendeu o abajur na mesa ao lado de onde ele estava, o que a fez perceber que estavam em um escritório. — Então você foi a escolhida do meu pai. — Disse a observando por completa. — Baruc Scarpelli Callegari, meu noivo. — Colocou as mãos no bolso da calça. Ele não esboçou nenhuma reação. — Então esse é o motivo pelo qual não aparece em nenhum lugar há mais de sete anos. — Disse, se referindo à cadeira de rodas. Ele ignorou aquilo que ela tinha falado. — O triplo! — Coraline estranhou a fala dele. — O triplo do valor que o meu pai te ofereceu, para que não se case comigo. — Então o assunto que ele queria falar com ela era sobre o casamento deles, melhor, sobre dinheiro? — É o nosso primeiro encontro e você já me oferece dinheiro, que bondoso da sua parte. Eu esperava pelo menos um cumprimento, uma apresentação. — Brincou, deixando-o irritado. — Eu não estou brincando. Eu não quero me casar com você, por isso estou lhe oferecendo o triplo do que o meu pai vai te dar para que se case comigo. — Ela riu. — Eu não quero. — Respondeu. — Como? O que eu estou lhe oferecendo é uma oferta altíssima, pagará todas as dívidas da sua família. — A encarou, deixando-a perceber a intensidade do verde dos olhos dele. — Sim, isso pagaria as contas da minha família e até dá para tirá-los do bairro em que vivemos e dar uma vida confortável por um tempo, no entanto, a sua proposta não é tão boa quanto a do seu pai. — Disse. — Não? E o que foi que aquele velho te ofereceu? — Perguntou zangado. — Pelo visto a relação pai e filho não é nada boa —, Coraline não era o tipo de pessoa que se intimidava com palavras —, Além do que eu irei receber ao assinar a nossa certidão de casamento, o senhor Eliel me ofereceu uma vida inteira de luxo, a sua proposta é fichinha perto da dele, você deveria ter sido mais generoso. — Ele arqueou uma sobrancelha. — Vejo que você não é nada boba, tem ambição. Mas se esse for o problema, eu também posso garantir uma vida de luxo. — Falou. — Eu não vou aceitar nenhuma proposta sua, eu já dei a minha palavra ao seu pai e eu não costumo voltar atrás com o que eu digo. Se está tão insatisfeito com o casamento, desista você mesmo. — Falou e o semblante dele mudou. — Eu não posso, tenho motivos suficientes para aceitar esse casamento e não está relacionado ao dinheiro como é o seu caso, então, é mais fácil para você desistir. — Continuou. — Disso você está certo, o dinheiro vai mudar muitas coisas, mas sabe o que é melhor com esse casamento? — Ele negou. Não sabia o que de bom a união dos dois poderia trazer para ela, eles eram totalmente estranhos um para o outro. — Eu serei a sua esposa, a única nora do poderoso Eliel Callegari, terei um emprego garantido no jornal, que sempre foi o meu sonho. — Falou se aproximando cada vez mais dele. — Ser a sua esposa me trará respeito, prestígio e todas as portas se abriram para mim, sem nenhum esforço. Meus pais não precisarão levantar às três da madrugada para trabalhar e nem eu vou precisar pegar três conduções para vir para a faculdade e para o trabalho. — Respondeu. — Você é uma interesseira. — Disse ríspido. — Eu não sou interesseira, só sou uma pessoa que já passou por momentos horríveis na vida e que agora tem a oportunidade de mudar de vida de forma limpa. Eu não estou cometendo nenhum crime. — Colocou uma mão de cada lado da cadeira dele. — Casar com você não será nenhum sacrifício, você é um homem bastante jovem, tem uma bela postura, parece ser bastante saudável, também parece ter um corpo bem cuidado e também é muito lindo. — Disse com a voz suave e o seu rosto bastante próximo do dele. — Você não faz o meu tipo. — Falou, tentando tirá-la de perto dele. — E qual é o seu tipo, senhor Baruc Callegari? — Perguntou, encarando os olhos verdes e intensos dele. — Com certeza não é você. — Ela riu. — Quantas respostas vagas. Então, qual é o problema comigo? É o meu jeito de vestir? Meu corpo? Minha altura? Meu perfume? Ou a falta de maquiagem? Eu não sou uma mulher bonita para você? — Perguntou de forma divertida. — Com certeza o pacote completo. — Disse rápido, depois de observá-la por um tempo. — Já sei, você gosta de mulheres que se vestem com roupas mais sensuais, usam maquiagem até para dormir, estão sempre tentando se equilibrar em cima de um salto 15, que gastam milhões em procedimentos estéticos e que baixam a cabeça enquanto homens como você falam. — Baruc cerrou os punhos, ela não o conhecia e estava criando uma personalidade para ele que não existia. — Você é apenas uma garotinha que se acha que já é mulher. — Aquilo foi algo que ela não gostou, porém não se deixou abalar e iria continuar irritando o homem. Novamente se aproximou dele e o que ela fez em seguida o deixou bastante surpreso. — Eu já não sou uma garotinha faz muito tempo. — Sentou-se sobre as pernas dele, que estavam cobertas por uma manta. — Mas o que pensa que está fazendo? — Perguntou tenso. — Tentando fazer você mudar de ideia sobre ter me chamado de garotinha. — Colocou os braços em volta do pescoço dele. — É melhor você levantar daí enquanto tem a chance de sair com suas próprias pernas. — Ela riu. — Nossa, você é muito ranzinza. — Brincou. — Não teste a minha paciência, senhorita Morton. — Ela riu por ele a chamar pelo seu sobrenome. — Não, para você, o meu futuro marido, é Coraline ou se preferir pode me chamar de Cora, até mesmo de querida. — De fato aquela garota não iria desistir do casamento e aceitar a sua proposta. — Você não vai aceitar a minha proposta? — Perguntou encarando ela. Eles se encaravam tão intensamente que poderiam ler os pensamentos um do outro. — Nem penso na probabilidade disso acontecer. Aceite que eu serei a sua esposa, eu não sou uma opção tão r**m assim. — Disse. Se Coraline gostava de brincar, Baruc iria entrar na brincadeira também. — Tudo bem, espero que seja uma boa opção, principalmente na cama. — Sussurrou no ouvido dela. — Não se preocupe, tenho certeza que não vou aborrecê-lo e nem deixá-lo na mão, se é que me entende. — Sussurrou de volta no ouvido dele, onde soprou contra a pele do pescoço dele e em seguida deixou um beijo, ação que fez ele engolir seco. Coraline voltou a encará-lo, percebendo que ele parecia um pouco zonzo, melhor, ele estava desconcertado. Ela tinha o deixado desconcertado. Mas para sua surpresa, ele levou suas mãos até o corpo dela, onde uma delas permaneceu em sua cintura e a outra foi até a sua coxa, onde ele apertou. Mas diferente da reação dele, ela não ficou tensa, muito menos desconcertada. — Pegada gostosa, adorei! — Mordeu o lábio inferior. — Você não sabe onde está se metendo. Bem vinda ao inferno. — Disse, mas a única coisa que ela fez foi rir. — Ótimo, o nosso inferno terá dois diabos. — Olhando nos olhos dele, ela aproximou os lábios do dele, que engoliu seco novamente. Mas ela não fez o que ele pensou e por um momento até desejou, apenas mordiscou o lábio inferior dele, dando uma leve puxadinha, sem desviar o olhar, o encarando intensamente. — E que vença o melhor! — Saiu do colo dele e caminhou até onde estava a sua bolsa. — Em breve estaremos sobre o mesmo teto, em dois dias nos casamos, não vai dar tempo nem sentir a minha falta. — Soltou um beijo para o homem que parecia ter perdido a fala e saiu em seguida do escritório, o deixando sozinho com seus pensamentos, que no momento estavam todos fora de ordem. Ela o tinha deixado fora de ordem. Baruc levou os dedos até os lábios e os tocou, lembrando-se do hálito quente dela e da forma como ela o provocou. — Diaba! — murmurou passando a mão pelos cabelos. Baruc sentiu-se enfurecido e com a certeza de que Coraline lhe daria muito trabalho e que de garotinha ela não tinha nada. Ela era uma mulher, uma mulher que tinha o deixado com um probleminha entre as pernas.
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