Café da manhã

1105 Palavras
Melissa Tompson Fizemos uma grande bagunça naquela noite, deixamos os colchões na sala e baldes de pipoca com sucos e refrigerantes cercavam aquela rodinha. Emily e Demian ficaram para passar a noite, e eu apenas agradeci, eu sei bem que nem um e nem o outro iria querer me deixar sozinha depois do que aconteceu e do que conversamos. Por ter esse pensamento em mente, eu apenas decidi não discutir. Às vezes era só melhor não debater algumas ideias, essa era uma luta que com toda a certeza eu não venceria tão fácil. Eles ficaram super protetores comigo, sempre se revezavam para cuidar de mim e não me deixar sozinha em nenhum instante. E eu amava isso, mesmo que vez ou outra uma parte de mim achasse um tanto sufocante demais. Veja bem, eu sou totalmente grata aos meus amigos e por todo o carinho que ambos possuem comigo, o problema que vez ou outra dependendo da situação eu não quero ter uma companhia nem nada parecido apenas quero ficar sozinha, e esse não era mesmo um desses momentos eu queria ter companhia para não acabar fazendo uma besteira. Assistimos alguns filmes até que as crianças dormiram. E quando eu disse crianças eu não estou falando exclusivamente dos meus filhos, as duas crianças grandes ao meu lado também adormeceram ali abraçados um ao outro o que me fez soltar um risinho. Eu estava na outra ponta e os gêmeos no meu braço esquerdo. Cobri todos com a coberta e me ajeitei para dormir. Seriam dias difíceis daqui para frente e eu precisava de um tempo para relaxar, era de momentos como esse que eu conseguia sentir esse sentimento. O dia começou devagar e preguiçoso, o sol entrava pelos buracos pequenos das janelas iluminando a sala do meu apartamento. A brisa fria infelizmente entrou junto fazendo me gemer baixinho. — Eu quero dormir mais mamãe. — Disse virando me do lado contrário. Demian infelizmente não pareceu concordar com isso e jogou um travesseiro em minha cara. Abri os olhos um pouco ranzinza. — O quê diabos? — Acorda vagabunda. — Respondeu, revirei os olhos ao ouvir aquilo. Movi o rosto para os lados procurando pelos meus filhos, franzi o cenho com isso. — Cadê os meus filhos? — perguntei. — Os dois estão no quarto, dormindo como anjos. Soltei um suspiro alguns segundos depois de ouvir a fala de Emily. — Ótimo. — Disse me levantando, estiquei os braços para me espreguiçar. — Vão me ajudar a arrumar? Não quero que a babá dos meus filhos pensem que aqui é mais bagunçado do que já é normalmente. Demian e Emily riram baixinho em conjunto e começaram então a pegar algumas coisas para ajeitar o lugar, então depois de alguns segundos eu poderia dizer com todas as letras que aquilo que eu chamava de casa agora estava devidamente apresentável. Os dois saíram, foram trocar de roupa e pegar alguma coisa para tomar café da manhã. Já eu, por outro lado, fui tomar um banho, estava fedendo. Caminhei para o banheiro com urgência, tirei minha roupa e fiquei por lá durante alguns minutos, sempre que fechava os olhos me vinha na mente a imagem de Theo na praia. Deus! Era perturbador. Eu tinha que tirar esse peso das minhas costas ou iria acabar enlouquecendo. Pelo menos eu iria trabalhar hoje e teria por consequência iria me distrair bastante com o restaurante, o que era ótimo. Ao terminar o meu banho, sequei o meu corpo na toalha e com a outra usei para secar os cabelos. Passei uma escova e um pouco de creme, eu precisava de um tempo para cuidar do cabelo, estava quase parecendo com um ninho de ratos ambulante. Bufei, soltando a tensão dos meus ombros. Como aquele dia estava fazendo frio usaria roupas mais quentes do que o habitual, apesar de morar perto da praia não quer dizer que estava fora de sentir o frio. Coloquei uma blusa preta de manga comprida e por cima um moletom, a calça do mesmo tom da blusa. Um tênis e uma meia para aquecer os pés. Dei uma olhada nos meus filhos, ainda estavam dormindo e logo a mulher que cuidava deles iria vir e leva los para a escola. Movi o meu corpo até a cozinha, arrumando o lanche dos dois. Eu adorava fazer aquilo, deixava cada lancheira personalizada de acordo com os personagens favoritos dos dois. Para Aurora era algo envolvendo Moranguinho já que era o desenho favorito dela e para James era envolvendo carros. Carros era a paixão dele, coisa que com toda a certeza não puxou de mim. Deixei tudo arrumado nas lancheiras prontas para serem usadas quando necessário. Soltei um suspiro um pouco contente com o trabalho bem feito, sorri largo e fiz uma grande xícara de café e me sentei no sofá da sala enquanto esperava Demian e Emily. Logo o meu apartamento não demorou nada para ser invadido por duas pessoas que falam muito mais muito alto mesmo. Franzi o cenho, olhando os. — Vocês acham que estão onde? — perguntei. — Em casa. — Disseram os dois em conjunto. Revirei os olhos no momento seguinte, não tinha como discutir certas coisas. Me levantei um pouco do sofá e peguei as sacolas das mãos do rapaz, colocando em cima da mesa logo em seguida. Tirei as coisas da sacola, olhando pães, pães com presunto e queijo e algumas outras coisas que fizeram o meu estômago roncar só de fome. Não esperei um convite ou algo do gênero, coloquei um pedaço de um deles na boca começando a mastigar. — Anne vai chegar logo e levar as crianças para escolinha. — Avisei. Os dois me olhavam fixamente, por alguns segundos achei meus melhores amigos, dois grandes psicopatas. — O quê? — perguntei. — Você está bem? — questionou Demian. — Eu estou ótima. — Disse logo em seguida. Me sentei na cadeira e ajeitei um cantinho para tomar café. — Então... — Falou Emily um pouco devagar, estava mentalmente escolhendo as melhores palavras para lidar com aquela ação. — Quando vamos fazer? Olhei cada um ali, por alguns segundos achei que estávamos falando de um assalto a banco ou algo do gênero. — Do quê estão falando? — perguntei. — Da conversa com Theo. — Falou Demian. Deus! Eu não queria falar sobre isso ainda. — Quando eu estiver pronta. — Respondi. — E quando você vai... — Apenas tenham paciência e respeitem o meu tempo, é só isso que eu peço. — Exigi. Depois do meu ultimato, ambos ficaram quietos, e tomamos café em silêncio antes de ir trabalhar naquele dia.
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