São as pessoas que amamos

1072 Palavras
Melissa Tompson Horas se passaram, clientes vinham e saiam assim como os pratos. Infelizmente um em especial não concordou com essa filosofia, ele estava lá esperando por mim e mesmo com as ameaças de Demian o loiro não moveu se dali nem com todas as pessoas indo até aquela mesa dizendo para que ele fosse embora do restaurante. Os demais funcionários foram embora, disse que não tinha problema e que poderiam cumprir o horário normal de trabalho. Demian e Emily já ficaram ao meu lado, ajudaram me a limpar a cozinha e por fim a arrumar as mesas e então quando estava pronta para conversar com Theo, o moreno insistiu em ficar ao meu lado. — Não. — Disse. — Foi um acordo se lembra? — Eu sei, é só que... Parei a fala com um abraço apertado, um carinho em suas costas. — Se eu precisar, eu vou gritar. Demian sorriu de canto, bagunçando os meus fios de cabelo. — Eu vou correndo atrás de você. — Retrucou. Soltei me dos braços de Demian e saí do meu santuário, também conhecido como cozinha e caminhei sem pressa alguma até a mesa onde Theo Fernandes estava sentado. Ele me olhou com aquele típico sorriso no canto dos lábios. — Você... — Não. — Disse cortando qualquer coisa que ele quisesse falar. Suspirei fundo e deixei as mãos na frente do meu corpo , meus olhos fixos no homem ali. — Eu não quero ouvir nenhum elogio, não quero ouvir nada que venha para tentar me agradar ou amaciar o terreno Theodoro, eu não quero ouvir nada do gênero e sim quero ouvir a verdade. Ouvi um riso baixo sair da boca masculina. — É, Theo. — Retrucou, depois soltou um longo suspiro com isso. — E você tem razão, é o que você merece. — E então? — Você vai me achar ridículo. — Disse. — Eu já acho. — Respondi. Eu não estava com muita paciência então consequentemente minhas respostas seriam tão afiada quanto facas. — Eu fui embora por amar você. —Respondeu. Foi a minha vez de rir, alto como uma doida. Aquilo era sério? Diferente de mim o homem ali na minha frente não ria nem nada parecido. — Você está falando sério com isso? — perguntei. — Sim. — Falou o loiro, o tom era calmo e bem paciente parecia até mesmo estar falando com uma criança de cinco anos. — Eu não sou bom relacionamentos, eu nunca fui e eu ia acabar machucando você de alguma forma e bem... — Você machucou. — Falei. — Eu já não mais conheço você e sinceramente?Não sei se um dia eu realmente te conheci de verdade.n Ele ficou em silêncio assim que terminei de dizer aquilo, me encarou por alguns minutos antes de confirmar silenciosamente. — Melissa. — Chamou. — Eu era imaturo, ainda era um garoto que tinha que beber para admitir o quanto gostava de alguém, você entende?Eu não era a pessoa certa para namorar muito menos ter algo. O que ele dizia até tinha um certo sentido, porém o que me deixava irritada de verdade era o fato de que ele nem ao menos me deixou escolher, só fez o que achava melhor. — E como eu iria saber? — perguntei com o cenho franzido. — Você não me deu o direito de escolha, não me deixou ver como seria apenas fugiu. — Eu fiz... — Você é um covarde. — Cortei. Eu não estava com paciência e sinceramente não queria nem um pouco ser boazinha. Respirei fundo, fechei meus olhos e o encarei. — Você simplesmente fugiu. — Falei deixando um espaço pequeno entre uma fala e outra apenas para ver se ele teria alguma reação e como não teve nenhum soltei um suspiro fraco dos labios, eu esperava mais e esse era o problema; nunca crie expectativas. — Ninguém sabia nada sobre você e nem para onde você poderia ter ou não ido, nem mesmo a sua mãe sabia. Me levantei e ele fez o mesmo, ousei em me aproximar um pouco dele apenas para bater em seu peito naquele instante. Eu queria pular naquele pescocinho lindo dele, apenas isso. Aquilo o assustou, porém, não se afastou ou me impediu de fazer o que eu queria apenas ficou lá parado me olhando. Parecia pensar no que iria dizer, como se qualquer palavra fosse me quebrar e de certa forma - talvez - quebraria. — Você não tem noção de como eu me senti naqueles dias Theo. — Falei deixando um espaço pequeno entre as falas. Respirei fundo antes de continuar a falar. — Você não tem noção de como eu fiquei e não tem o direito de voltar agora e fingir que está tudo bem. — Não está. — Concordou o loiro. Pisquei algumas vezes. O quê? O quê ele tinha dito? — Eu sei que não está tudo bem, eu sei que você não vai me desculpar e sei que o que eu fiz foi errado mas entenda... — Parou de falar para tentar me tocar, porém, tal ato não foi bem recebido já que eu desviei do toque no último segundo. Ao perceber isso Theo soltou um suspiro baixo entre os lábios, fraco como se estivesse cansado de fugir ou lutar em uma guerra que não tinha como vencer por mais que tentasse muito. — Quando se sente algo tão forte assim, como eu sinto por você o risco de sair machucado é muito grande coisa que eu não estava disposto a correr naquela época, sentimentos era como o bicho papão pra mim Melissa. — Explicou, tomou um pouco de fôlego e não demorou em continuar. — Eu não queria machucar a única pessoa que é importante para mim e agora eu entendo o quão i****a e imaturo eu fui em todos os sentidos possíveis. Ele parou de falar, seus olhos estavam fixos em mim. E eu me segurava para não sair dali. Soltou um suspiro pesado, talvez um pouco decepcionado pela minha falta de reação. — São as pessoas que amamos que possuem o poder de nos machucar. — Completou, finalizando seu relato. Sai dali sem dizer mais nada, tudo o que eu tinha para dizer e ouvir já havia sido feito. Theo ficou ali mais alguns minutos até ir embora do restaurante. Aquela noite havia sido longa demais e eu só queria um tempo sozinha, longe de tudo e todos.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR