Melissa Tompson
O dia seguinte não demorou a vir, e eu acordei logo nos primeiros suspiros da manhã quente de LA.
Eu adoro esse lugar, poderia dizer que eu amo ainda assim as vezes gosto de um clima frio para poder dormir até mais tarde no dia seguinte.
Devo dizer que quando eu acordei parecia mais que eu havia sido atingida com um chumbo, pois, o tanto que a minha cabeça doía não tinha uma explicação razoável para descrever o meu sentimento naqueles instantes.
Eu ainda estava com as roupas do trabalho, havia chegado tarde.
Depois daquela conversa com Theo Fernandes fiquei andando por aí, até que meus pés me levaram de volta para casa e eu simplesmente dormi do jeito que estava.
O cansaço era algo muito grande no meu corpo, tanto físico como mental.
Uma noite que estava longe de ter sido boa.
Levantei me com dificuldade, reclamei algumas vezes enquanto meus dedos faziam uma massagem leve no couro cabeludo.
Os gêmeos tinham ido dormir na casa da avó Amélia então eu teria algumas horas sozinha até que o apartamento fosse invadido por duas crianças totalmente eufóricas.
Conversei com Amélia pelo telefone antes de dormir, aparentemente ela também não sabia da volta de Theo o que de certa forma deixava tudo ainda mais estranho do que já estava.
E também durante nossa conversa ouvi ela xingar o filho durante poucos segundos, algo que eu confesso foi um pouco engraçado de ouvir.
Com os anos passando acabei me tornando bem mais próxima de Amélia, e descobri que ela era bem mais do que uma mulher amargurada e que só pensa no dinheiro.
Me levantei da cama sem pressa alguma, eu não tinha ânimo então mandei uma mensagem avisando que iria entrar mais tarde no trabalho.
Fui para o corredor que dividia os quartos com o restante da casa, passei pelo quarto das crianças e soltei um suspiro.
No meio de toda aquela conversa não havia dito nada sobre o fato de Theo ser pai, e bem sei que ele tem o direito de saber só que...Não sei se eu quero contar.
Algo dentro de mim dizia que a visita de Theo não tinha acabado naquela conversa, e essa sensação me fazia embrulhar o estômago.
Caminhei até o banheiro, joguei um pouco de água no rosto e ajeitei os cabelos.
Eu estava péssima.
Não consegui dormir nada na noite passada e com motivo, razão e circunstância para isso.
Durante alguns segundos massageie levemente o rosto, meus olhos se fecharam e pude curtir um pouco do silêncio até que um barulho alto e irritante começou a se fazer presente no ambiente.
Abri os olhos irritada.
Quem fazia tanto barulho nessa hora do dia?
Sério! Quem é esse monstro? Existe pessoas dormindo ainda.
Sim, eu sei bem que eu sou uma grande velha que ama o silêncio assim como também ama com muita força chocolate ao leite.
Saí do meu pequeno espaço de tranquilidade para tentar descobrir o que estava acontecendo e quem sabe eu poderia despejar toda a minha raiva em quem quer que fosse o culpado de tamanha anarquia.
Abri a porta do apartamento com raiva, olhei para os lados e vi várias caixas na porta da frente como também notei uma movimentação estranha no corredor, franzi o cenho.
Alguém estava se mudando...Quem era?
Descolei o meu corpo da porta e comecei a vasculhar com os olhos, observando tudo bem atentamente.
Seja quem for a pessoa era uma baita de uma bagunceira e isso não poderia negar.
Ok! Talvez eu seja uma pessoa muito certinha demais.
Cruzei os braços e me voltei para dentro, não queria ver nada só ter um pouco de descanso e quem sabe mais algumas horas de sono, infelizmente a minha atenção foi voltada para a pessoa subindo as escadas.
A minha primeira reação foi: que merda é essa?
E como o zelador não viu isso e não obrigou imediatamente a pessoa que fez, essas coisas a agir da maneira correta?
Theo estava ali subindo as escadas carregando algumas caixas, estava com jeans e camiseta branca como também um pouco suado por conta do trabalho que deve ter feito.
Os olhos dele estavam com foco em outra coisa, nos pés para não acabar tropeçando no meio de tanta tralha no corredor.
— O que...
Ele sorriu largo ao me ver.
— Oi, vizinha. — Disse colocando a caixa em cima de uma outra. — Que bom ver você.
Acho que nunca tive um ataque de raiva, até aquele momento.
É sério que ele estava fazendo aquilo?
Sendo um grande de um cínico?
— Que diabos você está fazendo aqui?
Ele por sua vez soltou um riso baixinho, bateu as mãos uma na outra e sorriu de canto.
— Eu estou me mudando pro meu apartamento, o quê tem demais?
— Seu apartamento? — questionei. — Esse apartamento estava ocupado.
— Sim, estava. — Retrucou. — Eu nunca deixei de ser o dono, e agora novamente eu estou em casa.
— Isso, isso não pode ser verdade...
— É. — Falou o loiro, cruzou os braços e me olhou com um sorriso vitorioso. — Eu voltei para minha casa Melissa, e eu não vou para lugar nenhum e é só isso que você precisa saber.
Sabe aquele momento dos filmes que algo muito r**m está para acontecer? Ou quando você se aproxima de um ambiente que dizem ser muito errado ou que pode te causar uma coisa muito r**m?
Foi assim que eu me senti ouvindo aquilo.
Ter Theo Fernandes de volta no meu mundinho não estava nos meus planos, e bom também não me agradava de jeito algum ter ele há poucos centímetros do meu apartamento, algo que com toda a certeza dificultava a minha vida.
Soltei um grito, algo abafado já que meus lábios estavam bem juntos naquele instante.
Apontei o dedo na direção do homem, soltando um xingamento entre os lábios.
— Ótimo Fernandes, faça como achar melhor. — Falei dando as costas para o sujeito ali parado.
E agora eu posso dizer com certeza, começou o inferno e bem eu estava morando literalmente do lado do d***o.