Um pouco de açúcar?

1031 Palavras
Melissa Tompson Depois de conversar civilizadamente com Theo Fernandes no corredor eu apenas tive a atitude mais madura que eu poderia ter em toda a minha vida. Bati a porta do apartamento e gritei bem alto, essa ação me deu uma risada divertida do loiro por causa disso tive a conclusão que deveria ter me mudado assim que eu tive a chance, porém, achei que seria mudança demais para a minha vida. Virei um pouco o rosto e olhei naquela direção um tanto irritada, estava pensando em voltar lá e dar um par para o olho roxo de Theo, contudo não fiz nada disso. E olha a minha vontade era enorme. Suspirei pesadamente, fazendo com que meus ombros ficassem relaxados por alguns segundos. Me sentei no sofá, abaixei um pouco o tronco do corpo e passei os dedos pelos cabelos fechando os olhos no processo. Para falar a verdade eu sempre soube que uma hora ou outra ele voltaria, eu só não pensei que voltaria e ficaria de vez como um fantasma para me perturbar ou coisa parecida. Talvez, só talvez eu tenha sido uma pessoa muito malvada na vida passada e agora estou pagando pelos meus pecados. E o preço disso?Bom, vou ter que aturar Theo Fernandes como vizinho novamente. O quê poderia dar errado?Pensei mordiscando levemente o canto da boca. Era uma mania que eu tinha quando o nervosismo batia, uma mania ridícula eu diria isso e claro roer as unhas. Esse hábito já era odiado fortemente pela minha manicure. Soltei um gemidinho baixo quando o meu corpo se levantou e encostou no sofá. — Que saco! — murmurei. Passei os dedos pelos fios de cabelo olhando ao redor. Sinceramente?Eu gostaria que as coisas fossem diferentes, porém, eu não poderia mudar essas coisas mesmo que quisesse então mesmo não gostando eu teria que viver com a presença dele ali ao lado. E claro, teria que - por agora - evitar que os gêmeos o vissem. Algo que talvez fosse um completo desafio. Eu conheço muito bem Aurora e James e por conhecer os gêmeos como a palma da minha mão eu sei que a presença do pai logo ali ao lado não vai passar despercebido. Digamos que a partir de agora eu teria que ser bastante criativa para evitar que os dois o vissem e esse nem era o problema maior. Isso melhorava muito o meu humor, ironicamente falando é claro. Soltei um suspiro pesado da boca, agora não adiantava ficar reclamando por mais que eu não gostasse muito da ideia teria que lidar com a realidade, eu só...Bem, não queria ver o coração dos meus filhos quebrado caso Theo resolva desaparecer novamente isso com toda a certeza seria uma dor muito pior do que eu passei. Andei até a cozinha, movi a cabeça para os lados em uma negativa lenta. Por mais que o assunto existisse não adiantava em nada eu ficar me lembrando dessas coisas, quando chegasse a hora de lidar com isso eu tentaria fazer da melhor forma o possível. O meu estômago roncava, eu estava morrendo de fome. Não tinha comido nada ainda, havia mudado o meu foco para outra coisa; pensar demais nas coisas. Era um hábito que eu carregava comigo desde bem nova e posso dizer que era uma sessão de auto tortura. Quando você pensa demais em um assunto acaba querendo ou não surgindo mil e um pensamentos, normalmente nenhum deles vai ser algo positivo deixando a sensação trocentas vezes pior do que já é. E olha, eu já tentei de todas as formas só que aparentemente eu gosto de me torturar de alguma maneira, enfim masoquista ou não sei o termo certo para quem gosta dessas coisas. Isso não ajudou a melhorar o meu humor. Ri baixo. Talvez, só talvez eu estivesse ficando louca. Poderia já ser internada no hospicio?Quem sabe?Pelo menos eu teria comida de graça. Ouvi alguém bater na porta e franzi o cenho, não estava esperando a visita de ninguém então quem poderia ser? Fui sem ânimo algum para perto daquela região, peguei a chave no pequeno molho de chaves ali ao lado e a tirei de seu descanso sem olhar quem poderia ser através do olho mágico da porta. E se arrependimento matasse, só talvez, eu estaria mortinha da silvia agora. — Oi, vizinha. — Disse o loiro, um sorriso nasceu em seu rosto quando os olhos dele cruzaram com os meus. — Pode me emprestar um pouco de açúcar? Arregalei os olhos, um pouco surpresa pela cara de p*u. — Você só pode estar de brincadeira. — Disse. Theo riu ao ouvir aquele comentário, moveu a cabeça para os lados em uma negativa e por fim voltava novamente o olhar na minha direção um tanto esperançoso eu diria. Pobrezinho, se por acaso ele soubesse a vontade imensa que eu estou de chutar a cara dele não tentaria nada disso. — Ah! Vamos. — Falou dando uma pequena pausa entre as falas. — É tão r**m assim um homem cozinhar? Franzi o cenho, ficando de braços cruzados um tanto incrédula. Theo Fernandes na cozinha? Não era nem de longe o cenário que eu imaginava. Pelo o que eu conhecia de Theo cozinhar não era a sua praia, afinal de contas ele sempre teve alguém que fazia essa tarefa por ele fosse uma empregada contratada pelo próprio, ou apenas uma de suas conquistas amorosas. Me lembrar dessas coisas gerou consequentemente um riso amargo na minha boca. — Você? — perguntei. — Cozinhando? — dei um pequeno espaço entre os questionamentos antes de ousar falar mais alguma coisa, Theo por outro lado parecia bastante sério como se a minha brincadeira não tivesse a minina graça e eu estivesse no fundo sendo uma chata. — Você quis dizer explodindo a cozinha não é mesmo? Não houve um riso, não existiu nenhuma expressão que indicasse que era uma brincadeira e sim algo que eu não estava esperando. Ele se aproximou o bastante para que pudesse se curvar e cheirar o meu pescoço, isso me gerou um arrepio; meu corpo ficou paralisado e eu odiei essa sensação. Maldito! — Eu posso te mostrar o que eu consigo fazer com as mãos, Melissa.
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