Helena Evelyn Este lugar é o próprio purgatório. A cada respiração, o ar parece se transformar em um veneno denso que se infiltra nos meus pulmões, roubando o pouco de força que me resta. O cheiro… oh, o cheiro. É como se a podridão tivesse encarnado em cada partícula ao meu redor, corroendo não apenas minhas narinas, mas minha própria alma. Não há instalações, não há dignidade. Apenas um balde. Um balde imundo que compartilha o mesmo espaço que eu, como um lembrete constante da humilhação que me cerca. E o ritual de esvaziá-lo? É a própria definição de degradação. Caminhar até aquele banheiro repulsivo, despejar o conteúdo como se fosse algo trivial. Não é. É tortura. É o esfacelamento diário do que restou da minha humanidade. Marcela. Maldita Marcela. Vou arrancar cada vestígio de vida

