Vizinho novo

1874 Palavras
A festa de despedida foi excepcionalmente agradável e animadora, tanto que eu passei horas me divertindo com todo mundo, sem me preocupar com a hora que eu iria voltar, ou com o fato de que eu precisaria acordar cedo no dia seguinte para pegar um voo para a Austrália. Não posso nem dizer que me arrependi por ter feito essa loucura, já que eu sabia que muitas pessoas ali, eu estava vendo pela última vez. Troca de equipe é como o final do Ensino Médio, você sai com a certeza de que aquelas pessoas permanecerão na sua vida para sempre, de que vocês vão manter contato e a amizade vai prevalecer. Mas no fim, todos se afastam e se tornam estranhos. As vezes sobra um ou outro, mas a maioria a gente perde o contato de vez. Não tenho mais a ilusão de acreditar que conseguirei levar todas aquelas pessoas para a minha vida, mas espero levar pelo menos algumas. Porque eu tenho um carinho real por tudo o que eu vivi com eles, por todas as aventuras que tivemos juntos, por todos os momentos de descontração, de seriedade. Vou guardar todas as lembranças no meu coração. Fechar esse ciclo foi doloroso, mas é isso, não tem como você crescer sem abrir mão de algo e eu não podia estagnar a minha carreira apenas pelo carinho que tenho por uma equipe que me abriu as portas. Vou ser eternamente grata a eles, mas de agora em diante, cada um segue o seu caminho. Não me dei o trabalho de desmontar móvel algum do meu apartamento, tirei apenas as minhas roupas e pequenos objetos. A minha ideia era alugar o meu apartamento com todos os móveis. Já que o apartamento que a Voxx oferece para os pilotos já vem mobiliado, então não tinha necessidade alguma de levar os meus móveis. Optei por ir sozinha para o aeroporto, não querendo prolongar o meu sofrimento e a dor da despedida. Na noite anterior eu já chorei horrores, não queria chorar mais. Então deixei o Joseph dormindo na minha cama e deixei um bilhete para que ele trancasse o apartamento quando saísse e entregasse a chave para a minha mãe. Com certeza eu vou levar um esporro daqueles, quando ele acordar e perceber que eu parti sem avisar, mas eu posso lidar com isso. Assim que me sento na poltrona do avião, coloco os meus fones e encosto a minha cabeça contra a janela, sentindo o sono me dominando. O voo de São Paulo até Melbourne, que é uma cidade da Austrália, seria longo o suficiente para que eu repusesse todas as minhas energias. E acho que ia precisar disso, já que depois de me instalar no apartamento, eu já teria que ir até o circuito para conhecer a equipe. Durmo o voo inteiro, só acordando com o avião pousando. Me espreguiço e espero a maioria das pessoas saírem para me movimentar e sair também, carregando a minha mala de mão. Assim que saio do avião, abro um sorriso imediato, me lembrando que o clima aqui não era muito diferente do Brasil. Ótimo! Pego as minhas bagagens e ando em direção a um homem que está segurando uma plaquinha com o meu nome. Eu tinha recebido uma mensagem avisando que um funcionário da Voxx viria me buscar, então não me surpreendo ao ver o homem. - Olá, senhorita. Eu vou te acompanhar até o seu apartamento. Concordo com a cabeça e ele é rápido ao agarrar as minhas malas e começar a sair do aeroporto, apenas o sigo. A SUV preta está parada em frente ao aeroporto e antes de colocar as minhas malas no porta-malas, o moço gentil abre a porta de trás do carro, para que eu possa entrar, o agradeço e entro. Ele guarda as malas e entra no carro, começando a dirigir. - Você já veio a Melbourne? – o motorista pergunta, me encarando pelo retrovisor. - Já sim, mas sempre vim na correria. Apesar de conhecer os lugares principais da cidade, eu nunca tive a chance de turistar de verdade, de ficar um tempo aqui e conhecer tudo. - Está animada para morar aqui? - Sim! Sinto que vai ser uma experiência única e muito agradável. Gosto muito da Austrália! E não estava dizendo isso só para agradar o rapaz, eu realmente gostava muito da cultura australiana! Morar aqui é uma realização de um sonho, já que eu sempre quis ter a oportunidade de morar fora por um tempo e fico feliz por estar tendo a chance de viver esse sonho em um país que eu admiro tanto. É uma honra. Durante o caminho o motorista vai me contando algumas curiosidades sobre os lugares por onde nós vamos passando, o que torna o percurso extremamente agradável para mim, já que é muito bom ouvir a história de um lugar sendo contada diretamente por uma pessoa que viveu aqui a vida inteira e que gosta da terra onde vive. m*l sinto o tempo passar, já que em questão de alguns minutos, ele está parando em frente a prédio, que devia ter uns cinco andares no máximo. O motorista sai do carro e faz questão de abrir a porta para mim, agradeço com um aceno, ainda encarando o prédio em estado de êxtase, m*l podendo acreditar que eu estava mesmo aqui e que isso era real. As minhas malas são colocadas ao lado do meu corpo e eu me viro na mesma hora para o motorista. - Espero que se divirta e que tenha boas experiências na Austrália, boa sorte! – ele fala gentil e se afasta. - Muito obrigada! Ele acena para mim, antes de entrar no carro e sair. Agarro as minhas duas malas, começando a puxá-las em direção a entrada do local. Assim que passo pela porta, me surpreendo com quão chique é o hall e meus olhos encaram tudo atentamente, querendo decorar cada pedacinho do lugar. Era tudo lindo! Um homem sorridente me olha com atenção, sentado atrás de um enorme balcão, me aproximo dele. Acho que é o porteiro do local. - Olá, no que eu posso te ajudar? – pergunta gentil. - Meu nome é Sophie Hill, tenho um apartamento aqui. - Oh! Claro. Estávamos aguardando você, já deixamos o seu apartamento limpo e organizado. – ele entrega uma chave em minha mão. – Qualquer problema que você tiver, basta interfonar. O seu apartamento é o número 5 e ele fica no último andar. - Certo, obrigada! - Seja bem vinda ao nosso prédio! Concordo com a cabeça, abrindo um sorriso amigável para ele. Puxo as minhas malas em direção ao elevador e aperto o botão correspondente ao último andar, esperando pacientemente até que eu chegasse. As portas se abrem, me dando a visão de um corredor bem extenso e um pequeno hall, com dois sofás e uma mesinha. Saio do elevador com as minhas malas e percebo que haviam apenas duas portas nesse andar, uma delas tinha o número do meu apartamento e a outra tinha o número 6. Pelo visto, eu tenho apenas um vizinho de andar. Que interessante! Será que ele é legal? Quem sabe a gente possa ser amigos, ia ser legal fazer amizade com um vizinho, só para variar um pouco, já que eu só tive vizinhos insuportáveis. Como se o universo estivesse cedendo aos meus caprichos a porta 6 se abre e meus olhos ficaram atentos em que estava prestes a sair dali. Tive uma certa surpresa ao ver um homem lindíssimo saindo do apartamento. Os seus cabelos eram escuros, sua pele era clara e ele tinha os lábios mais lindos que eu já vi na vida. Quem é esse deus grego? Porque se eu vou ter um vizinho lindo desse, posso me considerar uma mulher de sorte. Ele me olha em questão de segundos e um sorriso lindíssimo aparece em seus lábios, por um segundo, eu sinto as minhas pernas ficando bambas. Ele era lindo demais e sorria com os olhos, gosto de gente que sorri com os olhos. - Oi, você está se mudando para o apartamento ao lado? – pergunta simpático, encarando as minhas malas. Preciso de alguns segundos para reagir a sua pergunta, engulo seco e abro um sorriso meio sem graça, por passar tempo demais encarando ele de forma descarada. - Oi, sim. Acabei de chegar. - Que legal! Acho que vamos nos encontrar bastante então. – ele se aproxima de mim e eu sinto a minha boca secar, quando ele para na minha frente. O homem era alto, forte e tinha um perfume extremamente agradável. Caramba! - Meu nome é Tony. – ele estica a mão para mim, mantendo um sorriso simpático nos lábios. Oi, Tony. Você quer casar comigo? Ahhh, eu sou patética! - Eu sou a Sophie. – agarro a sua mão, sentindo o seu aperto firme. - Seja bem vinda ao prédio, Sophie! Ele pronuncia o meu nome com um sotaque que eu não reconheço, mas eu gosto muito de como isso soa. Quando eu ver o Thomas farei questão de expressar toda a minha gratidão a ele, porque além do cara me dar o emprego dos sonhos, me colocou para morar ao lado de uma obra de arte. Não tem como as coisas darem errado por aqui, é impossível! - Obrigada, Tony! Ele abre a boca para dizer algo, mas uma terceira pessoa interrompe o nosso momento. - Tony, você ainda está aqui? Eu estou faminto, cara! – a voz irritada soa atrás do deus grego, mas por conta do seu tamanho e por ele estar parado bem na minha frente, eu não consigo ver de quem é, mesmo a voz soando conhecida para mim. - Então desça você mesmo e pegue a comida. – Tony diz, mas parece mais uma brincadeira do que uma patada, já que ele mantém o sorriso. - O que está te distraindo, mano? – a voz irritada parece estar mais próxima e em questão de segundos eu vejo de quem ela vem e o meu sorriso murcha no mesmo segundo. – O que você está fazendo aqui? – pergunta incomodado e eu bufo. - Eu que devia te perguntar isso. Tristán passa os olhos pelas minhas malas e começar a negar com a cabeça. - Não me diga que você vai morar no apartamento ao lado? – ele me olha seriamente. - Vou, qual é o problema? – cruzo os braços. Poxa, Tony. Você tinha que ser amigo de uma pessoa tão estúpida como o Tristán? Que decepção! - O problema é que seremos vizinhos. – ele fala com a voz estridente. Eu arregalo os meus olhos e n**o com a cabeça. - Vizinhos? Claro que não! – Eu quero o Tony como vizinho. – Você não é o meu vizinho? – pergunto para o Tony e ele n**a com a cabeça. - Não, Tristán é quem mora naquela apartamento. PORRA! - E aliás, o que está pegando entre vocês dois? Já se conhecem? – pergunta intercalando o seu olhar entre mim e o Sr. Arrogante. E novamente eu e o Tristán estamos trocando olhares em chamas, desejando m***r um ao outro. Não acredito que esse verme vai ser o meu vizinho! Sem agradecimentos para o Thomas.
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