Helena nunca teve ilusões sobre Pedro Villaça. Ela nunca confundiu a voltagem da presença dele com amor, nem a proximidade imposta com uma escolha. Para ela, Pedro não era uma possibilidade romântica; era um destino geográfico, traçado por linhagens e sobrenomes que se encaixavam com a precisão fria de um quebra-cabeça. As famílias já haviam decidido. Muito antes de eles entenderem o peso do dinheiro ou a responsabilidade dos seus nomes já apareciam juntos em listas de convidados e contratos de intenções. Eles eram namorados, mas o título parecia pequeno demais para a carga que carregavam. Ser namorada de Pedro não era sobre romance; era sobre ser a guardiã de um legado. A história de Pedro Villaça e Helena Amaral começou na infância — mas não havia qualquer traço de doçura nela. Havia a

