O dia começou antes dela estar pronta. Júlia não dormiu direito. O corpo ainda carregava a festa. A mente ainda carregava a imagem. O peito ainda carregava… tudo. E, ainda assim— ela foi. Porque fugir não resolvia. Nunca resolveu. Pedro já estava na empresa. Claro que estava. E, diferente dos dias anteriores— ele não fingiu distância. Ele voltou. Frio. Direto. Cruel. — Júlia. A voz veio no meio do setor. — Esses relatórios não saem hoje? Ela levantou o olhar. — Saem. — Até às 20h. Silêncio. Ninguém falou. Mas todos ouviram. — Isso não está no prazo. — Agora está. Frio. Sem explicação. Sem espaço. Júlia sentiu. O peso voltando. Mais forte. Mais direto. E, dessa vez— ele não escondia mais. O dia foi arrastado. Planilhas. Correções. E-mails. Revisões d

