Pedro nunca acreditou em destino. Achava conveniente demais. Uma forma bonita de justificar decisões que nunca foram realmente escolhas. Mas, olhando para Helena… era difícil ignorar. Ele lembrava. Do primeiro dia. Ela tinha cinco anos. Ele, seis. A casa cheia. Adultos conversando. Crianças correndo. E Helena… sentada. Postura ereta demais para a idade. Silenciosa. Observando. Pedro achou estranho. Depois… achou irritante. Ela não brincava. Não ria. Não tentava se aproximar. Fria. Intransigente. — Chata. Foi o que ele pensou. E aquilo— foi o começo. A relação deles nunca foi leve. Nunca foi natural. Era distante. Marcada por olhares atravessados. Por pequenas provocações. Por um desprezo silencioso. Mas, na frente das famílias— eram perfeitos. Educados.

