O transporte lembrava um ônibus, mas o interior era frio e silencioso como uma cela. As janelas estavam cobertas com películas pretas, impossíveis de ver através delas, e o único som constante era o ruído do motor misturado às respirações tensas dos competidores. Ninguém sabia para onde estavam sendo levados. Cada curva parecia se arrastar, cada freada fazia os corpos se chocar de leve, e o ar dentro daquele compartimento ficava mais denso a cada minuto. Aurora sentou-se junto à parede metálica, os dedos entrelaçados no colo, observando as sombras de quem se movia à sua frente. Às vezes via Dante pela fresta entre dois assentos — o corpo imóvel, os braços cruzados, o olhar fixo em algum ponto invisível. Nenhum dos dois falava, mas o silêncio entre eles era mais barulhento que qualquer con

