Ceifador On
Agora teria que ser tudo ou nada. Tô sozinho em território inimigo no meio de uma operação que elo visto tá sendo um m******e.
Mais é isso, preciso ir.
Fui tirando meu colete da mochila, minhas armas e as munições.
- Senhor eu irei te ajudar, mas você me ajuda a tirar minha família de lá amenos até essa guerra acabar ? Minha filha já me ligou várias vezes desesperada. Mataram vários policias.
- O senhor tem minha palavra. Só acelera esse carro e me espera aqui. Já avisa sua mulher e filha pra vim te encontrar. Só não mete o louco e sai daqui sem eu chegar com minha mulher.
- Sou sujeito homem senhor. Vou te esperar aqui até você voltar. Anota meu número caso precise de ajuda.
Anotei o número e depois de uns 10 minutos que mais pareceu horas ele parou numa região de mata e me explicou como entrar. Beleza entrar e fácil, agora é saber qual beco a Tamires está.
Fui pela mata e logo estava dentro da Paraisopolis.
Modo malandro ativado e fui logo me misturando com os cara.
Escuto o rádio de um deles falando que a patricinha estava na viela 17 baleada.
Fui andando e metendo bala pro vento. Tinha que me misturar. Onde passava tinha vários policias mortos. Cada segundo era um sufoco, cada passo minha esperança de achar minha mulher se tornava mais sufocante. Estava perdido andando pelos becos e vielas quando vejo um tumulto.
Só pode ser ali.
Me escondi e fui derramando os moleque que não via de onde as balas estavam vindo. Aqui é malandro também, ce tá louco. Pela minha dama eu viro o ceifador e nem vejo.
Com minutos estavam todos no chão e eu fui e me aproximei com cuidado.
Quando me aproximei meu coração gelou. Tamires caída no chão, somente roupa intima cobrindo seu corpo e cheia de sangue.
Quando me abaixei pra pegar ela no colo um cara parou de moto.
- E aí Zé. Vai pegar a delegada aí no meio da rua mesmo? Mete o pé rapá.
Olhei pra ele e me aproximei.
- Cara eu tô só cuidando até o chefe chegar aqui. Queria conferir de perto a mercadoria.
O cara soltou um gargalhada alta e olhou pra mim
- Ei espera aí. Quem é você mesmo ? Tu não é daqui parceiro. Tá fazendo oque...
Antes dele pegar o rádio já meti bala sem do. Silenciador funcionou belezinha. Arrastei o moleque pro beco e peguei a Tamires e levei pro mesmo lugar.
Tirei a roupa dele toda furada de bala e vesti na minha dama.
Sai, dei uma olhada no perímetro e estava cheio de vapor atrás dela.
💭 Pensa ceifador, pensa.
Peguei a Tamires e a virei peito pro chão e prendi seus cabelos num boné que achei.
Tinha soldados da Paraisopolis pra todo lado e alguns conversando com uns policiais e aí sim eu vi que seria difícil sair dali com ela.
Vi um cara parado dando ordens pra matar ela.
Voltei pra onde ela estava e peguei o rádio do vapor que tinha matado...
📟 Todo mundo na casa do chefe. A delegada p*****a tá indo pra lá. Bora
Dei foi tiros pra simular a perseguição.
Logo escutei os barulhos de moto, peguei Tamires no colo e corri pelas vielas direção a mata por onde entrei.
Quando chego na mata um molequinho me para.
- Tá lombrado mane. Dando fuga pra quem nessa correria toda?
- Só deixa eu passar moleque. Tô afim de confusão não.
Vi o menino pegar o rádio e antes dele soltar a letra eu atirei nele.
Que se f**a, moleque era menor, certeza. Mas se tá no movimento tá no jogo. Pesou a mente matar um menino novo daquele, era a primeira vez que matava alguém tão novo.
Quando me aproximei dele vi que o menino estava cheio de drogas numa bolsa e um fuzil no mato. Moleque novo e já nessa vida.
Sai dali pensamentos a mil. Logo avistei o carro que o velho me esperava. Abri a porta com tudo e entrei no banco traseiro com Tamires nos meus braços.
- Bora Rui. Minha mulher tá morrendo. Preciso chegar no Rio de Janeiro o mais rápido possível.
Estava tão desesperado que nem vi que as mulheres no carro me olhava assustada, até que uma delas falou.
- Senhor os batimentos da sua esposa estão fracos. Ela deve ter perdido muito sangue. Ela não vai aguentar a viagem.
Comecei a socar o vidro do carro. Fiz tudo isso e ela vai morrer nos meus braços.
Quando tiro esses pensamentos vejo Tamires acordar e logo em seguida começar a se debater.
- Amor por favor, fica comigo. Tamires acorda
Falei entre lágrimas. Nem me importando se tinha alguém vendo. Nesse momento percebi que o amor que sentia por ela ainda está aqui e ainda mais forte e profundo.
- Oque eu faço gente. Não posso levar ela pra hospital e nem pedir ajuda pra facção daqui. Me ajudem.
- Eu vou te ajudar. Vou ajudar a salvar sua mulher. Mais o mercenário que vou pedir ajuda irá cobrar uma grana alta.
- Pago oque for. Só salva minha mulher.
A filha do motorista parece entender das coisas. Pois ela logo pegou uns pano na mochila dela e rasgou mandando eu e a mãe dela colocar e pressionar os ferimentos.
Pegou o celular e ligou pra alguém.
- Pronto. Ele já está nos esperando. Você sabe o tipo sanguíneo dela?
- A-. Respondi na pressa.
- Papai vamos pra clínica São Caetano.
- Filha tem certeza. Aquele cara já te acediou. Ele vai mesmo nos ajudar.
- Papai só vamos. Ele não ouse fazer nada senão eu o denuncio. Meus medos e nojo dele não vão me impedir de ajudar a mulher e o homem que está nos ajudando a sair daquele inferno de morro.
Chegamos a tal clínica e o médico prontamente nos atendeu.
Após horas de procedimento e eu e a filha do Senhor Rui acompanhando tudo de perto, ela de assistente e eu vendo se ele não ia vacilar a cirurgia foi um sucesso.
- Ele logo estava novinha em folha.
- Fala seu preço.
Já falei curto e grosso.
- 300 mil.
Todos o olham em espanto.
- Rafael isso é muito dinheiro. Sabia que você era um crápula, mas nem tanto.
Olhei pra menina tentando me ajudar e incrédula com a situação.
- Não importa. Irei pagar e você nunca irá mencionar que estivemos aqui ou se considere um homem morto.
Paguei e sai.
- Para onde vamos senhor Ramon?
- Heliporto norte. Nos condomínios
Não se escutou mais nada mais sentia a apreensão daquelas pessoas. A mulher do seu Rui é muito calada. Uma senhora de meia idade muito acabada pelas marcas da vida.
Estava em uma certa distância da clínica quando escuto o sr. Rui gritar...
- Droga, aquele doutorzinho nos derrubou.
Vociferou o Rui ao acelerar o carro.
Olhei e havia dois carros atrás de nós.
-Merda merda merda. E agora estamos em desvantagem.
Olhei pras mulheres em pânico e Tamires dormindo no meu colo sob efeito dos remédios.
Estava tudo um caos quando senti o primeiro tiro atingir o carro.
- Vamos morrer...