Ramon (ceifador) On
Quando a filha do sr. Rui gritou vamos morrer eu senti o impacto de uma munição pesada nos atingir.
- Aqui ninguém vai morrer. Se segurem que vou tirar nos dessa enrascada. Só se segurem e façam pressão para os pontos da sua mulher não abrir.
Fiz oque ele falou e ele pisou no acelerador.
- Pai a mamãe não está bem. Nós tire dessa pra poder dar remédio pra ela.
O carro estava um caos. Não sei nem onde estávamos, mas não é que o velhote conseguiu dar fuga dos malandro.
Estava atordoado no meio de tudo que nem percebi que no final estava no heliporto que eu havia falado pra ele ir.
Desço olhando pra todos os lados e nem sinal de perigo. Pego Tamires e a coloco no helicóptero.
Volto pra pegar minha mochila e o pessoal está lá parado perto do carro sem se mover.
Olhei pra eles sem entender.
- Esta tudo bem Rui? Sua esposa me parece melhor.
Ele me olhou e olhou pra ela. .
- Estamos bem senhor, ela já está melhor. Queria pedir um favor ao senhor ?
Ele perguntou meio receoso e eu digo pra ele falar.
- Senhor teria como eu ficar com o carro até amanhã. Pois não temos pra onde ir hoje. Amanhã vejo pra onde vamos, mas naquela favela não volto mais.
- Como assim não tem pra onde ir. Te disse que iria tirar vocês de lá não foi?
Ele balança a cabeça em afirmativa.
- Pois estão. Vocês agora vão embora comigo pro Rio de Janeiro. Vou dar uma casa na minha comunidade pra vocês. Lá não é cinco estrelas mais da pra viver. Oque fizeram me ajudando não tem preço. Prazer sou Ceifador, chefe do Vidigal.
Eles se entre olhando e a senhora fala primeiro.
- O senhor vai mesmo nos tirar daquele inferno ? Vai nos levar embora daqui?
Ela fala com uma faz calma e terna
- Sim, e lá todos terão respeito por vocês. Agora vamos que minha mulher precisa de um médico.
Entramos no helicóptero e com algumas horas estava na minha favela. Tamires ainda desmaiada oque me deixou aflito.
Quando chego com ela no posto de saúde uma equipe já nos esperava.
- Chefe preciso avaliar ela.
O médico fala com receio.
- Quero o melhor pra minha mulher. Se alguma acontecer com ela eu mato você em praça pública, ce tá ligado na caminhada né?
Ele balança a cabeça e sai.
Logo pro JP
📲
- Fala seu puto. Cola aqui no postinho.
- Chegou chefe. Conta 10 tô chegando aí.
📲Chamada Off
Fiquei ali esperando e o sr. Rui com a família não falava nada.
Nem deu 10 minutos e o JP entrou todo na banca
- E aí seu puto. Te liguei e você não atendeu, já estava preocupado. Como foi lá, achou a sua amada?
Ele fala todo no deboche e eu nem dou moral. Quando ia falar as coisas que rolou vejo a mandada do outro dia entrar e vim correndo me abraçar.
- Oi amorzinho, tava com saudades. Te esperei aquele dia e nada de você aparecer. Eu e minha amiga te esperamos.
Porra essa mulher e fogo.
Olhei e a filha do sr. Rui me olhava com uma cara. Mina tava brava
- Te fala aqui garota, vaza daqui antes que mando tu pra salinha. Tá doidona chegar assim. JP preciso que tu desenrola um bagulho pra mim, pra ontem e tua vaza daqui garota.
Falei sério e a menina foi entrando no posto. Sei bem oque veio fazer aqui. Esses médico e f**a, sai do asfalto pra pegar as mulher rodada do morro. Mais que se dane, quero é atendimento pra minha comunidade.
- Fala chefe. Qual o problema.
- JP, esse aqui é o sr. Rui e a família dele. Preciso que arrume um barraco no jeito pra eles, vem com lixo não, que tiro você da sua e dou pra eles. Quero que ajude eles no que for necessário. Depois penso oque vamos fazer pra eles.
JP me olha confuso e não questionou. Mais o safado já está de olho na filha do velho.
- Po chefe, e pra já. Qual o nome aí do pessoal.
- Meu nome é Rui, essa é minha esposa Maria e nossa filha Keli.
- Blz velhote, vou atrás de um barraco bacana pra vocês e já volto aqui. Mais me diz, qual porque mesmo de vocês está aqui?
Ele fala me olhando.
- A Tamires tá aqui. Longa história. Arruma lá a casa pra eles e volta aqui. Preciso passar umas coisa pá tu fazer o desenrolo.
Dito isso entrei pra ver como minha mulher estava.
Entrei no quarto e o medido colhia uns exames dela.
- Como ela está doutor?
- Sua mulher está bem. Só está sob efeito dos remédios ainda. Pelo que vejo foi ministrada uma dose muito alta de calmantes nela oque não é normal para o procedimento que foi feito. Mais logo ela acorda e vamos ver como ela está. Solicitei exames de sangue e Raio X pra ver se não tem nenhuma fratura. O ideal seria uma ressonância mais não temos e acho que o senhor não irá querer levar ela pra outro lugar.
- Não mesmo. Se for preciso eu compro esse aparelho hoje mesmo. Faça tudo o necessário, vou estar aqui.
Sentei ali e fiquei velando o sono da minha gata. Mais agora füdeu, como ela vai reagir ao acordar e ver que está aqui no meu morro e que eu só o dono da porrä toda.
Levantei dali bolado e saí do postinho deixando meus vapor tudo de olho nela. Já tem mais de 48hs que chegamos aqui no meu morro e nada dela acordar. Hoje eles instala o tal aparelho de ressonância, vou esperar mais não.
Antes de ir passei visão pros vapor.
- Negócio é o seguinte, ninguém entra, ninguém sai daquele quarto até eu voltar. Se minha mulher acordar vocês me chama no rádio na hora. Só vou tomar um banho e já volto. Se liga na missão, se um fio de cabelo da minha dama cair vocês tão na vala.
Peguei a moto de um dos vapor e subi pra casa.
Entrei na casa e senti um vazio enorme. Casa estava uma zona. Eu me olhei e nem reconheci a mim mesmo. Estava acabado.
Nesses dias JP está na frente de tudo, sr. Rui vai todos os dias no postinho me ver, eles estão doidos pra trabalhar e eu nem tive cabeça pra ir ver como eles estão acomodados.
Subo tomo um banho e fico pensando que não posso ficar nessa situação.
Pego a moto e vou pra casa que o JP arrumou para o velho e sua família.
Bato na porta e a filha do casal aparece.
- Bom dia Ceifador. Minha mãe está fazendo café, entre. Papai já deve estar chegando.
Como ela já sabe meu vulgo? Isso tem dedo do fofoqueiro do JP.
- Vou esperar aqui.