Ceifador On
Fico na porta da casa e logo o velho aparece junto ao com o JP.
- E Aí JP? Trabalha mais não meu filho? Morro tá cheio de coisa pra fazer.
O filha da pütä nem me da atenção e vai e da um beijo na bochecha da filha do velho que fica toda sem jeito.
- Vamos entrar meu filho. A Maria tá fazendo um café.
- Agradeço o senhor pela atenção, mas deixa esse daí folgar não hem.
- Iiii ala o chefe me queimando pro meu futuro sogro.
Sentamos na sala e dona Maria vem com o café.
- Agradecido dona Maria. Hem mais aproveitando, me fala aí oque mesmo vocês faziam lá em São Paulo. Já sei que o velho e piloto de fuga legitimo e vocês duas ?
- Então meu filho, trabalhei muito em casa de família, pois no morro não acha serviço pra velho. Os cara quer as novinha pra fazer a limpeza. Já a keli e pediatra formada, porém nunca trabalhou na área dela. No começo o tigre o dono do morro queria, mais aí ela não quis nada com ele e ele não deixou ela trabalhar lá. Ela trabalhava naquela clinica até uns dias atrás, mais o ordinário tentou abusar da minha pequena lá. E é isso.
- Então pronto. A senhora quer tentar trabalhar lá em casa ? Tá feio o negócio lá, se quiser mando alguém pra ajudar a senhora. Já a Keli se quiser pode começar hoje no posto aqui do morro. As crianças precisam de uma médica e nenhum doutor do asfalto quer atender favelado.
As coisas por aqui estão bagunçadas, mas quero melhorar.
Vejo a menina dar pulos de alegria e a mão dela vem e me abraça.
Tão pouco deixa essas pessoas tão felizes.
Sai dali e fui direto ver minha mulher.
Hoje faz 4 dias e ela não acorda por nada. Aquele médico iria matar ela de uma forma ou outra. Miserável
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Tamires On
Depois que apaguei lá naquele beco tive a sensação que estava sonhando com o Ramon. Ele dizia que me amava e que eu não podia abandonar ele.
Estou tentando acordar porém estou em um sono tão bom. Me sinto calma.
Me permito sonhar mais um pouco e aí vem o Ramon novamente em meus sonhos e logo escuto um choro. Um choro de angústia e dor. Vejo meu filho ao longe e não consigo chegar perto dele.
Me forço a chegar perto dele e escuto várias pessoas me pedindo calma e eu começo a chorar.
Com uma certa dificuldade abro meu olho e vejo que estou numa sala de hospital e rodeada por enfermeiras e médicos.
Olho e não reconheço ninguém. Onde estou ?
- Patroa se acalme. O chefe logo chega.
Que diabos de patroa. Quem eles pensam que eu sou .
- Onde eu estou? Quem é o chefe de vocês?
Ninguém respondeu nada. Me levanto tirando todos aqueles aparelhos ligados a mim e quando tento me levantar sinto uma dor na perna.
- Por favor patroa. Se o chefe chegar e você estiver com algum machucado ele mata todos nós.
Olhei e vi a cara de espanto de todos. Claro só posso estar sendo presa pelo Estevão.
- Me diz onde está o Estevão. Fala pra ele que quero o ver agora. Vamos se mexem.
Todos ainda estavam parados. Começo a gritar chamando o Estevão e nada daquele desgraçado aparecer.
Olho em volta e começo a me desesperar. Penso no meu Max e choro.
Me sento no chão e o choro é inevitável.
- Por favor me ajudem a sair daqui.
- Não podemos fazer nada. Nós perdoe. Logo o patrão chega e vocês conversa.
Ao pensar ver aquele nojento do Estevão eu me apavorou e choro ainda mais.
Uma moça tenta se aproximar e eu a empurro.
Estou perdida em pensamentos e chorando ao pensar que meu filho está sentindo minha falta. Edi deve pensar que estou Morta.
Me escolho e choro baixinho e peço a Deus pra proteger meu filho. Agradeço mentalmente por ter deixado ele longe de todos, pois agora ele poderia estar aqui comigo sob o domínio desses bandidos.
Quando já estava perdendo as forças por conta das dores ouço uma voz rouca em alto e bom som.
- Que merda aconteceu aqui? Amor venha comigo.
Ele se abaixa e vem me puxando.
- Onde eu estou? Oque você faz aqui ?
Ele olha pra todos ali e ordena que saiam.
- Saiam todos daqui. Vamos.
Todos vão saindo e me olham
- Amor vem comigo. Esse chão tá sujo, vamos deitar ali ou você quer tomar um banho?
Ele vem me olha e pega na minha mão.
- Ramon onde eu estou ? Porque todos tem medo de você?
Ele me olha e abaixa o olhar. Vejo um rapaz entrar quase que correndo no quarto que eu estou.
- Chefe Chegou uma carga e não tô conseguindo fazer a conferência. O JP sumiu e não atende o rádio.
Vi o Ramon olhar pro menino com uma cara e eu fiquei em choque. Como assim ele e o chefe.
- c*****o MENOR. NÃO FERRA. COMO TU ENTRA NO QUARTO DA MINHA MULHER DESSE JEITO, TA QUERENDO MORRER? SOME DAQUI E SE VIRA COM ESSE CARGA. SEM ERROS TA LIGADO? SEM ERROS. SABE QUE AQUI NÃO TEM ESPAÇO PRA ERRAR. BORA
O menino saiu e fiquei olhando pro Ramon.
- Amor você quer tomar um banho? Você está toda suja de sangue. Não devia tirar os aparelhos assim.
Estava vindo quando me chamaram pra dizer que você estava tendo um surto. Vem comigo, vamos tomar um banho.
Paro e fico olhando para ele sem entender oque está acontecendo.
Como assim amor? Quem ele pensa que é pra me chamar assim depois de tantos anos.
Me sento no cama do hospital e fico tentando formar as palavras para entender oque está acontecendo aqui.
Me encosto e vejo o Ramon me olhando.
- Amor....
Eu não aguentei e o parei
- Não me chame assim. Onde eu estou é como você me achou? Eu preciso voltar pra minha casa o Max deve estar preocupado comigo assim como estou com ele. Me diz onde estou?
Vejo o Ramon se aproximar de mim com o semblante fechado.
- Não tenho medo dessa sua cara fechada. Só quero saber onde estou e porque todos te chamam de chefe? Preciso ir embora daqui.
Eu só falo e ele chega perto e me abraça me deixando sem reação e sussurra no meu ouvido.
- Não vá embora minha loira. Fica comigo. Prometo te explicar tudo. Deixa esse cara aí lá em São Paulo e fica aqui comigo.