Soluthur, ano de 1990
Chloé realmente não sabia o que estava fazendo?! Giocondo não poderia ser instigado a estar ao seu lado dessa maneira. Ela estaria agindo totalmente contra os princípios de tudo o que havia escutado na palestra. Se continuasse assim, o espírito não a deixaria. Se o objetivo era fazer Giocondo encontrar a saída para sua inquietação, pondo o curso natural das coisas em ordem, o correto não seria incentivar a ficar. Seria perigoso. Tentar descobrir após um século quem o matou não o ajudaria muito, não desta maneira irresponsável. Mas Chloé, sentia pena dele; começara a gostar de sentir-se amada, cuidada e protegida; seria um tipo de situação em que ela achava ter sob controle, mas não tinha.
Tudo leva a crer que essa situação se agravaria. Isso é o que veremos em breve!
Chloé abre seu coração num diálogo solitário...
-Ei, espero que ainda esteja por aqui. -Chloé fala em voz alta enquanto caminha pelos corredores da Mansão em direção a biblioteca.— Sabe, eu não sei se estou certa Giocondo. Mas sinto que não posso deixá-lo ir. Acho que posso ajudá-lo. Sabemos que você partiu de forma trágica; mas precisa entender que estamos em outra época, em outro século e tudo mudou. Não há ninguém mais responsável por todas as consequências entre nós agora. Não há como cobrar uma dívida sem um devedor. Não sei como posso ajudá-lo, mas pretendo estar ao seu lado nem que seja para que você não se sinta sozinho.
"Giocondo que a estava escutando, parecia um pouco abalado com tudo o que ela havia dito. Talvez o fato de mencionar a tragédia tenha feito m*l a ele. Ele sai rapidamente sem deixar rastros. Chloé olhou para algumas fotos, e como não percebeu mais sua presença fecha a caixa e vai ler um livro.
Chloé adormece e sonha....
Narrado por Isabelle
"Giocondo, meus pais estão mortos!!"
"O que aconteceu com eles meu sol? De que maneira morreram? Não viajaram para visitar parentes?
"Estou enlouquecendo! Meus pais, mortos! O que será de mim? Eles eram minha vida!"
"Acalme-se meu amor, você não está sozinha, eu nunca a deixarei!"
"Você não sabe o que está acontecendo.... Meus pais não saíram em uma viagem de turismo. Eles foram pedir dinheiro para saldar as dívidas da loja. Estavamos arruinados!
"Mas por que você não me contou, Isabelle? Eu poderia ter ajudado e evitado essa tragédia".
"Ahh Giocondo, você acha que eu não sei que você está em uma situação delicada na fábrica? Como você pode pedir ajuda a alguém que está cheio de problemas?
"Quem lhe disse isso?
"Seu sócio Heringer, mas isso não é importante agora. Meus pais estão mortos"...
Chloé havia se deitado no recamiê da biblioteca
lendo um livro quando adormeceu. Ela passou a noite inteira lá. Os eventos do passado de Isabelle emergiram como algo vívido. Ela acordou muito assustada com lágrimas no rosto. Tudo parecia real.
Chloé fala em voz alta
-Deus, que pesadelo foi esse? Parecia que eu estava lá sentindo sua dor. Preciso entender o que realmente aconteceu com a família da Isabelle. Se esse fato da morte de seus pais realmente aconteceu dessa maneira, eu não teria como saber. Eu vou pirar!! Não acredito que eu seja essa moça. É loucura demais para minha cabeça crer em vidas sucessivas.
Chamando Amelie...
-Amelie, sou eu. Você gostaria de almoçar comigo e com o Richard ?
-Me desculpe Chloé. Mas eu não gosto de seu amigo, ele não me inspira nada de bom. Além do mais, não seria um tipo de convidada que ele gostaria de ver sentada à sua mesa.
-Você vai me deixar sozinha com o lobo?
-Infelizmente sim, -risos— mas também sei que você saberá se defender. Afinal, ele é um lobo e tanto!!
-Tudo bem Amelie, eu sabia que não aceitaria. Tire o dia para você. Até amanhã.- Desligou o telefone
Chloé liga para Richard, que logo aceitou o convite para almoçar .
[...]
Lobo em pele de cordeiro
-Senhorita Chloé Favre, não poderia estar mais bonita!
- Richard Von-durst, como sempre um homem gentil e amável.
- Eu, gentil? Nãao... você é uma mulher de muitas qualidades.
—Quem me dera que fosse verdade! -risos. —Vamos e Não queremos perder tempo, está um dia lindo!- Diz Chloé
Eles entram no carro, Richard começa a falar sobre a ida de Chloé ao Centro na noite anterior.
-Mas quer dizer que você está realmente levando a sério essas idéias absurdas dos meus tios?
—Não são idéias absurdas. Seus tios fazem um bom trabalho no Centro, Richard.
-Um pouco fantasioso demais, eu diria. Onde já se viu acreditar em fantasmas? Você é uma mulher culta, como pode se deixar levar por isso?
-Olha, não vou entrar nesse assunto. Mas aquela mansão tem algo inacabado. Você pode não acreditar, mas tenho certeza de que há espíritos morando lá.
-E por que eu nunca vi nada? Meus tios são sensíveis, mas eu não!
-Não sei como explicar bem. O pouco que entendi é que eles são pessoas que precisam pagar dívidas com o astral, são devedores. Então eles vieram para ver e cuidar dos espíritos.
-Então eu não devo nada - Richard solta uma gargalhada —nunca vi espíritos!
-Vejo que não leva isso a sério. Então por que me perguntou?- Chloé o olha de modo repreensivo—melhor mudar de assunto.
- Desculpe-me Chloé, não foi minha intenção. Vamos mudar a conversa. - Ela decide falar sobre a cidade. —Veja só, chegamos que nem percebemos.
Eles chegaram ao restaurante e sentaram numa mesa um pouco afastada dos demais. Richard tinha como manipular muita coisa que ninguém poderia imaginar. Era um local sofisticado. Chloé parecia pouco se importar com o local, estava decepcionada com Richard que apesar de ser um belo homem, não o via como uma possibilidade de relacionamento afetivo. Chloé sentia uma atração e repulsão ao mesmo tempo. Ele era uma figura misteriosa, envolvente; mas havia algo nele que a irritava. Talvez sua falta de cuidado com as coisas de Deus a incomodava. Chloé não era religiosa mas teria sido criada numa família apegada as leis divinas. Richard era interessante; Chloé estava carente há um bom tempo. Vivia sozinha naquela mansão, precisava de companhia masculina para amenizar suas inquietações.
-Vamos tomar um drinque. - Richard não deixa escapatória.
-Sim. Acho que seria bom. Gostaria de um gim, tônica com bastante gelo raspado e duas rodelas de limão siciliano. É minha bebida favorita.
-Garçom, por favor!
Quando Richard faz sinal ao garçom, Chloé admira suas mãos longas e delicadas, era um fetiche aos seus olhos; seus braços fortes. Era um tipo elegante e vaidoso. Sua voz era baixa e rouca. Chloé começava a ter pensamentos obscenos que não eram costumeiros. Ela não sabia, mas havia ao seu redor entidades ligadas a luxúria. Ela desvia o olhar para não demonstrar seu desejo.
-Chloe, o que aconteceu? Parecia estar muito longe.
- Desculpe Richard, mas eu estava mais perto do que imagina- ela ri pondo uma mecha do cabelo por detrás da orelha.
-Só espero que esse estar perto, seja em minha direção. - Ele sorri mostrando suas covinhas e uma boca atrativa. — Bem, como você me deixou pedir o prato, eu escolhi "Veiras". Ouvi dizer que gosta de frutos do mar.
-Perfeito. Adorei sua escolha .
Eles almoçaram em um clima descontraído. Richard não parecia mais um cara tão ríspido e desumano. Ele tinha bom humor e um charme de enlouquecer! Deixaram o restaurante para caminhar numa praça. A conversa estava animada sobre as histórias de Soluthurn. Ela ficou encantada com o fato de que o número 11 fazia parte de quase tudo por lá.
De repente, Richard parou em sua frente olhando-a fixamente. Ele tinha olhos claros que mais se pareciam com um espelho d'água. Chloe não conseguia esconder o desejo de ser beijada. Aquele homem a levava pensar em coisas malucas.
-O que está fazendo? Por que está me olhando assim?
-Isso a incomoda?
-Mas é claro que não! Pelo contrário.
-Então diga-me, o que pensa que estou fazendo?
-Você está tirando sarro de mim, no mínimo querendo me deixar desconfortável.
—Não é nada disso. Pelo contrário, quero te deixar bem confortável.
Chloé não responde com palavras, ela se aproximou de Richard envolvendo suas mãos por trás da sua nuca afagando os cabelos, trazendo-o para mais perto de sua boca; ele a devora imediatamente num beijo ardente. Alí estaria sendo aberta a porta para espíritos afins.
-Devo acreditar que esse beijo foi efeito dos três gins?
-Claro que não Richard, eu já o queria antes dos gins.-Um riso malicioso pairava nela fruto das influencias maléficas.
-Podemos continuar esse beijo em um lugar mais reservado, Chloe?
-Não queremos chamar a atenção das pessoas, não é mesmo? Vamos lá, Richard.
Eles entraram no carro dirigindo-se até a mansão. Amélie não estava. Eles entram sem dizer uma palavra sequer. Chloé subiu as escadas com Richard em silêncio. Giocondo que estava no topo observava tudo desde a saída do restaurante. Algo de muito desagradável estaria para acontecer.
Chloé estava com muito calor. Ela não sabia que estava se envolvendo com o inimigo número um do Giocondo. Aquele homem a quem ela se entregaria, seria o maldito sócio em outra vida. O clima esquentou entre eles.
Richard a desejava com uma força desde o dia em que pôs olhos nela. Não era amor, seria algo carnal e possessivo. Richard não conseguia se conter, era malicioso e voraz. Abriu seu vestido rompendo o zíper e a levou na para frente de um grande espelho que havia na parede. Ele era um narcisista, queria mostrar seu desempenho e seu domínio. Chloe gostava de ser dominada, mas nunca dessa maneira. Ela então sente as mãos hábeis de Richard acariciar seus ombros, deslizando pelo corpo inteiro enquanto a olha fixamente pelo espelho. Ela viro o rosto, ele segura seu queixo e a faz olhar cada detalhe da manipulação que viria a seguir. Chloé se sentiu um pouco desconfortável naquela situação, estava diante de um homem cheio de poder e autoridade sobre ela; mas o charme de Richard a dominava, então ela se entregou as preliminares diante do espelho. Sua decência parecia não existir mais alí. Chloé estava excitada, entregue a mais estranha devassidão em suas estranhas. Se sentia suja e ao mesmo tempo inclinada a sucumbir aos comandos daquele homem frente ao espelho. Ela decide levá-lo para cama. Bem ao lado, próximo a cortina estava o ectoplasma do Giocondo se formando pela intensa energia que Chloé inconscientemente eliminava por seu umbigo. Ela desejava que alí fora Giocondo. Pensamentos loucos a invadiram e ela grita seu nome ao ter um orgasmo deitada sob Richard. Ele não entende seus sussurros porque estranhamente ela repete em um idioma desconhecido. Isabelle falava quatro linguas distintas, Chloé parecia está relembrando seu passado. Giocondo toma uma forma visível devido ao ectoplasma e se enfurece ao ver sua amada entregue ao seu maior inimigo. Do lado da cama havia uma sequência de espíritos trevosos impedindo que Giocondo interrompesse. Chloé gemia e olhava para Richard imaginando como seria bom fazer o espírito sentir a mesma sensação. Giocondo não suporta mais aquelas imagens. Ele tenta sair do quarto mais os sussurros de Richard chamado Chloé o retarda. Ele consegue arrancar uma cortina que cai sob a cama e Richard pôde enxergar sua sillueta. Um pavor o tomou de modo intenso que empurrou Chloé para um lado e sai pelos corredores despido tentando vestir suas roupas. Richard entra no carro desesperado. Abre o grande portão de ferro sem olhar para trás e sai deixando o portão aberto.
Chloé continua na cama parada como se nada entendera; o que podia ter feito de errado? Ela decide ir para a banheira pensativa. Giocondo ainda está lá, imóvel e triste. Ela não podia ser a mulher que ele preservara sem macular sua pureza. Lembrou-se de um fato em que tiveram algo íntimo numa única viagem de trem que fizeram, mas nada que pudesse ter sido tão asqueroso e agressivo. Richard a usou como um animal, exatamente como ele se lembrava de ter visto no haras em tempos de reprodução. Ela parecia uma égua sem cabresto. Seu mundo caiu ali mesmo. Os espíritos nefastos riam de sua vergonha. Giocondo não se dirigiu a Chloé. Ela sequer o pôde notar em sua performance com Richard. Ele ficou ali por um breve período até que pôde sair sem ser notado.