Século XX, Soluthurn
Eu estava nervosa, fazia mais de cinco meses que eu não saía com um homem. Desde os episódios das vozes que me incomodavam, não tive mais prazer em sair para tomar meu Gin. Me arrumei, fiquei bem com vestido transpassado na cor azul-marinho; ele me deixa sensual. Não queria parecer vulgar, mas gostava ser o mais feminina possível. Richard parece ser muito arrogante, mas confesso que ele é um homem atraente. Não vou deixar que ele chegue muito perto, afinal é o sobrinho-neto dos Meyes. Não acho que seja sensato nos envolvermos
tão precocemente, está tudo muito recente; além disso, não vim para cá para ter um romance, mas para escrevê-lo.
A campainha toca....
Deve ser o Richard. -Chloé desce as escadas...
-Cheguei na hora certa!"
-Sim, Richard, pontual - eles riem.
Sirva-se de um drinque, enquanto eu fecho as portas dos fundos.
-Você não quer ajuda, Chloé?
-Tudo está sob controle, obrigada.
Fui em direção às duas portas que davam para os jardins e para a casa dos funcionários (embora eu não tivesse nenhum morando aqui). Senti uma brisa leve e um suave aroma de perfume. Presumi que fosse do Richard. Mas ele havia ficado na sala de estar. Continuei fechando as portas e, quando apaguei as luzes, ouvi em voz baixa:
"Não seja descuidada, meu amor. Ele vai querer seduzi-la novamente - a voz
Dessa vez, eu não estava com medo. O perfume e a brisa beijando minha nuca me trouxeram paz dessa vez, eu não entendi direito a mensagem, Richard nunca havia me seduzido antes! Não respondi nada, sorri e fui para a sala de estar pensando.... Ele poderia ser meu anjo da guarda. Não vou mais me preocupar com isso, quero me divertir hoje!
Na sala...
-Richard, você gostou do whisque?
-Sim, claro! Muito bom! Experimentei um pouco.
-Fico feliz que tenha gostado, eu o tirei da adega que encontrei aqui. Você deve saber que é uma raridade nos dias atuais conservar uma relíquia como essa, bebidas centenárias que valem muito!
- Se fossem leiloadas, renderiam uma boa quantia.
-Sim, eles agregariam um valor significativo. Mas eles não estão à venda. Como esta mansão não está.
-Vamos lá, Chloé! De que vale uma casa sem nenhuma serventia?
—Isso é o que você diz Richard,eu não penso assim!
Richard se preocupou quando Chloé mencionou que a mansão não estaria à venda. E se a Chloé não fosse o que ele imaginava? Talvez fosse a herdeira se fazendo de tola. Muitas coisas passaram pela cabeça de Richard enquanto ele dirigia para o restaurante.
-Richard, você ficou em silêncio o caminho todo, eu disse algo que o aborreceu?
-Claro que não! Fiquei pensando se não deveria ter convidado meus tios.
-Foi realmente um descuido. Mas eu os convidarei para jantar na mansão com você.
-Isso me faz sentir melhor, Chloé
Chegamos. Vamos entrar, estou morrendo de fome, a comida daqui é dos Deuses!
O restaurante era um especialista em comida mediterrânea. Richard estava impecável vestido um casual elegante. Ele era simplesmente sedutor. Seu cabelo era curto, mas havia algumas mechas maiores que caíam sobre sua testa. Ele passou os dedos por elas para ajeitá-las. Não tinha barba nem bigode. Seu olhar era firme e profundo como o mar silencioso. O sorriso era um convite. Enquanto eu olhava a carta de vinhos, fiquei encantada com seus gestos. Ele estava nervoso, era notável; se eu bebesse dois Gins, ele me levaria para sua cama.
-Chloé, eu daria tudo para saber o que você pensa de mim.- Risos
— Mas não a conheço bem o suficiente para comentar.-ela meche no cabelo pondo atrás da orelha.
-Aah Chloé,logo você?! Não foi isso que ela insinuou quando me viu entrar na mansão sem bater à porta pela primeira vez.
-Sim, eu concordo. Mas você deve admitir que sua recepção abrupta foi uma surpresa.
-Eu sou assim. Gosto de coisas incomuns. É melhor pecar por prazer do que não tê-lo. O que você acha disso?
-Às vezes penso que sim; mas nem tudo pode se sobrepor à lógica ou à razão.
-Por exemplo?
-À primeira vista, você se mostrou um homem duro, ambicioso e que não estaria disposto a perder tempo.
-O que há de errado com a ambição?
-A ambição é algo que nos move. Acho que é bom, só não gosto de ter ambição pelo que não está disponível.
- Está se referindo à Mansão ou a você?"
-Não sou um objeto, Richard, muito menos estou à venda.
O vinho chegou e eles se entre olharam, não queriam perder o ritmo da conversa.
-Você disse bem. Não é um objeto. Eu respeito as mulheres. Uma mulher como você é mais do que uma ambição.
-Sinto-me lisonjeada, mas você não acha que é cedo demais para ser ambicioso?
-Talvez! Mas se você estivesse no meu lugar, não diria isso.
-E o que Richard Meyes diria ?
-Que esses centímetros torturantes desta mesa separando nossos corpos, não deveriam existir - risos.
-Richard, você está muito além do que eu esperava - risos
A entrada foi servida, eles apreciaram enquanto falavam de negócios entre outros assuntos. Chloé tinha curiosidades a esclarecer; ela estava encantada com Soluthurn. Estava até pensando em se estabelecer por mais um tempo. Depois de algumas taças de vinho. Richard a levou para casa.
Na Mansão...
—Foi um jantar incrível, Richard. Você tem um bom senso de humor e esclareceu minhas dúvidas sobre muitas coisas da cidade. É uma pena que você não saiba nada sobre a família de quem viveu aqui.
-Fico feliz que você tenha gostado da companhia, mas infelizmente, não sou o único que não sabe; faz muitos anos Chloé, tudo se perdeu. Mas como eu lhe disse, você pode procurar em museus ou ir para as montanhas, há uma comunidade lá com muitos idosos. Eles podem ter uma ideia de quem viveu na Mansão antes. Não é tão difícil, são 130 anos de história. -Risos
—Você tem razão. Farei isso qualquer dia. Preciso escrever meu livro e a pesquisa me ajudará muito.
- Não quer que eu o acompanhe até a portão?
-Não se incomode. Eu fico bem. E não vamos nos esquecer do jantar para meus tios, certo?
-Sim, não vou me esquecer. Boa noite Richard.
Ele beijou sua face bem próximo aos lábios; Richard pôde sentir a respiração dela ficar ofegante por alguns segundos... Seus olhares se perderam por um momento... Mas algo fez com que Chloé saísse desse transe.
"Ah, Chloé, já ia me esquecendo: você ainda será minha! -Richard disse em voz firme caminhando até a saída. Um arrepio percorreu a espinha de Chloé eriçando seus cabelos; algo a incomodava no tom daquela frase tão imponente. Ela fechou a porta em seguida e foi se trocar. Bem atrás dela, sem esboçar nenhuma reação que a detivesse; Giocondo estava fixo observando tudo, ele não podia interferir em determinadas situações, era necessário deixar o fluxo seguir.