Capítulo Quinze

1314 Palavras
Alex Finalmente, após uma longa tarde que tirei para ficar com minha mãe no parque, antes de não puder vê-la mais todos os dias, chego ao meu novo "lar" com o corpo dolorido, a mente exausta e o coração pesado. As malas parecem mais pesadas a cada passo que dou, e o silêncio do corredor é ensurdecedor. A porta do meu apartamento está bem à minha frente. Respiro fundo, pego a última mala que estava no chão e, no mesmo momento, ouço uma voz feminina me chamar. — Ei, novo vizinho! Queremos dar as boas-vindas! — A voz feminina ecoa no corredor. Levanto o olhar, um pouco surpreso com o entusiasmo. Vejo duas garotas um pouco distantes de mim. Minha mente está tão cansada que, por um segundo, não consigo processar a imagem. Mas elas estão ali, e mesmo que estejam longe, vejo que uma delas é idêntica à Amanda. Não, não é apenas idêntica. É ela. Estreito meus olhos para tentar ver melhor, para ter certeza de que não é uma miragem, mais uma ilusão criada pela minha mente que não consegue parar de pensar nela. Mas o sorriso que surge em seus lábios é real, o olhar em seus olhos é inconfundível. Por fim, consigo reconhecer o rosto da garota mais linda do mundo, e um sorriso toma conta dos meus lábios, o cansaço e a dor sumindo em um segundo. O universo, que parecia conspirar contra mim nas últimas vinte e quatro horas, acaba de me dar uma segunda chance. Caminho em passos largos em sua direção, a mala pesada em minha mão se tornando leve como uma pena. O meu coração, que estava batendo em ritmo de derrota, agora acelera com uma euforia que nunca senti antes. Mas ela permanece travada no lugar, me olhando como se não tivesse caído a ficha de que sou eu. Seu rosto é uma mistura de choque e descrença. Decido ir correndo de uma vez. Eu preciso ter certeza de que ela é real. Em segundos, chego perto o suficiente para sentir a fragrância de seu perfume. A mala cai com um baque no chão. Eu a abraço com todas as minhas forças, a puxando para perto de mim como se quisesse protegê-la do mundo. Sinto seu corpo se soltar no meu, e ela retribui o abraço com a mesma intensidade. Uma de suas mãos alisa meus cabelos, e o toque me acalma de uma forma que nada nunca me acalmou. — Parece que somos vizinhos agora. — murmurei em seu ouvido, olhando para aquele rosto angelical. O alívio em meu peito é tão grande que me sinto como se pudesse flutuar. — É... — ela responde com um sorrisinho fraco, a voz dela ainda um pouco trêmula. Lhe dou um selinho de surpresa, um beijo rápido para selar o momento, e sinto seus lábios macios nos meus. O rubor que surge em suas bochechas é um dos mais lindos que já vi. O mesmo que eu senti ontem. Amanda faz um movimento com os olhos, como se quisesse apontar para algo. Olho na direção que ela indicou e vejo sua amiga nos olhando, sem entender nada. Os olhos dela se movem de mim para Amanda, e o sorriso em seu rosto é de pura diversão. — Se... conhecem? — ela pergunta, apontando para nós. Apenas dissemos sim com a cabeça, os dois ainda presos em uma bolha de felicidade e surpresa. — Esse... é o... Alex. — Amanda diz, com a voz embargada, apertando os braços. A timidez dela é adorável. — Não brinca! — a amiga dela exclama, com a voz cheia de empolgação. — Então esse é o garoto que você vive me falando? Ele é o Alex, o menino que você gosta!? — ela pergunta, batendo palminhas, os olhos brilhando. Olho para Amanda, com uma sobrancelha erguida. Então quer dizer que a mocinha gosta de mim? A informação me enche de uma satisfação indescritível. — Ana, fica quieta! — Amanda a repreende, as bochechas ficando ainda mais vermelhas. Olho para Amanda, que agora está com uma expressão séria, e para o inferno, ela fica linda pra c*****o quando está assim. Eu quero beijá-la de novo, e de novo. — Bom, eu vou entrar, tchau, tchau. — Ana diz, rindo, e sai, nos deixando sozinhos no corredor. Vou me aproximando de Amanda até fazê-la encostar as costas na parede. Coloco a palma da minha mão em cada lado da cabeça dela. Meus olhos se movem dos dela para os lábios. Eu, que me sentia um perdedor ontem, agora sou o cara mais sortudo do mundo. — Então quer dizer que a mocinha gosta de mim? — pergunto, colocando as costas dos dedos em seu rosto. O toque é suave e gentil, mas a minha voz é cheia de malícia. — É... eu não... bem. — Ela gagueja. Sua voz é um sussurro. — Eu pensei que nunca mais iria ver esse seu rosto lindo de novo. — afirmo e beijo sua testa, sentindo sua pele suave. — Mas olha só, que ironia do destino. Somos vizinhos, e você terá que me aturar. — beijo sua bochecha. O cheiro de sua pele me inebria. — Eu... preciso entrar. — ela diz, nervosa, tentando desviar o olhar. — Tudo bem, mas antes, eu quero meu beijo. — peço, fazendo bico e apontando para os meus lábios. A brincadeira a faz sorrir timidamente. Ela me dá um selinho que era para ser rápido, mas a seguro, fazendo ser um selinho demorado. Meus lábios nos dela. Sinto uma eletricidade que percorre meu corpo todo, uma sensação de lar, de estar no lugar certo, na hora certa. Quando finalmente a solto, meu coração está em festa. — Espero ansiosamente pelo momento em que irei sentir a maciez de seus lábios e o gosto de seu beijo outra vez. — comento, acariciando seu queixo, o sorriso em meus lábios se recusando a sumir. — Bom, acho que vai demorar. — ela responde com um sorriso. — Eu tenho paciência, Linda. — afirmo, piscando para ela, a fazendo sorrir. Me afasto dela, o corredor se sentindo um lugar vazio novamente. — Tchau, Amanda. — digo, alisando seu braço e saindo, pego minha mala e vou indo em direção ao meu apartamento. Entro na porta, mas fico parado por um momento, vendo a última imagem de seu rosto, que estava preenchido por seu sorriso. Fecho a porta atrás de mim e me encosto nela, um sorriso bobo ainda em meu rosto. O apartamento está vazio, silencioso, mas não me sinto mais sozinho. O peso das malas e do dia estressante sumiram. Eu, que estava perdido, agora me sinto encontrado. Meu pai me jogou para fora de casa para me dar uma lição, mas o universo me deu uma recompensa. Olho em volta, para as paredes nuas e o chão frio. É um apartamento simples, sem o luxo que eu estava acostumado. Mas o fato de a Amanda estar a apenas alguns passos de mim me enche de uma alegria que o dinheiro jamais poderia comprar. Instintivamente penso em pegar o celular, mas logo lembro que meu pai confiscou, a ausência dele em meu bolso é um lembrete de que a guerra com meu pai ainda não acabou. Mas agora, não me sinto mais derrotado. Sinto-me forte. Eu vou trabalhar, vou estudar, vou me tornar o homem que ele quer que eu seja, mas não por ele. Vou fazer isso por mim. Vou fazer isso porque agora tenho um motivo para ser melhor. E esse motivo tem um nome: Amanda. Vou mostrar a ela que sou digno de seu carinho, digno de sua amizade, digno de seu amor. Eu vou me provar digno dela. E quando for a hora certa, eu vou ter o beijo que ela me negou. E dessa vez, não haverá pressa. E não haverá mais adeus.
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