Alex
Tenho que admitir, a cada selinho, a cada beijo, um arrepio diferente percorre meu corpo. É uma experiência que nunca senti antes, algo que vai além da atração física. É como se cada toque, cada proximidade, despertasse algo profundo, um sentimento que não se explica apenas com palavras. Algo dentro de mim clama por Amanda, como se precisasse dela ao meu lado, não apenas agora, mas sempre. É uma necessidade quase biológica, um anseio que me pega de surpresa e me deixa vulnerável de um jeito que eu nunca imaginei sentir.
Mas, por outro lado, a voz da razão insiste em existir, lembrando-me de que isso poderia ser apenas uma paixão intensa, um momento de distração em meio ao caos que minha vida se tornou. Talvez eu esteja idealizando, talvez meu coração esteja pregando peças. Mas quando vejo Amanda, quando sinto o toque dela, quando seus olhos encontram os meus, todas as dúvidas se desfazem. Ela mexe com meu psicológico de uma forma que ninguém jamais conseguiu.
Ela é a primeira pessoa que me faz querer ser melhor, não para agradar a ninguém, mas para ser alguém que ela merece ter por perto. O caminho que meu pai sempre quis que eu seguisse, de ser um homem firme, responsável, íntegro, agora faz sentido — mas não para ele, e sim para mim, e, de maneira inesperada, para ela.
Quando interrompo o beijo com minha típica mordidinha no lábio, ergo o olhar e fito diretamente os olhos de Amanda. O brilho que vejo neles acelera meu coração de um jeito que me deixa sem fôlego, mas de uma forma boa, quase intoxicante. O pânico que ela sentiu instantes antes se transforma em alívio e gratidão. Sinto que posso ser o refúgio que ela merece.
Aproximo meu rosto do ouvido dela, a voz rouca e suave:
— Linda.
O arrepio que percorre o corpo dela é como um prêmio silencioso. Beijo sua bochecha, demorando o suficiente para que ela sinta que estou presente, que estou aqui para ela. Mas a lembrança do filho da p**a do ex ainda paira no ar, e minha expressão muda instantaneamente para algo mais frio, mais firme.
— Foi uma prova boa demais para você? — pergunto com ironia, segurando a mão dela com firmeza. Minha mão é grande o suficiente para envolver a dela, transmitindo proteção e um senso de posse que não é arrogância, mas instinto.
— Foi, obrigado, mas uma coisa eu te digo: eu não vou desistir de você tão rápido — Tony declara, a voz carregada de arrogância, ainda olhando para Amanda.
Sinto meu sangue ferver.
— E eu não desisto de matar alguém tão rápido — respondo, deixando meu sorriso irônico transparecer o perigo que representa. Ele sabe que minha ameaça não é vazia. Ninguém mexe com quem está sob minha proteção, e ele já ultrapassou todos os limites.
Tony vira-se para sair, mas Ana entra na frente da porta, bloqueando sua saída com o corpo.
— Da licença — ele rosna.
— Com prazer — Ana responde, debochada, os braços abertos como se dissesse: “tenta passar por mim”. O pequeno gesto faz meu coração rir internamente, mas não deixa de reforçar que temos aliados fortes.
Tony olha para Amanda e mexe os lábios, sussurrando “eu te amo”. Um último esforço para manipulá-la. Meu sangue ferve de raiva. Se ele pensa que pode tocá-la novamente, ele está muito enganado. Ana fecha a porta rapidamente, e eu observo Amanda sendo amparada. Ela está trêmula, o corpo pequeno quase se escondendo, lágrimas rolando pelos olhos vermelhos. Sinto uma dor que nunca senti antes, uma mistura de tristeza e fúria que me consome.
— Calma, amiga, ele não vai te machucar de novo — Ana diz, guiando Amanda até o sofá.
Eu me ajoelho diante dela, segurando seu rosto com cuidado, passando o polegar sobre suas lágrimas.
— Calma, linda, não chora — digo, a voz baixa, rouca, cheia de proteção. — Me mostra aquele sorriso lindo que eu amo tanto ver.
Ela tenta, e um sorriso tímido surge em seus lábios. É pouco, mas é suficiente para me encher de alívio e satisfação. Beijo sua testa, a bochecha, e, por fim, dou um selinho demorado, apenas para reafirmar que estou aqui, que ninguém mais vai machucá-la.
Ana sai para buscar água, e eu fico ali, imerso em pensamentos. Perguntas surgem: O que exatamente Tony fez para deixá-la assim, tão desesperada? Ele a feriu de uma maneira que não posso suportar imaginar? O pior pensamento me invade, mas eu me afasto dele. A palavra “amo” surge em minha mente, mas ainda não estou pronto para admiti-la. Não aqui, não agora.
Depois de algum tempo, percebo que é hora de ir embora.
— Bom, eu já vou — digo, levantando-me do sofá, mesmo sabendo que cada segundo longe dela é difícil.
Despeço-me de Ana, que me agradece de olhos brilhando. Quando me volto para Amanda, ela se levanta, firme, e acompanha-me até a porta, segurando minhas mãos. A sensação de proximidade me aquece, mas também me deixa vulnerável de um jeito delicioso.
Antes que eu consiga falar, ela sela nossos lábios. Um beijo próprio, sem timidez, cheio de gratidão, desejo e ternura. É um beijo que transmite mais do que palavras jamais poderiam. Eu correspondo, sentindo o gosto dela como um vício, sentindo cada detalhe, cada nuance de sua entrega.
Terminamos o beijo com selinhos, respirando juntos, testas encostadas.
— O que foi isso? — pergunto, rouco, tentando controlar minha voz.
— Um beijo — responde, com um sorriso que ilumina minha mente e meu coração.
— Quero saber o motivo dele — insisto, rindo baixo.
— O motivo? — Ela pisca para mim. — É porque… eu também não tenho paciência para esperar o próximo.
Meus pensamentos travam. Ela me atingiu como um raio, mas dessa vez é felicidade pura, elétrica, arrebatadora. Antes que eu consiga responder, ela me dá outro selinho demorado e entra em casa, fechando a porta atrás de si. Fico ali parado, imóvel, sem conseguir processar nada além de seu sorriso e o cheiro que ainda persiste em minha pele.
Volto ao meu apartamento em passos lentos, cada um deles gravando o momento na memória. Abro a porta e sou recebido pelo silêncio, mas ele não me incomoda mais. Caminho até o quarto, deito na cama e encaro o teto. A luz suave do abajur ilumina meu rosto.
— Linda… — sussurro para mim mesmo, sorrindo de lado. O coração que antes batia em ritmo de guerra agora pulsa calmo, sereno. Ela é minha paz. Ela é meu anjo.
Fecho os olhos e revivo cada instante do dia: os selinhos, o medo que ela sentiu, o conforto que pude dar, e, principalmente, a sensação de ser necessário. Essa sensação é nova, intensa e avassaladora, mas eu não quero abrir mão dela.
A mente divaga: como pude viver tanto tempo sem alguém que me faça querer ser melhor simplesmente por estar perto? Alguém que transforme a vida em algo mais simples, mais belo, mesmo em meio ao caos? Amanda faz isso comigo. Cada gesto, cada sorriso, cada palavra dela é uma flecha direta no coração. E quanto mais penso, mais percebo que não existe fuga. Não quero fugir. Não quero mais fugir.
Sento na beira da cama, segurando meu próprio rosto nas mãos, e penso: posso protegê-la, posso amá-la, mas também preciso de coragem para admitir o que sinto. Não agora, talvez, mas a verdade está ali, cristalina. Meu corpo reage de maneira involuntária a cada lembrança dela: a forma como segura minha mão, como me encara com confiança, a delicadeza misturada à força que me faz querer ser melhor para ela.
Suspiro, fechando os olhos novamente. O mundo lá fora continua caótico, imprevisível, mas dentro de mim existe um núcleo de calma e certeza. Amanda não é apenas uma distração, uma paixão passageira. Ela é alguém que desperta em mim o que ninguém jamais despertou. E, de repente, tudo parece mais claro.
— Ela é minha — sussurro, a voz quase inaudível, mas carregada de convicção. — Minha responsabilidade, minha alegria… minha vida.
E, pela primeira vez em muito tempo, sinto que o pesadelo passou. O passado se tornou apenas sombra, e diante de mim, iluminada, existe Amanda. Meu anjo, minha escolha, minha verdade.
Permaneço ali, deitado, deixando a mente vagar entre lembranças e sonhos futuros. Sei que nada será fácil. Tony não desapareceu por completo, o passado ainda pode assombrar. Mas agora tenho algo que ninguém pode tirar: a certeza de que, aconteça o que acontecer, vou lutar, proteger e viver por ela, ao lado dela.
O silêncio do apartamento já não é vazio; ele é cheio de promessa. O meu coração, antes agitado, agora bate em um ritmo constante e sereno, embalado pela lembrança de um sorriso, de um beijo, de uma presença que mudou tudo. Amanda entrou na minha vida e, com ela, trouxe um mundo novo, intenso e completo.
— Linda… — sussurro novamente, fechando os olhos e deixando o sono me levar. — Obrigado por existir.