Oito

2358 Palavras
Já no cair da tarde, Amélia se debruçou na sacada que dava vista para a cidade que ficava situada abaixo na montanha e dali começou a recordar dos tempos de infância e dos belos sonhos que tinha e, que desejava acima de tudo, a realização dos mesmos. Ela pensava no quanto seu amor por Thor era grande e a sua gMaria em tornar seus sonhos de menina realizados, ao lado de seu grande amor. E foi nessa viagem singular de volta a tempos que embora fossem tão difíceis, ela recordou de uma prática que não fazia há muito. Niela começou a entoar uma de suas canções, uma linda melodia cantada com a alma: Abrace o recomeço O espaço e as estrelas mostram o brilho da liberdade Como os pássaros cantam melodias de amor Os meninos posam para a obra de arte da criação Nos tempos de aflição a natureza mostra o caminho. Vem, sinta o doce amor da liberdade Das pequenas flores que são trazidas pelo vento Do alto das grandes montanhas Os sinos do tempo soam Nos mostrando que ainda podemos Que ainda podemos. Ver, o cume da alta montanha reluz o brilho Do olhar da criação Trazendo consigo a esperança No sorriso de uma criança o Sol se torna tênue pelo suave aroma de sua pureza Não me peça para desistir Eu jamais irei desistir Vem, sinta o doce amor da liberdade Das pequenas flores que são trazidas pelo vento Do alto das grandes montanhas Os sinos do tempo soam Nos mostrando que ainda podemos Que ainda podemos. As melodias do vento nos conduzem à liberdade O tempo já não é, para quem decide acreditar no impossível O desconhecido não é tão ruim Vem, sinta o doce amor da liberdade Das pequenas flores que são trazidas pelo vento Do alto das grandes montanhas Os sinos do tempo soam Nos mostrando que ainda podemos Que ainda podemos. Aquelas palavras pareciam sair do fundo de sua alma, de seus olhos delicados desciam lágrimas que se misturavam à saudade de um temo que não voltaria mais. A saudade de sua avó Cândida e dos amigos que deixou para trás, aos quais ela não sabia se voltaria algum dia a vê-los. Mas como dizia um refrão da música ao qual cantava, o desconhecido não é tão r**m. E era exatamente isso o que acontecia com Amélia, ela estava diante do desconhecido e sabia que deveria encará-lo, um desafio que até poderia ser difícil, mas que não poderia deixar passar. Acontece que a jovem não estava sozinha e sua meiga e linda voz não passou despercebida. Ela assustou-se com os aplausos solitários que surgiram atrás dela. Era Lucia, que olhava para a brasileira, encantada. — Lucia! — falou assustada e com uma das mãos no peito. — Não a vi chegar. — Agora eu entendo o porquê de Thor ter gostado tanto de você. — respondeu a mulher mais velha. — Vocês têm mas incomum do que imaginam. — Você fala da música? — Amélia sorri. — Eu gosto de cantar. Desde que que era criança que costumava a cantar no chuveiro ou, quando estava com meus amigos. — É um desperdício uma voz dessa ser ouvida apenas por um chuveiro. — disse Lucia. — Thor sabe desse seu talento? Amélia ficou confusa ao ser questionada por Lucia. Embora fosse dona de um talento magnifico, a jovem não se sentia segura o suficiente para mostrar do que verdadeiramente era capaz. — Você quer dizer... eu cantar para que o Thor ouça? Claro que não! — respondeu, após alguns segundos de silêncio. — E por que não, Amélia? Se eu tivesse a voz que você, eu não estaria trabalhando como governanta, pode ter certeza. — declarou a mulher. — Não sei, eu tenho muita vergonha. Imagina se eu tiver que cantar em público? — retrucou. — Mas é exatamente isso, menina. Acredito que você tem muito a nos revelar, princesa. — Lucia, com o rosto de Amélia por entre suas mãos. — Não vai conseguir se esconder dele por muito tempo. Thor fareja talento há anos luz de distância, sabia? Após ditas essas palavras, Lucia saiu da sala, deixando Amélia a sós. Vendo que estava sozinha, ela sorriu e voltou a cantar, mas dessa vez a canção era conhecida e em português. Ela não teve muito trabalho para expressar seu talento, mas isso só ocorreu pelo fato de estar sozinha. *** No estúdio, Thor estava tendo dificuldades com sua principal vocalista. Marta, uma soprano bastante conhecida no país, parecia não ter gostado da composição feita pelo Maestro. Ela constantemente saía do tom, o que não era normal para os padrões da soprano, o que o levou a crer que aquilo era proposital. — Marta, o que está acontecendo com você, minha querida? — ele perguntou. — Não é normal você errar um tom. — Olha, Thor. Eu não me sinto muito bem, é só isso! — respondeu a mulher, parecendo estar chateada. — Tudo bem. Tire a semana de folga, então. Teremos tempo até o conserto, mas por favor, não erre mais a melodia, senão estaremos em maus lençóis. — explicou. — E para ser sincero, eu não quero acreditar que você esteja fingindo só para não cantar essa música, Marta! — Como assim? Com o que você me compara, senhor Gandersen? Marta pareceu ficar irritada com a insinuação do rapaz e uma discussão deu início com a mulher dizendo jamais ter sido tão ofendida. Thor or sua vez, atribuiu a ele o sucesso da mesma, mas ela relutou ao dizer que não merecia tais acusações. Até que o parceiro dele chegou e questionou o motivo real de toda aquela briga. — Thor e toma por ignorante! — disse ela. — O que? Marta! — exclamou, visivelmente irritado. — Desde quando eu te chamei de ignorante, Marta? Seja pelo menos verdadeira, caramba! Thor levou as duas mãos nos bolsos, suspirando e tentando acreditar na atitude infantil da mulher de cabelos encaracolados. A aparência de Marta fazia todos os que a viam, lembrar de uma deusa grega, com seus cabelos escuros e cacheados e sua pele aveludada e rosada, assim como um par de olhos azuis topázio. Mas para Thor, sua beleza foi suprimida pela atitude nada agradável e comportamento infantil. — Você a chamou de ignorante, Thor? — perguntou Marzo, seu sócio no projeto musical. — Olha pra minha cara, Marzo. Veja se eu sou do tipo que ofende uma mulher com tamanha falta de cortesia. — justificou-se. — Mesmo que eu tenha razão. Jamais faria isso! Sem ter como argumentar, a mulher logo deu a desculpa de que não se sentia bem e se retratou com o Maestro. — Acho que você tem razão, Thor. Eu vou tirar a semana para descansar, depois volto para continuarmos a ensaiar para o conserto! — falou, com uma das mãos na nuca. — Faça isso. — confirmou Marzo. — E veja se volta mais abrandada, pois esse será nosso primeiro conserto depois da pandemia. Descanse! Marta apenas assentiu e saiu, deixando os dois homens a sós. — Pelo amor de Deus, Thor. O que foi isso? — o sócio questionou. — Cheguei a crer que se não tivesse chegado, vocês dois teriam ido aos tapas! — Não seria para tanto... — Não? — Marzo interrompe Thor. — Você e a Marta precisam se acertar, caso contrário as coisas podem darem muito errado! — Então diga isso a ela. — o loiro respondeu, parecendo ter se irritado com a advertência. — Olha, não é de hoje que eu tenho notado um comportamento aquém da Marta, com as minhas últimas composições. — O que quer dizer com isso? — Marzo, tendo sua curiosidade aguçada. — Não sei, mas acho que a Marta está escondendo alguma coisa da gente e devemos tomar cuidado. Sabe como esse mercado anda concorrido e... — Já sei aonde você está querendo chegar, Thor. Mas creio que esse não seja o caso da Marta. Agora siga o exemplo dela e tire uns dois dias de folga, pois você está precisando! Thor apenas assentiu, pegou a chave do seu conversível resolveu seguir a sugestão do amigo. Mas o Maestro não foi diretamente para sua casa, antes disso ele resolveu andar um pouco pelas belas ruas de Roma, porém, seu pensamento não saía de Amélia. Devido ao frio estar muito intenso, ele não abriu o teto do conversível, apenas olhava os belos monumentos da cidade através do vidro, até que parou em frente a uma galeria de arte e decidiu descer ali. Entrou na galeria e começou a admirar as belas obras de arte expostas ao público e, sua visão voltou-se para uma estátua recém chegada ali. Tratava-se de uma mulher sentada em uma pedra e segurando uma flor de lírio próxima ao peito. Aquela estátua novamente levou os pensamentos do jovem músico à sua amada, a mulher vinda de outro continente e que conquistou o seu coração. Nem ele mesmo sabia ao certo o que poderia ter acontecido, ou o que pode tê-lo levado a se apaixonar tão loucamente da maneira com a qual se encontrava apaixonado. Mas de uma coisa ele tinha certeza, ele queria aquela mulher para sim resto de sua vida. E ali, observando aquela mulher belíssima representada em mármore branco, palavras em forma de poemas surgiram em sua mente e juntamente com elas, uma linda melodia que o encantou. “Só você para me inspirar dessa forma, minha Doce Amélia!” Pensou, seguindo tendo seu olhar fixado na estátua. Até que em dado momento Thor foi reconhecido por um de seus muitos fãs. — Thor? Thor Gandersen? — uma mulher detrás dele, perguntou. — Meu Deus, eu não acredito! — Tudo bem? — gentilmente, ele respondeu. — Nossa, bem é pouco. Eu estou juntinha de Thor Gandersen. — a mulher parecia que iria se desmanchar. Logo um grupo de pessoas começou a se aglomerar ao redor do Maestro, que era detentor de um carisma encantador e por conta disso agregava muitos fãs ao seu redor. Enquanto seguia com seu pensamento em Amélia, Thor atendia a cada um dos fãs, tirando fotos e assinando autógrafos. Foi quando Marzo chegou para o auxiliar. Um dos donos da galeria contou ao sócio de Thor o quanto ele estava sendo tietado na galeria. — Thor sendo Thor, não é mesmo? — disse Marzo, com um singelo sorriso. — São só alguns autógrafos. — respondeu o loiro. — Já estava de saída. — Assim espero. Quando disse para se distrair, não foi bem nisso que eu pensei. Assim que as coisas estavam mais calmas, Tor conseguiu sair da galeria e retornou para sua mansão. Ele foi direto para o quarto de Amélia e viu que a morena se encontrava deitada e como todo too músico que se preza, correu a pôs para fora o que estava em sua mente desde o momento em que viu a estátua. Thor pegou seu violino começou a entoar belas notas em uma melodia que parecia vir do altar dos anjos. Devido o silêncio que se fazia naquela noite, a melodia pôde ser ouvida em vários decks da mansão, inclusive do quarto de Amália, que se levantou seguindo até a sala de ensaios. Ao chegar ali ela decidiu não interromper seu amado, o deixou tocar e se envolver naquela magia na qual estava mergulhado. Flor do Deserto Estava eu perdido em um deserto seco Estava eu sem esperança e sem horizonte Estava eu em um limbo de incertezas Os ventos batem forte em meu rosto me fazendo perder a visão O tempo parece nunca passar e o Sol arde em minha pele Deserto, morte Mas não acabou Ainda não acabou, pois até no deserto pode-se nascer uma flor A flor do deserto 2x Esperança que renasce, onde uma flor nasce 2x Até mesmo o Sol parece sentir alegria Pela força da vida A vida encontrou um meio Não me sinto mais perdido Não me sinto mais sem esperança Não estou mais incerto, achei a flor do meu deserto 2x O oásis da minha paixão Minha flor do deserto 2x Aquela canção deixou Amélia com os olhos mergulhados em lágrimas, esmo sem saber ao certo, a letra daquela canção cuja mesma se encontrava na mente de Thor. Mas ela não se importava com aquilo, ela estava encantada e a cada dia na companhia daquele belo homem ela se sentia como se estivesse sido transportada para um mundo de magia ao qual ela jamais sonhou estar. Não conseguindo conter suas emoções, Amélia deu um longo suspiro e o mesmo chamou a atenção de Thor. — Você está aí? Há quanto tempo me espiona, senhorita? — ele dá um sorriso, colocando o violino sobre o piano. — Há tempo o suficiente para te ouvir tocar desde o começo. — disse ela. — Música nova? — Incrível. Eu vi uma estátua linda hoje e essa melodia veio à minha mente. — ele respondeu, abraçando-a pela cintura. — E como ela se chama? A música? — com os olhos fixos aos do homem mais alto, ela perguntou. — Chama-se A Flor do Deserto. A compus pensando em você! — a declaração veio seguida de um beijo caloroso, que fez o coração da jovem disparar. — A flor que encheu o meu deserto de vida, um deserto que outrora pensei que fosse me matar. Amelia ficou sem palavras diante da declaração, não tendo outra alternativa senão se entregar ao desejo que consumia a ambos. Eles se amaram ali mesmo, na sala de musica onde as melodias soavam em suas mentes, como se estivessem sendo tocadas diretamente de suas almas, levando-os ao clímax da paixão que dominava seus corpos. Os beijos de Thor faziam Amélia sentir-se nas nuvens, ao mesmo tempo em que o toque delicado de suas mãos, deixavam Thor à beira da loucura. Desejo carnal unido a um amor que não podia ser explicado por nenhum dos dois, apenas sentido e vivido. Depois de tudo, eles chegam ao ápice do desejo, tombando exaustos um do lado do outro. — Te amo, minha flor do deserto! — disse ele. — Te amo, meu rei nórdico!  
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