Treze

2165 Palavras
Madame de la Fontaine fez uma verdadeira transformação em Amélia, a pedido de Norabel. A moça escolheu para o jantar, um vestido simples, porém, elegante. O que deixou as duas mulheres mais velhas, admiradas com a postura da moça a quem julgava ser completamente sem classe. Em seguida, a mãe de Thor a levou até uma sapataria onde escolheram um modelo que combinava perfeitamente com o vestido e a bolsa de mão, escolhido para o jantar. — Você mostrou que tem um bom gosto, Amélia! — disse a sogra, fingindo de todas as formas, estar adorando a companhia da nora. — Que nada. Você é que é muito elegante e eu apenas me inspirei em você. — sorriu e, voltou sua atenção para um carro que, do qual de seu interior alguém parecia observá-las. — O que foi? Aconteceu alguma coisa, Amélia? — Norabel perguntou, estranhando a fixação da mulher mais nova, no veículo de luxo na cor preta, que estava estacionado do outro lado da rua. — O que vê? — Nada, senhora. Só tive a leve impressão de que alguém dentro daquele carro está nos observando! — disse ela, um tanto amedrontada. — É melhor a gente sair daqui. Há muitos casos de sequestros acontecendo e como você sabe, sou a mãe de um músico famoso e isso pode acender a ganância de alguns! — A senhora tem razão, melhor irmos embora. As duas mulheres entraram no carro e Norabel procurou não sair tão rápido do centro da cidade, ela sempre olhava através do retrovisor para ver se não estavam sendo seguidas. Ela pediu que Amélia também ficasse observando, mas a mulher mais baixa alegou que não viu mais o carro suspeito. *** Cerca de meia hora depois, as duas finalmente estavam na segurança da mansão de Thor e ao ver o nervosismo das duas, o Maestro foi logo inquirindo, com certa preocupação. — O que houve? Você duas estão pálidas, até parece que viram um fantasma! — disse o jovem Maestro, acariciando o rosto de Amelia. — Não foi bem um fantasma, mas uma assombração e tanto. — respondeu Norabel, com a respiração ofegante. — Nossa! — exclamou Thor. — Contem logo o que aconteceu, assim eu também fico nervoso! — Tudo bem, eu conto... — Amélia começou a falar. — Quando a gente estava saindo da sapataria, eu vi que havia um carro de luxo na cor preta, parado do outro lado da rua, mas por um breve momento eu pude ver o vidro da janela abaixar e levantar-se num curto espaço de tempo. Também observei que quem quer que fosse a pessoa ali dentro, estava vigiando a mim e a sua mãe! Thor ficou nervoso com a notícia e disse ter sido uma imprudência as duas terem saído sem a companhia de um segurança e que Tobias era pago para ser o motorista dele, não era à toa. Norabel disse que não estava acostumada a andar com alguém como sua babá e que sabia muito bem se defender. Já Amélia ficou parada só observando a discussão dos dois, mas ambos tinham razão, Norabel queria ser um pouco livre, só que Thor também estava certo ao dizer a Itália já não era mais o país tão seguro que um dia fora. A discussão acabou, com Norabel subindo para o quarto e Thor bastante chateado por ela e sua namorada terem estado sob a mira de alguém misterioso. — Por que nossos pais nunca nos ouvem? Por que! — vociferou ele, dando socos no ar. — Ela não pode ser tão imprudente, a ponto de querer sair sozinha pelas ruas de Roma. Essa cidade está muito perigosa! — agora, o rapaz se vira ara a namorada, que o escuta atentamente. — Escuta aqui, eu não quero que você saia desta casa sem estar acompanhada pelo Tobias, ou outro motorista, você me ouviu? — Claro, meu amor. Só que acho que você deve dar uma trégua para a sua mãe. — Amélia diz, tocando o rosto de Thor, com carinho. — Eu a entendo... e também entendo você. Sei o quanto a ama, mas ela sente falta de ser livre, sei lá! — Mais do que ela já é? Acho difícil. — Thor, bufando. — Mas tudo bem, chega de discussão por hoje. Me acompanha no jantar? — Claro, meu amor. Vou aproveitar também para te mostrar os presentes que a sua mãe me deu! — disse Amélia, com um largo sorriso. — Sério que ela te deu presentes? Minha mãe é mesmo uma figura... *** A hora do jantar sempre foi sagrada para a família Petroni e naquela noite fria de inverno, não poderia ser diferente. O cardápio não poderia ser mais sofisticado e sutil, ao mesmo tempo. Capretto al forno, aliado à uma deliciosa massa de Tagliarini a Bolonhesa, uma receita perfeita para noites longas e com baixas temperaturas. Como acompanhamento, um delicioso vinho Forte Ambrone Super ToscMaria IGT, um dos preferidos de Alberto Petroni. — Amanhã vamos ter um jantar com convidados ilustres. Não ouse faltar, Alberto. — comunicou Maria, já sabendo das escapadas do marido. — Você não me informou a respeito desse jantar, Maria. Por que só faz isso, agora? — o homem perguntou, limpando a boca com o guardanapo. — Estou dizendo agora, sim. E não me venha com a desculpa de que vai viajar a negócios, porque eu o conheço muito bem e sei quando está mentindo! — a mulher disse, num tom mais alterado. — Tá vendo, por que eu quase não fico nesta casa? — Alberto se enfurece e se levanta, tacando na mesa. — Nem bem nos sentamos à mesa e você já começa! Giuliana revirou os olhos, ao ver aquela cena. — Ih, qual é. Vocês não vão começar as briguinhas de vocês dois, juntos na hora do jantar, né? — a jovem reclamou. Alberto decidiu sentar-se novamente, já que a filha não tinha culpa alguma. — Então fala para esse cabeça dura do seu pai, que o jatar de amanhã vai ajudar e muito a filha dele. Fal, Giuliana! — novamente, Maria se mostra irritada. Aberto revira os olhos. Giuliana dá um suspiro profundo e segura a mão de seu pai, que está sentado à cabeceira da mesa. — Mãe, já chega, tá. — ela diz, em seguida olha para o pai. — A mamãe está certa, papai. Quem vai vir jantar aqui amanhã será Thor Gandersen e a mãe dele. Norabel Gandersen! — Norabel Gandersen? — o velho já vê o acontecido, de maneira diferente. — O por que não me disse logo que os convidados seriam tão ilustres? — Por que você nunca me deixa falar! — disse a mãe. — Eu? Você ficou maluca? — Você, sim senhor — Maria, relutou, mas o marido não deu o braço a torcer. — Madona mia, vai recomeçar de novo? — reclamou, Giuliana. Seus prosseguiram na discussão. — Pois você, Maria, ao invés de falar logo o que interessa, fica dando meia volta, mas eu já sei o porquê desse eu comportamento... — E o que é? Vamos, diga! — Você gosta de arranjar confusão, isso sim. Gosta de querer ver uma situação pender para a discussão ao invés de fazer o seu papel de dona de casa, que é o de manter a nossa família em paz! A fala de Alberto acabou deixando Maria sem argumentos. A matriarca se calou, levando timidamente a massa enrolada no garfo, à boca. Finalmente o senhor da família Petroni conseguiu desestabilizar o jeito mandão de sua esposa. — Soren irá vir nesse jantar também? — ele questionou, agora num ambiente mais tranquilo. — Não, apenas o Thor e eu vou aproveitar o momento para tentar reatar o nosso namoro — Giuliana falou, cheia de empolgação — segundo Norabel, ele tem perguntado por mim e comentado muito a meu respeito, acredito que temos grandes chances de voltar a namorar... quem sabe até ficarmos noivos! — Norabel é sábia, minha filha. — Maria comentou. — Pelo tempo que a conheço, se ela diz que você e Thor podem voltar, é porque algo concreto ela sabe, pois a senhora Gandersen não costuma apostar em cavalo perdedor! A rica família Petroni prosseguiu em seu jantar nada harmonioso, mas uma coisa todos ali naquela mesa tinha em comum, unir sua família com uma que fosse igualmente, ou, até mais rica do que eles. O que incluía sua filha se casar com um dos maiores e mais ricos músicos da Europa e também herdeiro de uma grande fortuna no Norte europeu. *** Já era noite no dia seguinte, uma bela e estrelada noite de sábado e o dia do tão esperado jantar na casa dos Petroni. Amélia se encontrava nervosa, pois ao longo da semana ela descobriu que iria justamente à casa da mesma mulher que a flagrou com Thor, quando ela recém havia chegado para trabalhar ali. Amélia recordava muito bem do olhar furioso com o qual Giuliana a encarou, mas Norabel disse que as coisas já estavam resolvidas entre ela e Thor e, que tão somente uma bela amizade restava no meio deles. A brasileira sentiu-se um pouco mais aliviada, mas, mesmo assim o frio na barriga era difícil de controlar. Na hora de saírem par o seu destino, apenas Amélia era aguardada por Thor e Norabel, o que deixou a mulher um tanto chateada. — Como pode demorar tanto assim? — resmungou. — Nem eu demoro tanto para me arrumar! — O que disse, mamãe? — perguntou-lhe, o filho. — Nada. É que a Amélia certamente vai querer causar uma boa impressão na casa dos Petroni, já que está demor... Antes que Norabel concluísse, Amélia surgiu na sala e ela deixou todos ali, boquiabertos. Ela vestia um vestido verde escuro de cetim com saia plissada e tendo a parte de cima em bloco de cores, com branco e verde escuro e detalhes com botões sapo na cor dourada. Ela usava uma bolsa de alça curta, bastante discreta na cor bege claro e scarpin da mesma cor da bolsa. Os cabelos ondulados eram soltos, o que deu um ar ainda mais elegante ao estilo escolhido, maquiagem bastante natural e brincos nada chamativos. No pescoço, Amélia usava a correntinha com o crucifixo que recebera de herança de sua avó. — Amélia. Como está elegante? — disse Norabel, surpresa ao ver que Amélia não seguiu seus conselhos de moda. — Pensei que fosse usar o vermelho. — Olha, aquele vestido é muito lindo mesmo, minha sogra, mas eu não me senti bem dentro dele. — respondeu a jovem, com temendo ter desagradado Norabel. — Nada disso — disse a mulher mais velha —, ao decidir optar pelo vestido que mais a agradou, mostrou-me que você tem personalidade própria, algo que eu costumo admirar nas pessoas, Amélia. E você está divinamente bela, simples, porém elegante. Uma verdadeira dama! Thor também elogiou a namorada e disse estar surpreso em saber que Amélia tinha tanto bom gosto, o que deixou a brasileira bastante feliz. Norabel então perguntou se eles já podiam ir, pois disse não ser elegante chegarem tão atrasados. Amélia se desculpou, mas Thor disse que eles ainda estavam cerca de trinta minutos adiantados e assim, os três partiram rumo à casa da família Petroni. *** Meia hora depois, Thor, sua mãe e Amélia, chegaram à tão sofisticada mansão Petroni. Tudo ali era muito belo e caro, embora o jardim já se encontrava ressecado pelo frio do inverno que ficava a cada ia mais intenso, ainda assim, as estátuas e fontes ali existentes, davam um ar de filme de época ao local. Tudo aquilo deixou Amélia deslumbrada, a ponto de esquecer por um breve momento, quem de fato residia ali. Eles saíram do carro devidamente agasalhados com casacos, pois o frio era grande e logo estavam na entrada da casa principal, sendo logo recebidos pelos anfitriões. Só que Maria foi pega de surpresa, ao ver uma jovem de beleza grandiosa, de braços dados com Thor Gandersen. — Sejam bem-vindos, meus amigos e minha amiga. — disse a anfitriã, sem entender a presença de Amélia ali. — Vamos entrar, pois no interior da casa está mais quentinho. Norabel, assim como os demais, assentiu e adentrou à casa. Eles depositaram seus casacos no mancebo e seguiram por um pequeno corredor que o levou até a sala principal. Ali estava Giuliana na companhia de Carina. Ela estava deslumbrante, mas seu semblante descaiu ao ver seu ex namorado acompanhado por Amélia. Nada além de um suspiro, veio da jovem de cabelos loiros e o pai, Alberto Petroni, de igual maneira se viu confuso, já que tudo indicava o oposto que fora dito por Giuliana, na noite anterior. Ao ver a morena de braços dados com o homem a quem pretendia conquistar, Giuliana, num súbito ataque de descontrole, jogou a taça de vinho que se encontrava em sua mão, conta a parede e logo em seguida subiu às escadas as pressas, deixando Thor e Amélia, extasiados.
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