A conversa entre Norabel Soren parecia não ter mais fim. A mulher contou tudo o que sabia, ou, pensava que sabia para, a respeito da pretendente de seu filho, o que deixou o senhor da família Gandersen bastante irritado.
— “Mas aonde o Thor pensa que está com a cabeça, ao expor a nossa família à uma barbaridade dessas?” — questionou, unicamente pelo fato de Amélia não pertencer à sua classe social. — Tem ideia de como isso pode prejudicar a imagem da nossa família?
— É por isso que estou te ligando, Soren. E ainda por cima, a empregadinha não tem o menor senso do que significa postura e classe! — reclamou, Norabel, em um tom bastante debochado.
Marido e mulher conversaram por mais um período e os mesmo discutiram a respeito do plano ao qual envolvia Giuliana, sendo que este fora elabora integralmente por Norabel. Soren elogiou a mulher, dizendo que ela por isso ela era a senhora Gandersen e que era de grade valia para que a família permanecesse de pé.
***
Enquanto isso, Thor foi até o quarto de Amélia, onde a jovem se encontrava descansando. O rapaz, antes de bater, ficou parado por alguns momentos a ouvir o cantarolar vindo do interior do cômodo, o que lhe chamou a atenção.
— Então ela canta? — cochichou para si mesmo, seguindo a apreciar a doce e singela melodia, então decidiu por fim bater.
— Já vai! — Amélia gritou do interior de seu quarto, enquanto vestia a blusa.
Logo que abriu, ela deu de cara com Thor e um lindo sorriso nasceu em seu rosto.
— Não sabia que cantava. — ele diz. — E olha, tem uma bela voz.
— Que é isso, eu só canto para as paredes. — disse ela.
— Pois saiba que as paredes têm o privilégio de assistirem de camarote a um sofisticado concerto. — Thor sorri, enquanto olha para Amélia. Depois de o sorriso transformar-se em uma expressão mais séria, ele encara a pequena mulher e deposita um beijo em seus lábios, se afasta e diz — cada dia que assa eu tenho mais certeza de que te amo mais!
— Eu também te amo. As vezes penso que estou vivendo um sonho, estando tão perto de você, nos seus braços. — a moça diz. — Sonho esse que não quero que tenha fim, nunca!
Os dois voltam a se entregarem à magia do beijo de amor, até que, quase sem perceberem, ambos já estão deitados sobre a cama e enquanto o sangue fervia em suas veias por causa do desejo que os consumia, eles ouvem alguém bater à porta.
— Quem será? — ela perguntou. — Lucia! — gritou, pensando ser a governanta.
— Se for a Lucia, lamento, mas ela vai ter de encontrar outra pessoa para ajudá-la! — Thor comentou, ao mesmo tempo em que sorria.
Mas a alegria do casal durou bem pouco, logo que Amélia abriu a porta. O sorriso o rosto da jovem se desfez assim que ficou diante de Norabel, que a olhava dos pés à cabeça, ao mesmo tempo em que observava Thor ao fundo e sentado sobre a cama.
— Mae! — exclamou o rapaz, surpreso com a presença de Norabel, no quarto de Amélia. — O que a senhora faz aqui?
A mãe deu um suspiro profundo, mas deu as costas ao casal, sem nada a dizer. Tal atitude levou Thor a imaginar que sua mãe certamente estava ali para tentar intimidar a brasileira, só que em contrapartida, ele também pensou que pudesse estar cometendo um equívoco e que Norabel estivesse ali apenas para pedir algo a Amélia.
— Minha nossa! — a brasileira dos olhos verdes, falou sentando-se sobre a cama, aparentando estar bastante nervosa. — Sua Mãe veio ao meu quarto e o encontra aqui? Que vergonha!
— Ei — Thor falou, acariciando o rosto de Amélia, por entre as suas mãos. — Não precisa ficar assim. Certamente a dona Norabel só queria conversar com você para te pedir algo.
— Eu espero que sim, pois ela não me olhou com cara de bons amigos, não! — disse a moça.
— Olha, hoje eu quase falei com ela sobre nós, mas estava com dores de cabeça. A minha mãe pode ser assim durona, mas não é má como o meu pai, isso eu te garanto!
Nervosa, mas confiante, Amélia decide confiar em seu amado e o abraça. Ela confirma que acredita ser aceita por Norabel e que será protegida pelo homem a quem ama.
***
De volta ao seu quarto, Norabel sentou-se sobre a cama, sem dizer absolutamente nada. Mesmo estando sozinha, a mulher tinha o costume de conversar só, o que em muitos momentos fez seu marido questionar se a mesma não estava ficando louca. Após alguns momentos mergulhando no mais profundo de seus pensamentos, Norabel suspirou, pegou o telefone celular e fez uma ligação. O contato? Giuliana Petrone.
— “Sogra querida. Que receber sua ligação!” — a loira, toda eufórica do outro lado da linha, respondeu.
— Você conseguiu aquilo que te pedi? — Norabel pergunta, sem nem ao menos cumprimentar Giuliana.
— “Sim, mas... por que?”
— Quero que mande para cá, mas peça para não enviarem como presente e sim, como uma compra comum!
— “E por que isso, sogra? Eu queria tato que o meu Thor soubesse que fui eu quem o presenteou!”
— Só que or hora, Giuliana, você vai fazer como eu disse a você que fizesse. Ou vai querer pôr tudo a perder?
— “Claro que não, sogra. Pode deixar, a peça vai sem etiqueta de presente!”
Norabel abriu um sorriso um tanto maléfico. Coisa boa ela não estava aprontando, ao lado de sua ex nora.
***
Giuliana desligava o celular e depois disso ela o segurou com as duas mãos, enquanto expressava estar satisfeita com algo. Isso fora percebido por Maria, sua mãe, que descendo as escadas, notou o comportamento chamativo de Giuliana.
— Nossa, pela sua cara de felicidade e satisfação, a conversa deve ter sido boa, hein? — Maria falou, aproximando-se da filha.
— A senhora ouviu a minha conversa? Mamãe! — exclamou Giuliana. — Que coisa mais feia, ficar ouvindo a conversa dos outros!
A mulher mais velha sorri, em seguida senta-se na ponta do sofá.
— Não estava ouvindo conversa de ninguém, pelo não, não toda. Acontece é que eu cheguei e te vi toda satisfeita e com o celular na mão. E você sabe que não pode engMariar à mulher que te carregou por 9 meses no ventre! — concluiu Maria. Giuliana revirou os olhos, ouvindo sua mãe falar.
— Tá, tá bom vai! — disse a jovem, um tanto irritada. — Norabel me disse que a senhora a convidou para vir jantar aqui no sábado. Por que não havia me avisado?
— E eu lá ia adivinhar que você estaria aqui? — a mãe perguntou, apanhando uma revista de modas, na mesa de centro.
— Pois deveria ter me avisado, sim senhora, dona Maria Petroni. — disse a moça, sentando-se ao lado de sua mãe. — A senhora mais do que ninguém, sabe muito bem da minha paixão pelo Thor e ele vai comparecer a esse jantar.
Maria olhou para Giuliana, admirada or ela estar reclamando de não ter sido avisada do tal jantar.
— Olha aqui, Giuliana. Filha, eu não consigo entender essa sua cabecinha linda, meu amor. Lembra de que dois dias atrás você chegou aqui aos prantos e dizendo que sua vida havia acabado por que o Thor tinha terminado tudo com você? — a mãe da jovem perguntou, acariciando um cacho dos cabelos de Giuliana. — Qual a lógica de você querer estar na mesma sala e ainda por cima, sentada à mesma mesa que o rapaz que te deu um fora?
Giuliana voltou-se para a sua mãe, com indagação.
— Da mesma forma com a qual a senhora convidou esse mesmo homem, que aliás, partiu o coração da sua filhinha em mil pedaços, para vir jantar em nossa casa e sentar-se à nossa mesa. — respondeu a moça de cabelos loiros. — E tem mais... eu vou reconquistar o Thor. — Maria arregalou os olhos. — A senhora duvida? Pois aguarde e verás!
Maia encarou sua filha e, balançava a cabeça ao mesmo tempo, enquanto observava Giuliana fazer planos infinitos a respeito do seu casamento e que usaria um vestido de noiva que seria confeccionado pelo mais famoso estilista da Europa. Ela também acabou revelando que teria uma ajuda de peso para sair vencedora nessa conquista e que essa ajuda não era ninguém menos do Norabel Gandersen, sua futura sogra.
***
A noite caiu e Thor decidiu por fim, abrir o jogo com sua mãe a respeito de seu romance com Amélia. Na hora do jantar, o rapaz de cabelos cacheados, disse a Norabel que tinha algo sério para falar com ela, mas como sempre, a mulher mais velha inventou novamente a desculpa de que estava sentindo dores de cabeça, o que não foi o suficiente para que Thor a adiasse. Lucia estava ao lado da mesa, enquanto os patrões jantavam, mas foi comunicada a sair, deixado mãe e filho, a sós.
— Nos dê licença, Lucia. Por favor! — Thor, sendo cordial e educado.
Lucia assentiu e sinalizou para que as demais meninas saíssem da sala. Amélia não se encontrava ali, pois Thor já havia contado a ela de que iria falar com sua mãe, naquela mesma noite.
— Seja lá o que tenha a me dizer, Thor, diga logo, pois eu não estou em sentindo bem. — disse Norabel, levado uma das mãos à têmpora esquerda.
O Maestro suspirou profundamente e então começou a falar.
— Tudo bem, eu serei breve. Quero comunicar que estou apaixonado e que pretendo me casar em breve!
Um lúgubre silêncio se formou entre os dois, mas surpreendentemente, Norabel abriu um sorriso e ao levantar-se de seu lugar, foi até o filho e o abraçou.
— Então era isso? — perguntou. Thor ficou em entender. — Você me faz esse mistério todo só para me dizer que está apaixonado? Filho, não sabe o quanto eu estou feliz por você, meu amor! — a mãe então, beija o rosto do filho, com carinho.
— Mas, mãe... eu ainda nem disse com quem iriei me casar...
— E precisa? — disse ela, como quem já o soubesse. — Eu vi você aquela moça que trabalha aqui, juntos outro dia. E te conhecendo como eu conheço, acredito que não iria ao quarto de uma de suas empregadas sem que algo existisse entre vocês. E algo ´sério, pois não é de sua índole engMariar moças inocentes!
— Não mesmo, mãe. Eu só fiquei receoso de que a senhora não aceitasse a Amélia. — revelou Thor.
— Filho, você sabe muito bem que a sua mãe também vem de origem humilde. Que moral eu teria para repudiar essa moça? Só estou chateada por terem escondido isso de mim, sendo que já deveria ter me contado.
— Perdão, mãe. Mas a senhora quer falar com a Amélia?
— Mas é claro!
Thor sentiu um alívio em seu coração por saber que Norabel não iria se opor ao se romance com a mulher a quem escolhera para ser sua esposa. Ele ainda nem havia feito o pedido a Amélia, mas já tinha total convicção de sua vontade, desde que ficou com ela primeira vez. Thor foi até o quarto de Amélia e a trouxe até Norabel. A mulher então começou a encenar uma figura angelical jamais vista por Lucia, que concordando com o patrão, não conseguiu entender aquela súbita mudança. Norabel disse a Amélia, estar feliz por seu relacionamento com o seu filho e que havia mesmo notado uma mudança nele, para melhor. Ela também pediu à jovem que não ficasse acanhada quanto a ser de origem humilde, já que ela também veio de uma família da classe média de Oslo. O esforço de Norabel para mostrar ser uma pessoa do bem, havia mesmo valido à pena, pois a brasileira acabou se convencendo de que sua futura sogra era de fato uma boa pessoa, a mulher mais velha também contou, à sua maneira, como havia conhecido Lucia e como elas foram grandes amigas no passado. Aquilo levou Amélia a duvidar se de fato Lucia havia de contado a verdade a respeito do que aconteceu, sendo que o próprio Thor lhe afirmou que a mãe era o oposto de seu pai e além de bondosa, era também compreensiva, estourada, às vezes, mas compassiva com quem realmente precisava. Após a longa conversa, Norabel enfim pediu licença e dessa vez, Thor a concedeu. Ela disse estar com muita dor de cabeça, mas que no dia seguinte, tinha muito o que conversar com sua nora. Amélia adorou a sogra, uma pessoa totalmente diferente do que ela havia imaginado.
— Legal, sua mãe, amor! — disse a jovem, com um sorriso de orelha a orelha.
***
Já em seu quarto, Norabel retirou a máscara.
— Eu só espero que você saiba o que está fazendo, Soren. Porque se esse seu plano falhar, eu juro que te farei pagar por me fazer passar por tola!
Uma semana depois
Faltando apenas um dia para o tão esperado jantar na casa dos Petroni, Norabel chegou até Amélia e comunicou que, já que era a escolhida de Thor, não seria delicado deixa-lo ir sozinho a um jantar formal e que ficaria honrada a apresenta-la para seus amigos.
— Mas eu não tenho roupa para esse tipo de cerimônia, senhora! — disse a jovem, um tanto sem jeito.
— Não é cerimônia, Amélia, mas eu entendo que ainda não está muito familiarizada com o nosso idioma. É só um simples jantar, não precisa muita formalidade, mas para te ajudar, vamos até uma loja comprar um vestido novo para você, está bem? — Norabel, fazendo muito bem o papel de amiga.
— Não precisa se preocupar, senhora Gandersen...
— E nada de senhora Gandersen, você é a namorada do meu filho e por tanto, minha amiga. E não vai ser trabalho algum, agora vamos!
As duas saíram e foram até a loja de Madame de la Fontaine. A senhora, que por sua vez, era cheia de alegria, as recebeu com um largo sorriso em seu rosto.
— Mas a que devo a hora de ter Norabel Gandersen em minha humilde loja? — as duas trocaram beijinhos na face.
— Vim por ela. Deixe-a como a uma rainha..