Onze

2242 Palavras
O dia amanheceu e tudo parecia bem normal. Antes de ir para o estúdio, Thor passou pela cozinha onde Amélia trabalhava ao lado de outra funcionária de sua casa, ele deu bom dia, mas ela m*l respondeu. Tal atitude fez com que acendesse um alerta no rapaz. “O que será que aconteceu?” Ele pensou, ao mesmo tempo em que se aproximou da brasileira. — Algum problema, senhorita Alves? — inquiriu, pegando na pequena e delicada mão. — Não, senhor Gandersen. — ela falou disfarçando, poucos sabiam de seu romance com o patrão. — Posso ajudá-lo em alguma coisa? — Poderia ir até a sala de música, por favor? Tenho algo a lhe dizer! Amélia assentiu e seguiu logo a frente de seu patrão até o local determinado por ele. La chegando, os dois, m*l se falaram e o homem de cabelos loiros a agarrou pela cintura, sufocando-a com um longo e intenso beijo. Amélia jogou o ano de limpeza no chão, passando os braços em volta do pescoço de seu amor, grande era a falta que sentia de Thor e estar longe dele a martirizava. — Não sabe o quanto estava louco para fazer isso. — ele dizia, em meios aos beijos e abraços. — Eu também. — ele concordou, enquanto ele beijava seu pescoço, mas Amélia recordou da conversa que ouvira entre Thor e Norabel, na noite anterior. — Espera — afastou-se dele, devagar. — O que foi? Você não me quer? — Tor perguntou, desconfiado. — Aconteceu alguma coisa? Amélia se afastou um pouco mais, até ficar ao lado do piano. Ela se escorou no instrumento e olhou de volta para Thor. — É que... desde que sua mãe chegou, a gente nunca conversou com ela, juntos. — falou, baixando as vistas. — Quando vai dizer a ela que somos namorados? Nesse momento, um peso pairou sobe os ombros do rapaz, deixando-o um tanto pressionado, pelo menos era assim que ele se sentiu. Bufou, com as mãos nos bolsos, então voltou-se à mulher mais baixa. — Olha, amor. Eu sei que você deve estar ansiosa, mas eu garanto a você que logo as coisas vão se resolverem, tá? — aproximou-se dela, segurando o fino rosto por entre suas mãos. Amélia respondeu com um sorriso amarelo, ela queria muito acreditar no homem a quem amava, mas também queria ter a certeza de que ele não era dominado pela mulher que o pôs no mundo. Dado ao exemplo de Lucia, Amélia sabia o quanto a influência de Norabel poderia se nociva ao seu relacionamento, o que causaria muito sofrimento para ambos. — Tudo bem, eu não quero te pressionar. — falou e o abraçou. Deu um profundo suspiro, enquanto sentia as batidas do coração de seu amado. *** Giuliana estava com sua amiga Carina e as duas se preparavam para dar um passeio pela cidade. O final do outono anunciava um inverno bem rigoroso naquele ano, mas para duas mulheres cujo prazer principal estava em renovar o guarda-roupas a cada mudança de estação, aquela era uma oportunidade única de montar um look de deixar qualquer uma, babando. — Não vejo a hora de ver as novidades na loja de Madame Gilda de la Fontaine. — comentou Carina, cheia de empolgação. — E você espera o que mais, além de únicas? — completou Giuliana. — Madame de la Fontaine é conhecida em toda Roma por ser a estilista dos famosos por aqui. Agora vamos, pois eu não quero correr o risco de perder alguma peça para outra dondoca. Carina sorriu. Ela não tinha tanto dinheiro quanto Giuliana, mas contava com sua bajulação para conseguir algo de valor, da amiga. Mas os planos das duas, por um momento, pareceu ir pelo ralo assim que ouviram a campainha tocar. — Quem será? — indagou Giuliana, enquanto uma das empregadas da casa ia até a porta para receber a visita. — Não estamos esperando ninguém! Carina deu de ombros, enquanto a serviçal entrou na sala. — Norabel! — Giuliana disse, com surpresa. — A que devo a honra de sua visita? — Parece que estão se preparando para sair. Espero não estar atrapalhando vocês duas, mas tenho algo importante a lhe contar! — disse a mãe de Thor, demonstrando estar falando sério. — Nos dá licença, Carina? — perguntou Giuliana. — Vou buscar o batom. Vai que precisa retocar... Assim que teve certeza de que Carina havia subido às escadas, Norabel Giuliana pela mão e a guiou até o sofá, onde as duas se sentaram, uma do lado e quase de frente para a outra. Ali, Norabel contou tudo o que viu para a ex nora, dos momentos de ternura entre Thor e Amélia no jardim e como precisaria da ajuda da mulher de cabelos loiros para afastar seu filho da empregada estrangeira. Giuliana ficou abalada por descobrir que Thor estava mesmo apaixonado pela empregada. — Eu confesso a você, Norabel, que ouvir isso me dói muito, mas recentemente eu estive com o Thor e ao que me pareceu, ele não sente mais nada por mim! — disse a jovem, levantando-se de repente, apertando mutuamente as duas mãos. — E você acreditou nisso? — a mulher mais velha, aproximando-se da mais nova por trás, contou algo que a deixou mais esperançosa. — Ainda ontem eu estive conversando com ele e meu menino me falou de você... de uma forma bastante carinhosa, sabia? — É sério, senhora Gandersen? — Giuliana virou-se para Norabel e já um sorriso nasceu em seu rosto. — Mas ele me disse que continuaríamos sendo amigos. Embora a vontade que sinto é de dar uma boa lição naquela mulherzinha! — Então — prosseguiu Norabel — eu conversei com a sua mãe, recentemente e combinamos de jantarmos juntos, sua família e a minha. Nesse caso, Thor e eu. — E ele vai vir? — Claro que sim. Inclusive disse que terá muito gosto de confraternizar com você novamente. — Agora Norabel segura nas mãos de Giuliana. — Não desista, menina. Eu mesma faço questão de te ajudar a conquistar o Thor novamente, agora você vai fazer tudo o que eu disser... Assim que terminou a conversa, Norabel se despediu de Giuliana e a mesma já parecia bem mais feliz e não era por causa das compras. Carina, vendo que Norabel já havia partido, desceu até a sala. — Puxa, eu pensei que ela não fosse mais embora. — reclamou a mulher de cabelos ruivos. — Espero que isso não nos atrase para o lançamento de Madame de la Fontaine. — E o que isso tem demais, Carina? — Giuliana falou, deixando a amiga sem entender absolutamente nada. — Como assim? Se você mesma disse que isso era tudo o que mais queria na vida... pelo menos nesse inverno! — a moça idealizou. Giuliana disse ter recebido uma notícia muito boa, para deixar que algumas peças a fizesse ficar estressada, então pediu que a amiga a acompanhasse até uma loja que não tinha absolutamente nada a ver com o que as duas haviam programado horas antes. Carina seguiu sem entender o real motivo para a mudança de comportamento tão repentina de Giuliana e pediu que a mesma abrisse o jogo com ela, mas a loira disse que por enquanto o seu plano e de Norabel, permaneceria em segredo, mas que quando menos esperasse, Carina seria a primeira a saber. A amiga concordou e seguiu a mulher mais rica até uma loja de artigos masculinos e a expressão de satisfação chagava a brilhar em seu rosto. — Me aguarde, Thor... pois você vai voltar pra mim, ah se vai! *** Já perto da hora do almoço, Thor estava na sala de música tocando o seu piano, quando Norabel juntou-se a ele. Imediatamente o rapaz parou de tocar, encerrando a melodia com um som mais grave. — Por que parou? — perguntou ela. — Estava tão linda. Como se chama essa melodia? — Chama-se: A Flor do Deserto. A compus recentemente e ainda faltam algumas lacunas a serem preenchidas. — respondeu, fechando a tampa do teclado. — Mas me diga... onde esteve essa manhã? Esperava que fossemos tomar café juntos! — Há, meu amor. Perdoe sua mãe, mas fui até a alfaiataria do Giuseppe, para encomendar um terno para você! — ela responde, meio desconfiada. — E para que isso? Tenho tantos ternos, mãe. Não precisava fazer isso! — Thor respondeu achando estranho. — Não se lembra de que vamos jantar na casa dos Petroni? Eu quero te ver lindo e radiante qual um anjo renascentista, meu filho lindo! — Norabel falou, acariciando os cabelos cacheados de Thor. O rapaz apenas suspirou e disse que ela poderia fazer o que quisesse. Depois ele aproveitou a companhia de sua mãe durante o almoço para dizer que gostaria de ter uma conversa com ela, uma conversa que teria a ver com os rumos que sua vida tomaria dali por diante. Como toda mãe que se preze, Norabel logo percebeu que o filho queria falar a respeito de Amélia e decidiu mudar de assunto. — Amor, será que a gente poderia deixar essa conversa para depois? — disse ela, com a mão nas têmporas. — Estou com um pouco de dor de cabeça, acho que foi o cheiro de tecido. Vou para o meu quarto! — Tudo bem, mãe. Nossa conversa pode perfeitamente esperar. — disse ele. Thor bufou, enquanto sentando sozinho à mesa, mas logo teve a companhia de Lucia. — Algum problema com a Norabel? — Não, só está com um pouco de dor de cabeça. Justamente quando eu ia contar a respeito do meu namoro com a Amélia! — disse ele, parecendo estar arrependido. — Olha, não é querendo ser intrometida, longe de mim. Afinal, só sou uma empregada. — Fala logo, Lucia. Você sabe que para mim, não é meramente uma empregada e que adoro ouvir os seus conselhos... — Bom, quer saber mesmo o que eu acho? — Sim... — Acho que você deveria ter aberto o jogo com a sua mãe no mesmo dia em que ela chegou de Oslo. — a mulher mais velha, sendo franca. — Thor, eu conheço a sua mãe desde que éramos adolescentes e se tem algo que eu sei é que ela não é boba. — O que quer dizer com isso, Lucia? — Que não adianta você querer contar para a sua mãe algo que ela certamente já sabe. Você perdeu o elemento surpresa, Thor e isso pode ser um grande problema! — respondeu, seu rosto apresentava sinais de preocupação. — Por que acha que ela não quis te ouvir e inventou essa “dor de cabeça”? — Então, você acha que ela já sabe? — Com certeza! — diz a mulher. — E tem mais, acredito que Norabel já esteja tramando algo para que esse seu namoro com a Amélia termine o quanto antes. Você conhece a sua mãe e ao seu pai também. Sabe que os dois não toleram a diversidade, muito menos que ela esteja tão dentro do meio deles! Thor passa a olhar a esmo, enquanto ouve os conselhos de Lucia. O rapaz então cai na real e percebe que cometera um grande erro ao esconder por tanto tempo o seu relacionamento com a brasileira, o que poderia vir a fazer a mulher da sua vida sofre e muito, num futuro próximo. — É, você está certa, Lu. — afirmou o jovem. — Mas eu não vou permitir que nem a minha mãe e nem ninguém mais interfira na minha vida amorosa, nem que para isso eu tenha que mandá-la ir embora da minha casa! Lucia abriu um singelo sorriso ao ver a postura de defesa que seu patrão havia tomado em relação à possível interferência de Norabel no relacionamento entre ele e Amélia. Mas ao sentir falta da brasileira por ali, Thor perguntou sobre o seu paradeiro e Lucia disse ter pedido à jovem que acompanhasse Kelly até o mercado de especiarias turcas, pois estava faltando alguns temperos. Thor assentiu com um sorriso e pediu que a mulher à sua frente lhe trouxesse outro prato, um mais quente, pois àquela altura a comida que comia já havia esfriado. *** Em seu quarto, Norabel entrou, sentindo muita raiva de Amélia. — Aquela zinha. Certamente ele queria falar sobre ela, mas eu não vou nem sequer deixar que comece. — falou indignada, a si mesma. — Tenho que agir mais rápido, pois essa mulher já mostrou ser perigosa. Norabel foi até a penteadeira e de dentro da bolsa que estava sobre a mesma, retirou o celular e fez uma ligação. Após algumas tentativas, finalmente a pessoa do outro lado da linha, atendeu. — Puxa. Será que não poderia ter atendido mais rápido? — perguntou, bastante irritada. — “Eu não poderia deixar um homem com o tórax aberto, só para atender você, Norabel. O que foi? Quebrou uma unha?” A pessoa para quem Norabel havia ligado era justamente aquela de quem seu filho queria distância, Soren Gandersen, seu pai. — Não seja cínico, está acontecendo algo muito sério por aqui e acredito que vou precisar de sua ajuda. — ela ouviu um suspiro, como de sarcasmo, do outro lado. — E nem me venha com esse seu sarcasmo barato, Soren, pois trata-se do seu filho! — “O que ele aprontou dessa vez?” — Ele não aprontou, ainda, mas acredito que se não agirmos logo, ele vai aprontar...  
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