Dez

2126 Palavras
Amélia subiu s escadas toda feliz em direção ao quarto de Thor. Ela iria pegar uma peça de roupa que havia esquecido lá, da última vez em que esteve com ele. Seguindo as orientações de Lucia, a jovem não queria bater de frente com a sogra, não antes que o namorado preparasse terreno para isso. Só que, quando a moça pisou o pé no acesso que dava ao corredor de onde ficavam os quartos principais, ela imediatamente deu de cara com Norabel, que a olhou com desdém, dos pés à cabeça. — Precisa de alguma coisa, senhora Gandersen. — de certo que foi uma surpresa vê-la ali, já que para ela, Norabel estava visitando uma amiga. A mulher mais velha não respondeu de imediato, ela prosseguiu com os braços cruzados, sendo que uma das mãos estava encostada ao queixo, um gesto de quem pretende algo, mas que decide manter o mistério. — Se for algo no quarto, irei arrumar agora mesmo... — Não se faça de sonsa, garota! — o tom de voz da mulher mais velha, soou de modo agressivo, para Amélia. Norabel começaria ali o seu primeiro ataque. — Me responda uma coisa, menina. O que a fez pensar que um homem do porte do meu filho, se interessaria por uma mera empregadinha feito você? Amélia deu um suspiro diante da pergunta presunçosa e ficou calada. Os olhos de Norabel mostravam uma pessoa completamente equilibrada e que sabia exatamente o que estava fazendo. — Não estou entendendo, senhora Gandersen. — a jovem falou, um tanto confusa. — Eu estava certa, você é mesmo muito sonsa, Amélia Alves. — respondeu, deixando os braços caírem, relaxando os ombros. — Eu vi você agarrada ao meu filho, no jardim. Meu Deus, como você é boba, menina. Você não é a primeira e nem será a última com quem o meu filho irá brincar. Para ele, você não passa de um simples assa-temo! — Mentira! — exclamou, Amélia. — Ah, então você acha que é mentira? Por que? Ele disse que você foi a única que mexeu com ele em vários sentidos? — Amélia se calou diante da retórica. — Pobre menina, mas vou te dar um aviso... é melhor acabar logo com esse teatro, caso contrário vai saber quem eu sou, de verdade! Norabel virou as costas assim que terminou de falar. Amélia sentiu-se anestesiada, ela não sabia o que pensar, ou, o que fazer mediante ao comportamento agressivo e ameaçador de Norabel. Era incrível como as coisas estavam acontecendo rápido, em como a mãe parecia não se importar com nada além de seus próprios interesses, então ela desviou seu caminho e foi direto ara o seu quarto. Ali, a moça de cabelos ondulados começou a pensar também nas palavras de Lucia, de como Norabel poderia ser c***l quando queira algo, mas que ela não deveria desistir do amor de Thor, foi quando ouviu baterem sua porta. — Quem é? — perguntou, limpando as poucas lágrimas, de seus olhos. — Sou eu, Amélia. Preciso falar com você! — era Lucia, então a jovem a pediu que entrasse. — Ziza me contou que te viu conversando com a Norabel. O que aquela cobra falou pra você? — Nada demais, que eu devo me afastar do filho dela, ou, saberei do que ela é capaz! — Mulher arrogante e infeliz! — Lucia diz, bufando. O que levou Amelia a querer sMariar uma curiosidade. — Lucia, desde quando você comentou a respeito da Norabel pela primeira vez, eu notei que tem algo entre vocês duas. — indagou a jovem. — Do que você está falando, Amélia. Não tem nada entre mim e a cobra, a não ser uma antipatia muito grande. — respondeu a mulher mais velha, meio sem jeito. — Não é so isso, eu sinto. Lucia, o que a Norabel te disse ontem, ela te olhou com raiva, como alguém que deseja vingança... Lucia ficou sem argumentos diante da dúvida de Amélia, ela então suspirou profundamente enchendo o diafragma e fechou os olhos. A brasileira pôde sentir que certa aflição surgia dentro de Lucia e que a hipótese de antipatia havia caído por terra. — Isso foi há muito tempo, quando o Thor ainda nem tinha nascido. Norabel e eu éramos grandes amigas e estudávamos juntas, até que ambas conhecemos Soren Gandersen e nossas vidas se transformou num verdadeiro inferno... Lucia pediu que Amélia se sentasse ao lado dela e começou a contar sua história. Ela e a mãe de Thor estudavam na mesma escola de segundo grau, em Oslo e ambas tinham os mesmos sonhos. Se casarem e terem cada uma um casal de filhos. No entanto, as duas amigas se viram encantadas por um rapaz que estava ali no propósito de engaranhar mais conhecimento para seus estudos, ele seria professor de biologia. No decorrer dos dias, Norabel e Lucia descobriram que esse belo rapaz se tratava de Soren Gandersen, o único filho de um famoso médico cirurgião e dono de um dos maiores hospitais da cidade. O tempo foi passando e o jovem Soren cada vez mais se aproximava das duas, porém, ele se mostrou ficar encantado por Lucia e logo os dois começaram a namorar. E aconteceu que, Lucia, muito apaixonada por Soren, não se deu conta de que a inveja começava a crescer no coração de Norabel e a mesma procurou de todas as formas, um meio para separar a “amiga” do homem que poderia transformar a sua vida para sempre. Só que todas as tentativas de Norabel fracassaram, ela bem que tentou por diversas vezes, seduzir o jovem médico, mas todas, sem sucesso. Até que num belo dia de verão, Lucia recebeu um recado de Soren ara que ela o encontrasse no lugar de sempre, um apartamento onde os dois costumavam se encontrar desde que começaram o seu romance. Radiante e cheia de felicidade, Lucia saiu para encontrar o seu amor, mas ao chegar ali, se deparou com a pior cena de sua vida. — Mas o que significa isso, Soren? Ela não quis acreditar de imediato, que estava vendo o seu namorado, sem roupas e deitado ao lado de sua melhor amiga. Mesmo o comportamento de Soren não estando normal, o nervosismo era muito grande em Lucia para que observasse tal detalhe, ela apenas ouvia a justificativa fajuta de Norabel em dizer que tinha sido seduzida pelo médico e que estava arrependida de ter aceitado suas invertidas. Lucia deixou o apartamento e depois disto, se mudou para a Itália onde se casou pouco tempo depois, mas infelizmente, seu jovem marido acabou falecendo, vítima de um acidente. Mas a história de Soren e Lucia, não terminava ali. Dois anos depois, Soren e a mulher de cabelos curtos, acabaram se reencontrando em Roma, ela porém, já se encontrava viúva. Soren contou a ela que Norabel disse a ele que estava grávida e para evitar um escândalo, os dois acabaram se casando dois meses depois que ela, Lucia, foi embora. Entre uma conversa e outra, os dois acabaram se entregando à paixão que ainda era grande em seus corações e passaram a noite juntos. Mas no dia seguinte, os dois são surpreendidos por Norabel, que os flagrou num quarto de hotel e para a surpresa da antiga amiga de Lucia, Soren confessou diante das duas que ainda sentia um grande amor pela italiMaria, o que deixou sua esposa furiosa. Depois de ele ter saído do quarto, Lucia decidiu que nunca mais iria procura-lo, até que muitos anos depois e ao que tudo indicava, por obra do destino, ela acabou encontrando o filho do homem a quem tanto amou e passou a trabalhar para o rapaz. — E hoje eu estou aqui, como você mesma pode ver! — concluiu. — Puxa, vida, Lucia. Mas por que você não lutou pelo Soren? — perguntou Amélia. — De que iria adiantar? Ele já estava muito diferente do Soren que um dia eu conheci. O rapaz doce e gentil, tornou-se um homem fútil, sombrio e que só pensa em dinheiro. Mas quando eu vi Thor, logo recordei de como o pai dele era, antes de tudo isso acontecer. — E ele sabe? O Thor? — Sabe, o que? — a mulher de cabelos curtos, indagou. — De você e do pai dele? — Ah, claro que não. E peço a você que não conte nada disso ao Thor. Mas eu garanto, nem sempre o Soren foi aquele homem amargo e cruel... ele já teve um coração humilde e iluminado, tanto quanto o do filho, mas a Norabel, ela o corrompeu com sua ganância e quer fazer o mesmo com o filho! — Por isso que você me pediu que não desistisse dele, do Thor? — Amélia perguntou. — Isso mesmo. Mesmo que o Soren e a Norabel não entendem, o dinheiro no qual eles tanto confiam, não pode comprar a felicidade. O Thor sabe disso, mas aqueles dois insistem em não querer entender. — respondeu Lucia. — Mas, e você, Lucia? — a moça diz. — O que tem eu? — Não lhe ocorreu que, o Soren a quem você tanto amou, ainda pode estar em algum lugar lá dentro? E que você ainda pode ter a chance de resgatá-lo? Lucia bufou, virando o rosto para o lado, em um gesto desdenhoso. — Amélia, não banque a ingênua, pois você não sabe o que de fato passa pelas cabeças dos Gandersen. — novamente, Lucia é enfática. — Se você ficou assustada com o comportamento de Norabel, imagina como iria se sentir diante de Soren? E sim, eu tentei resgatar o Soren, mas desisti quando finalmente me dei conta de que o rapaz por quem eu havia me apaixonado quando jovem, já não existia mais. Aquele homem era um sonho que acabou no mesmo dia em que ele se casou no Norabel. Amélia dá um sorriso e põe uma das mãos sobre a mãos direita de Lucia. — Eu nunca deixei de acreditar nas coisas boas, mesmo que elas pareçam impossíveis de serem alcançadas. Você deve fazer o mesmo, Lucia. Acredite e lute pelo homem da sua vida, se não o fizer por você, faça pelo Thor. *** Naquela noite, Thor se revirava sobre a cama, sentindo falta do calor de Amélia ao seu lado. Ele pensava nos momentos de solidão nos quais viveu durante quase toda a sua vida e sorria por saber que mesmo ela não estando ali, ele teria o seu amor. Sem ter sono ara dormir, Thor se levantou da cama e foi até a escrivaninha que ficava em seu quarto, pegou seu caderno de música e começou a escrever as notas de A Flor do Deserto. A cada clave ali desenhada, era como se ele ouvisse a melodia sendo entoada em sua mente, até pesou em pegar o violino, mas recuou por saber que todos na mansão já estavam dormindo. Foi quando ouviu alguém bater a sua porta. — Ué, quem poderá ser? Amélia! — abriu um sorriso e correu a abrir a porta. — Mãe! — disse ele, espantado. — O que faz aqui a essa hora? — Não posso mais visitar o quarto do meu único filho? — ele disse, entrando logo em seguida. — Claro, mãe. Posso ajuda-la em alguma coisa? — Acredito que sim. Hoje eu fui até a casa de Alberto Petroni e conversei um pouco com a Maria. — respondeu. — E o que a senhora conversou com a mãe da Giuliana? Algo interessante? — indagou o rapaz, já notando a jogada de sua mãe. — Ah, vejo que você e a Giuliana ainda se falam. — Sim. Ontem mesmo ela esteve n estúdio e nós conversamos bastante! — Thor não sabia que Amélia passava pelo corredor naquele momento e acabou ouvindo sua conversa com Norabel. Ele então prosseguiu. — Mas o que isso tem a ver com sua visita à Maria Petroni? — Ela me convidou para um jantar em sua casa, no próximo final de semana. E nem me venha dizer que tem compromisso, porque seu conserto só será daqui há duas semanas. Ou eu estou errada? — mãe sendo bastante persuasiva. — Não está, e pelo que eu entendi, a senhora quer que eu vá! — Sim. Sem o seu pai por perto, nada como o meu filho me fazendo companhia em jantares e encontros formais. E a Giuliana também estará lá, por tanto, trate de se comportar! — a mãe disse, saindo do quarto, logo em seguida. Amélia se escondeu para que não fosse vista por Norabel, ela também não foi até o quarto de Thor, precisava pensar no que fazer, o cerco estava se fechando, mas sabia que logo o namorado abriria o jogo com Norabel. — Amanhã a gente conversa, Thor!  
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