O clima não estava muito bom entre Thor e Amélia. Os dois se olhavam, durante o trajeto para a casa do músico e quando chegaram, a jovem foi direto para o quarto onde residia, cumprimentando apenas Norabel em um ato educado, mas a mãe de Thor não conseguia esconder sua satisfação, embora tentasse disfarçar a mesma. Só que que isso não passou despercebido pelo Maestro, que assim que ficou a sós com sua mãe, voltou-se então, para ela.
— Por um momento a senhora quase me convenceu de que havia mudado! — ele diz, com certa indignação.
— Como é? Por que está falando assim comigo, Thor? — indagou, fingindo-se de desentendida. — Posso saber do que estou sendo acusada?
— Você sabe muito bem, do que, senhora Norabel Gandersen! — exclamou, bastante irritado. — Não pense que eu não notei a sua armação juntamente com a Giuliana.
— Como é...?
— Isso mesmo — ele a interrompe — a senhora armou todo aquele teatro disfarçado de jantar só para constranger a Amélia. Pois saiba que fracassou, minha mãe, pois eu não vou abrir mão da mulher da vida para satisfazer aos seus caprichos!
Norabel até tentou argumentar, mas tudo o que recebeu do filho foi ele dando as costas para ela e seguindo na direção do quarto de Amélia.
***
Em frente a porta do quarto da mulher a quem amava, Thor parou por alguns momentos antes de bater e sentiu seu coração se partir, ao perceber que a mesma se encontrava chorando, no interior de seu quarto. Sensibilizado, o homem de cabelos encaracolados, bateu à porta, anunciando sua presença ali, logo em seguida.
— Sou eu, amor. Abra, por favor! — ele disse, encostando a cabeça na porta.
Poucos segundos depois, Amélia abriu a porta. Sem proferir uma só palavra, a jovem então abraça o namorado, tal qual uma criança buscando conforto nos braços da mãe.
— Não chore, minha querida. Eu também percebi tudo, mas saiba que se tem alguém que saiu por cima disso tudo, esse alguém foi você.
— Você acha? — perguntou a mulher mais baixa.
— Claro! — Thor fez com que o semblante triste do rosto de Amélia, mudasse quase que por completo, tornando-se mais alegre. Tudo isso após o homem mais alto dá-lhe um iluminado sorriso. — Mesmo estando se sentindo ofendida, você manteve a postura de uma verdadeira dama e não aceitou as provocações baixas de Giuliana.
Após dizer essas palavras, Thor arqueou o coro para frente e então depositou um beijo doce nos lábios de Amélia, que sentiu o mundo inteiro parar naquele momento, esquecendo-se de todo o horror que vivera na casa dos Petroni.
— Eu te amo e... Amélia — Thor se coloca de joelhos diante da brasileira — você aceita se casar comigo?
A pergunta deixou Amélia com as pernas trêmulas ao ver Thor de joelhos diante dela, pedindo para que a mesma se tornasse sua esposa. Ela estava sonhando, ou seria tudo aquilo, verdade?
— Me desculpe por não ter um anel aqui comigo, mas prometo que amanhã bem cedo eu compro um para você. — falou sorrindo. — Você aceita se tornar a senhora Thor Gandersen, Amélia Barbosa, você aceita se casar comigo?
— Sim! — chorando, a jovem respondeu, arqueando-se a beijar o topo da cabeça de seu noivo, que ainda se encontrava de joelhos diante dela. — Eu aceito, meu amor!
Após ouvir a confirmação, Thor colocou-se de pé e ergueu Amélia para o alto. Risos de felicidade tomaram o lugar do que antes era tristeza, então o casal entrou para o interior do quarto onde se entregaram ao sentimento que os dominava. Entre beijos e troca de carícias, os dois buscavam apenas sentir o prazer e o carinho um do outro. Então Thor, de maneira gentil e delicada, foi retirando o vestido de Amélia, devagar, fazendo a peça escorregar pelo coro magro até o chão, revelando a beleza natural da brasileira. De igual modo, ela abria cada botão da camisa de seu amado, enquanto beijava o tórax definido do homem de cabelos loiros, cujos pelos do corpo levantavam em arreios espontâneos, à medida em que era tocado.
— Eu vou te amar pra sempre! — dizia ele, enquanto a beijava, pegando-a em seus braços e deitando-a sobre a cama. Logo em seguia, enquanto a cobria com o corpo avantajado, Thor a beijava e assim o ato de amor começou levando ambos a mergulharem no mais puro prazer cujo só poderia ser sentido se misturado ao doce sentimento do amor. Ali eles não eram mais dois e sim, um só e seguiram compartilhando um do outro até que ambos atingiram o ápice.
***
Ainda sem querer aceitar ter sido desafiada pelo filho, Norabel sentiu-se desautorizada por Thor e decidiu ir atrás do mesmo para tirar satisfações, mas quando chegou em frente ao quarto de Amélia, acabou ouvindo gemidos e sussurros vindos do interior do mesmo. “Eu não posso acreditar nisso.” Pensou ela, enquanto podia ouvir as juras de amos misturados aos suspiros profundos. Então não lhe restou alternativa que não fosse sair dali e deixar para desabafar apenas no dia seguinte.
— Você não devia ter entrado no meu caminho, Amélia, vou fazer você se arrepender amargamente por ter vindo trabalhar nesta casa. — Norabel sussurrou, com fúria. Ela sabia que sua estratégia deveria mudar, pois conhecendo o filho como conhecia, a norueguesa sabia que ele não desistia facilmente daquilo que queria.
***
— Já escolheu aonde será a nossa Lua de mel? — perguntou Thor, enquanto acariciava os cabelos de Amélia, que se encontrava deitada em seus braços. — Ouvi dizer que existem praias maravilhosas no Brasil. O que acha?
— Nada me deixaria mais feliz, passar a minha Lua de mel com meu marido, em uma linda praia do Nordeste brasileiro! — ela respondeu, com um singelo sorriso.
— Eu pensava que apenas o Rio de Janeiro era bom para passear. — ele olhou para ela.
— Claro que não. O Brasil é enorme. Tem de tudo um pouco lá. Mas por que não deixamos essa conversa para depois? Eu sei que haverá muito tempo para fazermos essa escolha!
Thor concordou e os dois voltaram a se beijarem intensamente.
***
Na manhã seguinte, os Petroni se reuniram para tomar café da manhã no jardim de inverno. Embora os primeiros flocos de neve tivessem começado a cair, o Sol brilhava intensamente naquele domingo, promovendo o clima seco que tal ambiente proporcionava. Mas embora amanhã estivesse linda, o clima na casa era de total insatisfação, principalmente por parte de Alberto, que foi logo buscando uma explicação para o ocorrido do dia seguinte e ele foi logo para cima da filha, Giuliana.
— Eu gostaria de saber o que foi aquilo que aconteceu aqui ontem? — perguntou o chefe da família.
— Aquilo, o que, papai? — Giuliana replicou, já sabendo mais ou menos do que se tratava.
— Não se faça de sonsa, Giuliana...
— Dá ara você respeitar pelo menos o momento da refeição, Alberto? — Maria o interrompeu, ao tentar defender a filha.
— Não me interrompa quando eu estiver falando, Maria! — vociferou ele, bastante chateado. — Sua filha se comportou de maneira leviMaria, ontem à noite. Ela sim, não respeitou o momento da refeição e ainda falou de maneira intima, a respeito das “medidas” do Thor Gandersen. Sinceramente eu me senti envergonhado e tudo na frente da namorada do rapaz!
— O erro foi dele, ao trazer aquela...
— Basta! — dessa vez, o chefe da família Petroni, se levantou de sua cadeira, batendo com as duas mãos sobre a mesa. — Foi você quem disse que o jantar, melhor, vocês duas, quem disseram que o jantar de ontem, que mais pareceu um circo, seria para promover a reaproximação sua e do Thor, mas não foi bem isso que aconteceu!
As duas mulheres ficaram em silêncio. Foi quando Carina chegou dizendo que viera fazer uma visita para a amiga.
— Com licença, perdi a fome!
Alberto nem ao menos cumprimentou Carina, ele jogou o guardanapo sobre a mesa, com aspereza e se retirou logo em seguida deixando Maria e Giuliana, sem palavras.
— Gente! Por que o tio Alberto está tão furioso? — inquiriu a jovem visitante. As duas mulheres que se encontravam sentadas, nada responderam e seguiram mastigando o alimento. — Posso tomar café com vocês?
— Fique e faça companhia à Giuliana, Carina. Eu vou ver se consigo com versar com o Alberto! — disse Maria, que se levantou e deixou as duas moças, no jardim.
***
Thor estava se aprontando, com muito esmero, para sair a comprar o mais belo anel de noivado que encontrasse pela frente. Porém, quando ia saindo, deparou-se com a bela jovem de olhos verdes, com seus brilhantes cabelos ondulados, aos quais le tanto admirava. Thor percebera, no olhar límpido e esverdeado da jovem, a chama ardente da paixão, onde a expressão da mesma o fazia recordar dos momentos de ternura vividos por ambos, na noite anterior.
— Como está bonito. Vai sair? — ela perguntou, aproximando-se e o beijando logo em seguida.
— Sim. Preciso resolver algumas coisas. — procurou não revelar o que de fato estava pretendendo fazer. — Mas prometo que não vou me demorar!
— Tudo bem — ela concordou —, vou ajudar a Lucia e te vejo mais tarde, então!
Os dois se despediram e Thor entrou em seu para ir até a joalheria mais famosa da cidade.
***
Amélia ficou ara trás e observou o carro de seu amado descer a ladeira, até desaparecer na curva da montanha. Ela frechou os olhos e sorriu, mas quando os abriu, assustou-se com a visão de Norabel, que se encontrava parada e encarando a mesma, de forma estranha.
— Precisa de alguma coisa, minha sogra? — perguntou, porém, como que um pressentimento, a morena de olhos verdes sentiu um frio na barriga. — Se quiser, posso providenciar agora mesmo.
Sem disfarçar para que de fato estava ali, Norabel finalmente decidiu mostrar a sua verdadeira face.
— Eu até que tentei fazer com que as coisas fossem mais fáceis para você, Amélia, mas vejo que não adiantou muito. — disse a mulher mais velha, aproximando-se sorrateiramente da jovem.
— Eu não estou entendendo, senhora Gandersen.
— Isso mesmo, senhora Gandersen. Nada desse negócio de “minha sogra”, pois eu não sou sua sogra. — dessa vez, Norabel foi mais agressiva em seu tom de voz. — O que aconteceu ontem foi modo que eu arranjei para fazer você se tocar e saber qual é verdadeiramente o seu lugar. Você não se enxerga, menina? Onde estava com a cabeça, para se envolver com um homem da estirpe do meu filho?
— Senhora...
— E cale-se, pois ainda não terminei de falar! — vociferou a mulher. — Sabe o que mais... eu vou te dar um conselho, Amélia. Para o seu bem e se você não quiser arranjar mais problemas para si mesma, é melhor que saia desta casa o quanto antes, ou você vai saber do que eu sou capaz!
Amélia sorriu com ironia, baixou a cabeça por um instante, em seguida voltou a encarar Norabel.
— Lucia tinha razão. — falou, ao mesmo tempo em que fazia sinal de negativo, com a cabeça. — E pensar que eu cheguei a duvidar dela, quando me disse que a senhora era uma cobra. — Norabel sorriu com deboche.
— É mesmo? Ela te disse isso? — agora, Norabel desfere uma gargalhada amedrontadora. — Pois eu digo que ela não falou 1% do que eu sou de verdade, Amélia, mas se eu fosse você, seguiria o conselho dela, seja ele qual for!
— Pois eu vou fazer exatamente isso, senhora Gandersen, vou seguir os conselhos da Lucia! — Norabel franziu o sobrolho, enquanto via crescer a uma expressão de confiança, no rosto da mulher menor. Amélia então prossegue. — E sabe qual foi o conselho que ela me deu? Foi que eu não desistisse de lutar pelo Thor, pelo amor dele para comigo e afastá-lo de vez da influência de trevas que você e seu marido, graças a Deus que eu não o conheço, da vida dele. Pois o Thor, Norabel, é uma pessoa iluminada que merece toda a felicidade do mundo e eu vou lutar com todas as minhas forças para que isso se torne realidade!
— Quanta petulância... — Norabel ainda tentou relutar, mas foi interrompida.
— E não pense que tenho medo de você, porque eu não tenho. Já estou acostumada a lidar com cobras desde que eu era criança, Norabel e se você quiser brigar, prepare-se, pois nós vamos brigar!
Norabel foi tomada de grande cólera, depois de ouvir aquilo que chamou de “desaforos”, por parte de Amélia. Mas antes que a mulher mais velha destilasse todo o seu rancor contra a mulher menor, a brasileira simplesmente lhe deu as costas, retirando-se de sua presença decadente. Ali, Norabel, sem controlar seus instintos raivosos, começou a atirar os jarros que ornamentavam a sala, contra a parede, o que chamou a atenção de uma das empregadas que passava pelo local.
— O que aconteceu, senhora? — a moça perguntou, mas foi logo sendo hostilizada pela patroa.
— Saia daqui empregada imunda! — ela berrou. — Sai! Me deixa em paz!
A pobre jovem saiu correndo da sala, deixando Norabel completamente surtada, para trás. Até que a mesma, bastante nervosa, acabou esbarrando com Lucia.
— Kelly. O que aconteceu? Por que está tão nervosa?
— É a senhora Gandersen, senhora Lucia. Ela está ali na outra sala, parecendo uma louca e quebrando tudo! — disse a empregada. — Fiquei com medo de que me acertasse com um daqueles vasos.
— Calma, deixa que eu vou falar com ela...
Lucia deixou Kelly e foi ter com a mãe de Thor.
— Eu não preciso lembrá-la de que você não manda nesta casa, Norabel! — disse Lucia, em tom desafiador.
— Me deixa, Lucia. Aliás. — ela então, voltou-se para a governanta. — Você é a culpada disso, do meu infortúnio, sempre foi!
— Eu...
— Você, sim senhora! — vociferou. — Mas não pense que vai ficar só assim. Tanto você, quanto aquela sonsa da Amélia, vão pagar muito caro por terem me desfiado. Aguardem!
Norabel deixou Lucia, em meio aos cacos dos jarros que aviam sido quebrados e, saiu resmungando pelo corredor. Lucia suspirou e pediu para que uma das meninas, com cuidado com a segurança, limpassem toda aquela bagunça.
— O que será que o senhor Thor vai dizer, quando vir os preciosos vasos dele, só os cacos? — perguntou Kelly.
— Não sabemos, Kelly e nem é da nossa conta. — respondeu Lucia. — Agora vamos arrumar essa bagunça, antes que a coisa acabe ficando pior e sobre pra gente!