Capítulo 3

2799 Palavras
Damon Corleone sempre foi um rapaz destemido e confiante. Ele sempre soube que sua família é uma das mais importantes dentre as três grandes famílias na Tríade Lótus de Sangue: A Corleone, a família do atual capo da organização, A Marttini e a Fontana. E sabendo disso sempre achou que era intocável. Sendo o filho mais velho da Corleone, Damon é o próximo a ser capo de sua família. É claro que o cargo não vinha fácil, não como as tradições sempre pediam, de pai para filho. Ele tinha que merecer, caso contrário outra família podia reivindicá-lo. Porém por mais jovem que Damon fosse, e mais carismático que parecesse, o rapaz era alguém a ser temido e respeitado. Lutava por sua posição desde que se entendeu por gente, ma.tou seu primeiro aos onze e desde então provava que era a pessoa mais indicada para o cargo. Até por que nessa geração a família Marttini e Fontana tiveram filhas mulheres, e por causa disso a família Corleone estava mais segura de sua posição do que nunca esteve. Afinal, são três garotos fortes e sem dúvidas aptos para a posição, contra duas mulheres das quais não poderiam ter o cargo. Mas ninguém queria sequer lutar por esse cargo contra Damon. Ele era letal, inteligente e sem dúvidas não ligava muito para o laço de sangue se isso significasse lutar por algo de seu desejo, e bom, ele desejava ser capo. Gostava de ser temido mas ainda tinha que ouvir as ordens do seu pai, anseia pelo dia que ouvi-lo não será mais necessário. Enquanto isso ele gostava de curtir sua juventude. Sempre participava de eventos importantes, principalmente por que as pessoas ricas que faziam parcerias com eles sempre estavam por lá, festas, baladas, sempre curtia quando podia, longe da atenção das pessoas, claro. Ele era importante demais para ficar dando mole por ai, dando brecha para seus inimigos. Vicent e Sebastien, seus irmãos, viviam lhe enviando garotas para que ele pudesse aproveitar. E bom, na maior parte das vezes Damon não se incomodava de estar acompanhado de uma mulher que pudesse satisfazê-lo da melhor maneira possível por uma noite, mas naquele evento em questão ele não tinha essa intenção. Os negócios em uma das boates da família, La Dolce Notte, estavam com problemas. Alguns devedores precisavam de uma lição para pagarem logo pois estavam ficando folgados demais, e como Damon precisava estar ali para leiloar uma obra da família, não podia fazer isso com suas próprias mãos, mandando assim seu guarda-costas e amigo mais confiável, Nico. Pensar sobre essas coisas o deixava nervoso o suficiente para não querer companhia, de ninguém. Mas então ele conheceu Anna, e sua fúria acendeu quando pensou que ela tinha sido enviada por seus irmãos, mesmo que ele tenha deixado claro que não queria que eles fizessem isso, bem claro. Damon não costumava destratar de uma garota sem motivo algum mas também não se considerava um dos melhores cavalheiros. Quando estava com raiva então ele não era a pessoa mais agradável do mundo, mas por algum motivo ela despertou o interesse de Damon, além de uma mulher muito bonita, ela sem dúvidas não conhecia ele, não conhecia o status dele dentro daquela cidade e todo mundo conhecia Damon Corleone. — Onde está me levando? - Anna perguntou enquanto Damon a guiava escadas abaixo, devagar para que ela não se machucasse com aquele salto que ela usava. Ele podia não ser um cavalheiro sempre mas sabia conquistar uma mulher. — Te levando para tomar o melhor uísque que você vai provar na vida. Anna deixou um riso irônico escapar, apesar do nervosismo. As mãos de Damon eram fortes e grandes comparada a sua, sentia sua pele formigar enquanto ele a segurava. — Suas intenções são boas mas eu não bebo uísque. - Ela murmurou, parando quase nos últimos degraus para encará-lo. Ele desceu dois degraus a mais, ficando na mesma altura que a menina e olhando dentro de seus olhos, intensamente. Anna sentiu seu coração palpitar perigosamente sentindo o olhar dele fitar o seu, um abismo sem fim chamando por seu nome. — Você poderia abrir uma excessão. - A voz grave e ao mesmo tempo suave de Damon soava tão sensual que parecia que o corpo de Anna ansiava por ouvir mais, então ela não precisou hesitar muito. — Só dessa vez. - Ela concordou, um pouco sem jeito. Nem ela sabia por que estava fazendo isso. Ele sorriu sorrateiramente, depois passou a língua nos lábios, chamando a atenção dos olhos da menina para lá. E então continuou seus passos para levá-la ao bar do evento, onde eram servidos as bebidas mais caras e velhas que existia no cardápio. Não era algo exclusivo mas não era a bebida que estava sendo servida pelos garçons no salão. Anna percebia alguns olhares por cima dos ombros enquanto eles andavam em silêncio para o seu destino, e sem dúvidas ela não gostava do tipo de atenção que estava recebendo. Por acaso tinha algo de errado com ela? com seu vestido? — Quatro doses de The Macallan 1926 Fine and Rare. — Damon murmurou para o garçon assim que chegaram ao bar. — Quem vai beber conosco? - Anna soltou uma risadinha. Ela não era uma amante de bebidas mas o último leilão que foi em sua vida, com sua mãe, lembrava bem que esse uísque em questão tinha sido leiloado por quase dois milhões de dólares. Quanto valia uma dose disso? - Quatro doses? — São para nós dois. - Damon piscou, e a menina ficou desconcertada, sentindo seu rosto queimar. Por que ele parecia estar sempre com pensamentos sujos quando olhava para ela? - São apenas duas doses. — Está tentando me impressionar? - Ela ergueu uma sobrancelha, realmente impressionada, mas ele não precisava saber disso. Parecia ser convencido o bastante com aquele sorrisinho de canto. — Está impressionada? - Ele perguntou, curioso. Ele estava acostumado com o luxo que a sua vida tinha mas sabia bem que as garotas com quem ele f0dia não estavam acostumadas e que sempre ficavam maravilhadas com o que o dinheiro podia proporcionar. — Sem dúvidas gastar a quantidade de dinheiro que você gasta em quatro doses de uisque, impressiona. - Ela murmurou enquanto o garçon colocava os copos na frente de ambos. — Achei que não bebesse uísque. — Não bebo mas isso não significa que eu não conheça alguns.- Ela segurou o copo na frente do seu rosto, dando um sorrisinho de lado. Não que ela estivesse flertando, ela m.al sabia usar a própria sensualidade mas era interessante provocá-lo, provocar o sorriso quente que ele usava naquele rosto lindo. Damon ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso com o fato de ela saber o preço do uisque que estavam bebendo. Geralmente filhinhas ricas de papai não costumavam se importar com o nome das coisas que compravam e bem, ela parecia ser esse tipo de garota pela aparência. Roupa visivelmente cara, sapatos de marca, loura dos olhos claros, ele conhecia bem esse tipo de mulher. E era o tipo favorito de Damon, mulher que ele f0de de todas as maneiras possíveis sem que ela reclame por que nunca tiveram uma f0da como a de gente como ele. — Nunca achei que fosse. — Ele respondeu de volta, pegando um dos seus copos e segurando a sua frente também. Os olhos fixos no rosto da garota á sua frente. Ele estendeu a mão para que pudessem brindar e depois disso ele assistiu a menina beber o líquido tão rápido que sem dúvidas ela não sentiu sequer o sabor da bebida mas sentiu sua garganta queimar. — Deveria ir com calma, a bebida não é sua inimiga. Anna fez uma careta suave depois que sentiu a dose rasgando sua garganta devagar, incendiando seu corpo como se ela tivesse bebido gasolina pura e tacado fogo em si mesma. O frio que aquela noite trazia, não lhe atingia mais naquele instante. — uau. - Ela murmurou, encarando o copo vazio, impressionada consigo mesmo por ter conseguido beber e em como isso tinha afetado seu corpo tão rápido. - Isso é potente. Damon soltou um riso gostoso, contagiado pela inocência de Anna. Tomou sua dose com calma e também sentiu seu corpo esquentar com a dose. — Se você beber rápido demais e virar a cabeça muito para trás, o álcool vai subir muito rápido para sua cabeça e você vai ficar bêbada. - Ele murmurou, enquanto estendia a outra dose para ela e pegava a sua própria. Anna escutava atenta as instruções dele. — O gosto não é r**m, Anna, pode aproveitar. Ela assentiu algumas vezes e então encarou novamente a dose em sua mão. Ela sabia que não deveria beber mais um, que aquilo podia dar tão errado que ela poderia fazer alguma coisa que não queria, ou dizer coisas que não deveria. Anna sabia que era fraca para bebidas mas o que duas doses poderiam fazer? Se arrependeu de beber com calma, como Damon instruiu, o amargo do uísque passou em sua língua tão fervorosamente que ela precisou se reprimir para não jogar tudo para fora. Colocou o copo na mesa e encarou fixamente o homem a sua frente, com uma careta no rosto. — Você é um mentiroso muito bom. - Ela sentia seu peito vibrando, o calor dançando em seu corpo inteiro, precisou de segurar no balcão por que suas pernas vibravam. - Isso é horrível. Damon abriu um sorriso de canto, realmente achando aquilo engraçado. Ela não estava errada, ele era sim um mentiroso muito bom. Tinha anos de prática. — O importante é que você provou algo que nunca tinha provado. - Ele deu uma piscadinha, que Anna jurou ter sentido ela no meio de suas pernas, deixando claro o duplo sentido da frase. A menina sentiu seu rosto esquentando de novo. Era óbvio as intenções por de trás das mascaras de Damon e não era apenas se desculpar pelo m.al entendido que ele havia feito. — Que eu nunca voltarei a repetir. - Ela sussurrou, mais para si mesma. Ergueu as mãos até a altura do rosto e começou a abanar a si mesma, sentindo que estava fervendo. Uma dose esquentou seu corpo, duas a deixou fervendo. — Está quente aqui, não? - Ele provocou, com um olhar sensual. - O que acha de sentarmos no quiosque lá fora? — Realmente está quente aqui. - Anna nem sequer respondeu a segunda pergunta de Damon, apenas começou a andar para fora do salão, que estava lotado de pessoas por que pensava que o ar fresco iria ajudá-la. Ela tentou procurar sua amiga entre as pessoas que passava mas não conseguia vê-la. Provavelmente Maria estava enfiada em alguma porta se divertindo com aquele rapaz. — Está acompanhada? - Damon pergunta ao notar o olhar curioso da menina pela multidão, chamando atenção de Anna. — Sim, minha amiga deve estar t.. - Ela parou antes que terminasse de falar o que tinha pensado, sentindo que sua língua estava solta demais. - Estar por ai, com o acompanhante dela. Ela abriu um sorriso sem graça para Damon, ele visivelmente percebeu o que ela quis dizer mas preferiu ignorar. — Então por estar sozinha você foi para cima.. Era óbvio que ele estava tentando saber se ela estava acompanhada de algum homem, ele não fazia questão de esconder suas intenções, e ele não queria, de fato. Não gostava de enganar as mulheres nesse sentido. Se ele queria algo com uma pessoa, sempre deixava claro. Esse algo nunca passou de uma noite bem divertida. — É, digamos que sim. - Anna riu, sentindo o vento gelado do jardim do local refrescar um pouco mais o calor que estava sentindo. Admirando a vista linda que aquele local tinha, era grande, muito grande. — Quantos anos você tem? — Tenho vinte e três e você? - Ela o olha de soslaio enquanto eles se aproximam do quiosque, pouco iluminado e com certeza muito, muito, mais vazio, próximo de um lago pequeno e longe da música. — Você parece mais jovem. - Ele colocou a mão nos bolsos. - Pensei que era menor de idade. — Não é a primeira pessoa que me diz isso. - Ela solta uma risada. Damon puxa uma cadeira da mesa que estava no quiosque para que ela pudesse sentar e Anna agradeceu com um sorriso. Ao contrário da menina, ele apenas se encostou no limite da estrutura do lugar, ficando frente a frente com ela, com as mãos no rosto, a expressão séria mas um sorriso travesso no rosto. — Você sabe que não é por que me pagou uma bebida que vou para casa com você, certo? Damon hesitou um pouco, ele não estava preparado para essa frase tão de repente. Nem mesmo Anna tinha pensado muito antes de falar, mas ela queria deixar claro que não era esse tipo de mulher. — Mas você está interessada. - Ele murmurou, convencido, depois de analisar ela por inteiro. Sim, Anna estava interessada, mas até mesmo ela sabia que ele era um pecado do qual ela não podia cometer. Era óbvio que ele não era o tipo de homem que ela procurava. Sua testa brilhava em neon a palavra "perigo", o sorriso de canto então era ainda pior. Porém seu subconsciente não parava de pedir pela aventura, a curiosidade de saber como era. Ela ia se formar em breve, era virgem em tudo, devia começar a fase adulta de melhor jeito, não é? Mas esse era o melhor jeito? — Você é excêntrico. - Anna afirmou, sendo pega de surpresa com a afirmação dele. Damon apenas abriu um sorriso de lado. — Talvez. - Ele deu de ombros levemente.- Mas não estou mentindo, estou? Anna se remexeu na cadeira, um pouco sem graça de ser lida tão facilmente. Não era um jogo justo, ele sabia o poder de sedução que tinha e ela era iniciante, era apenas a primeira partida de Anna. — Acho que deu minha hora. - Ela empurrou a cadeira para trás, para se levantar. Estava sentindo sua mente começar a embaralhar, seus sentidos mais leves e sua língua solta. Sem dúvidas efeito da bebida que tinha bebido á pouco tempo. Damon se aproximou da mesa devagar, e se sentou próximo á Anna, que ainda hesitava se ia ou não levantar para ir embora, se sentindo um pouco zonza não parecia uma boa ideia. Mas o fato de Damon se aproximar ainda mais e ficar tão próximo dela a fez fraquejar. Não de uma maneira r.uim. — A festa só começou, não precisa ir agora. — Não tenho um bom motivo pra ficar. - Provocou Anna. - Minha amiga deve estar se pegando em algum canto com o novo amigo dela, eu só vim por ela. — Podemos resolver isso, podemos nos pegar também. - Sugeriu Damon, com um sorriso safado no rosto. Apesar do frio na barriga de Anna, ela sorriu, sentindo seu rosto queimar de vergonha. Ninguém nunca tinha sido tão cara de p.au como Damon. — Por que você acha que quero ficar com você? - Anna sabia que o papo de moça dificil não colava, nem era o caso dela, mas brincar com ele, brincar com o ego dele era divertido e interessante. Por algum motivo ela ficava muito animada com isso. - Pelo que me lembre você me pagaria uma bebida para se desculpar pelo insulto, apenas. Damon estendeu a mão para Anna, que encarou a mão dele por alguns segundos se perguntando qual era a dele mas pela curiosidade ela colocou a dela lá. Ele ajudou Anna a levantar da cadeira e então também ficou em pé. A menina ficou confusa com o ato dele e então ele a puxou para mais perto de si com certa rapidez, fazendo Anna perder o fôlego por completo. Ele colocou a mão em sua cintura, forte, firme, e a outra segurava a mão dela. Anna estava colada á Damon, peito a peito, roçando no peitoral d.uro e firme de Damon, o rosto tão perto que fazia Anna perder o controle de sua respiração, e até mesmo sentir suas pernas amolecerem. Perigosamente perto demais... Damon tinha o rosto sereno, calmo como as ondas do mar num dia tranquilo, enquanto fitava o rosto dela de pertinho. Anna estava ansiosa, agitada, como um dia de grande tempestade, nunca havia sentido seu corpo arrepiar inteiramente daquela forma. Mas ninguém nunca tinha agarrado-a com tamanha maestria, despertando coisas que ela não havia sequer imaginado ainda. Os olhos dela fisgaram a boca de Damon, que passava a língua para umedecer, seu coração batia tão rápido e tão forte que ele podia sentir. Ela queria ficar com ele, ela queria desesperadamente ficar com ele. Não, não era um jogo justo.. — Tem certeza disso?
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