Capítulo 15 - Números

1746 Palavras
pov. Eris Depois de muita insistência do Victor acabei voltando a dormir sonhando com tudo que eu tinha visto na mente do Telecto, aquelas informações eram desconexas e acabou sendo um sonho terrivel. Enquanto dormia escutei alguns gritos e uma discussão, abri um dos olhos devagar confirmando o que pensava, Tavarres e Victor estavam discutindo, decidi fingir que dormia e apenas ouvir. - Porque não trancou ela na sala!? - Victor bufou, os dois estavam alterados. - Eu pensei que ela ficaria no lugar! Eu não vejo o futuro sabia?! - tremi quando sua voz começou a sair do eixo. - Agora eles sabem sobre ela, o regente quer interroga-la e usa-la para extrair os planos dos Telectos. - a voz de Tavarres estava cheia de culpa, o pavor que saia deles estava esmagando meus pulmões. - Só por cima do meu cadáver ele vai encostar na Eris! Eu não vou permitir que ele a use como se fosse um maldito objeto! - nunca tinha ouvido a voz dele nesse tom, era assustador. - E o que pensa em fazer? Ele está decido... - Tavarres vacilou e eu não consegui ouvir a última palavra. - Eris faz parte do GEC, ele não pode nos impor nada. - senti o olhar dele sobre minha pele. Vou te proteger tampinha, custe o que custar. Abri os olhos cheios de lágrimas, deixando notório que eu estava ouvindo tudo. Tavarres me olhava com um pedido de desculpas estampado no rosto e Victor me embalou em seus braços quentes. Eu chorei, por estar sendo um peso, um problema, chorei porque mais uma vez estavam querendo me usar e chorei porque eu era a principal culpada disso tudo. - Não chora, eu não vou deixar que nada aconteça a você. Nunca. - aquilo foi uma promessa, eu sabia que ele cumpriria ele sempre cumpria com o que falava. Tavarres se aproximou e beijou minha mão a escondendo entre as suas. - Vai ficar tudo bem, confia na gente? - assenti enxugando as lágrimas. - Ótimo. Victor, tire ela daqui. Ele me ajudou a descer da maca alta e me dirigiu para fora da sala, a mão em minhas costas me incentivava a continuar andando sem olhar para trás. Estavamos pegando um corredor estreito que eu não conhecia, ele estava calado demais mas seus pensamentos estavam na luta de horas atrás, seus sentimentos eram conturbados e quase impossível de se destinguir. Já disse para ficar longe da minha cabeça, curiosa. Desculpe. Ele sorriu sem desviar o olhar do caminho, eu podia ver nas laterais algumas escadas de lata que sem dúvidas davam no telhado do prédio. - Porque não posso ler seus pensamentos? - perguntei sem conseguir controlar a minha língua. - Tem coisas que eu prefiro que você escute da minha boca. - ele sorriu novamente mas dessa vez com os olhos em mim, corei desviando o olhar. Eu sabia que a mente dele era um emaranhado de coisas que me dariam pesadelos, Victor com certeza já matou Telectos, já feriu pessoas e lutou em muitas batalhas as cicatrizes em seu corpo denunciam isso. Sua mente está sempre trabalhando, revendo o inimigo, mas tinha dor também uma dor que ele não queria compartilhar com ninguém. - Onde estamos indo? - eu não estava com medo, de fato não estava. As paredes aqui eram mais escuras e não pareciam receber uma mão de tinta há muito tempo. - Esses corredores não são mais usados pelos alunos, ele vai direto para o antigo ginásio onde eram a maioria das aulas de resistência. O local foi fechado por representar riscos aos alunos e desde então o GEC usa para treinar. - a voz controlada, explicando tudo como um professor paciente. - Se era perigoso para os alunos, porque vocês treinam lá? - não fazia muito sentido. - Porque se não conseguimos nos proteger de alhuns pedaços de gesso sobre a cabeça seriamos um fracasso em uma luta seria, uma guerra. - olhando por esse lado er uma lógica estranha mas eu fico longe da posição de poder opinar. Finalmente chegamos ao local, realmente a estrtura era decadente. O teto de gesso caia aos pedaços e o telhado acima dele não estava diferente, as paredes de ferros retorcidos deveriam ser bonitas antes da ferrugem tomar o lugar, me encostar em algo era perigoso. O chão era queimado bom para praticar luta, Victor me levou até onde estavam os outros, a pequena nova equipe do GEC, não demorou para que o furacão Leticia me agarrasse. - Eris! Você ficou doida? Que bom que esta bem! - seus braços me esmagavam contra o corpo dela, respirar era uma dificuldade. - Não sei se ainda estou... - falei com dificuldade e ela me largou, ouvi a risada dos presentes e corei. Odiava ser o centro das atenções. - Desculpe. - ela fez um olhar chorão e eu lhe abracei devagar impedindo que ela me esmagasse novamente. - O Ruan e o Gabriel nos disseram o que você fez, eu deveria te dar uma bronca! - Eu estou bem, sei me cuidar. - levantei o nariz, eu tinha ganho a luta mesmo que depois tenha ido parar na enfermaria, eu não era uma inútil. - E como sabe, onde aprendeu a lutar daquele jeito? - Ruan perguntou bagunçando meus cabelos com sua mão grande. - Anos de treinamento pesado, acabei gostando. - dei de ombros sorrindo. Antony me abraçou em um aperto moderado e me deu uma bronca, ótimo. - Nunca lute sozinha, é a primeira coisa que aprendemos aqui. - ele falou deixando claro ser uma advertência. - O Antony tem razão. - Luiz me olhava como um pai, desviei o olhar fazendo bico e tive as bochechas apertadas por ele. - Ai! Não sou criança, que saco! - resmunguei, a risada era coletiva. - Eris, quero te apresentar meu parceiro, Emerson Ruby. - Victor chamou minha atenção para um rapaz moreno quase da sua altura. - Ah, vocês são homossexuais? - perguntei, Victor esbugalhou os olhos e as gargalhadas eclodiram no local vazio, o que eu disse de errado? - Eu sou, mas para minha tristeza o Victor não é. - gargalhou novamente enquanto o Victor fazia uma careta de ofendido. - Mas porque perguntou isso? - Lá em Oncep parceiros são noivos, escolhidos pelos pais. - dei de ombros, sentindo a pele queimar. Droga de cultura diferentes. - Esta desculpada. - Victor riu balançando a cabeça negativamente. - Bom, vamos começar. Primeiro eu vou passar uma fita sobre os números é rotina. - explicou Emerson colocando a fita em uma televisão pequena e antiga, tinha visto uma na casa da minha avó antes do seu falecimento. A tela chiou e ficou cinza, em seguida a sequencia dos números começou a ser explicada por uma mulher. - Os Numbers, como são chamados os humanos que nascem com atribuições físicas ou mentais. No total são onze números indo do Cinco negativo até o Cinco positivo, irei explicar hoje sobre os Numbers Negativos mais chamados de Telectos. - a voz dela era estranhamente irritante, todos sentarão no chão para observar a mulher que falava sem parar. - Cinco Negativo, também chamados de Hipnóticos. Sua atribuição mental possibilita que o Number se torne invisível para o seu oponente, podendo manipular a visão de até duas pessoas. - revirei os olhos com as informações vagas, não tinha dúvida que isso era tão antigo quanto a televisão. - Quatro Negativo, também chamado de Intelectos. Sua atribuição mental é voltada para uma inteligência fora do comum, eles são espertos e os responsáveis pelo governo do novo mundo. - o silencio que eles faziam era perturbador para mim, todos estavam interessados no que essa mulher estava falando. - É muito difícil encontramos Intelectos em uma luta, mas não impossível. - falou Ruby pausando o vídeo para ganhar a atenção. - Três Negativo, também chamados de Silenciadores. Sua atribuição mental consiste em retrair o poder do inimigo até inibi-lo por completo durante a luta, eles não precisão de muita concentração para o ato oor isso tendem a ser mais perigosos. - Não teve como não me lembrar da luta de hoje, meu corpo arrepiou por completo. - Dois Negativo, também chamados de Ilusórios. Sua atribuição mental é guiada pelo medo, ele pode usar o medo do adversário contra ele mesmo em ilusões. Seu poder limita-se a dois oponentes. Um Negativo, também conhecidos como Dementadores. Suas atribuições mentais permitem que apenas com um olhar consiga sugar as lembranças, sentimentos e por fim a vida do seu oponente. - A mente vagou para Erion e logo depois para o governador e a sensação horrível de estar tendo a vida arrancada de si. - Por último mas não menos importante nós temos os Neutros ou Zeros, são dificilmente achados. A maioria dos natimortos são Zeros, os que conseguem sobreviver ao parto se torna uma criança doente e fragilizada alcançando apenas os dezoito anos, idade máxima para a aparição das atribuições ainda desconhecidas. A loucura acaba levando todos ao suicídio. Minhas pernas se moveram sozinhas, nem notei e já estava subindo as escadas com os gritos de protesto de alguém atrás de mim. As lágrimas inundando minha visão, marcados pela morte, isso que os zeros são, não importa o quanto fuja ela sempre estará em seu encalço. O céu estava escuro, as estrelas não apareceram, o frio tomou meu corpo quando me joguei no chão frio do telhado. - Eris! Não saia correndo desse jeito, deixou todo mundo maluco! - a voz de Gabriel estava cansada provavelmente por ter corrido. - Porque está tão preocupado? O que importa! Eu vou morrer mesmo! É isso o que está preparado psra mim, a morte! A terrível morte por suicídio! - gritei me levantando, ele me encarava com uma calma que eu não queria para mim. - Isso não vai acontecer! - ele se aproximou colando meu corpo no seu, meus cabelos na frente do rosto não impedia que eu encarasse seus olhos chamativos. - Não vamos deixar... eu não vou deixar... Seus lábios se juntaram aos meus em uma dança lenta, uma de suas mãos entre meus cabelos e a outra apertando minha cintura em seu corpo. Meu primeiro beijo, deixei que acontecesse, deixei ele me guiar sendo levada por aquela sensação gostosa, meu coração estava prestes a sair pela boca quando ele se afastou me encarando. - Desculpe, Eris... - ele não terminou, nossos lábios estavam juntos novamente, como um imã.
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