Capítulo 16 - Culpa

1465 Palavras
pov. Gabriel Eris tinha uma teimosia palpável, era impossível não notar. Depois que fomos praticamente enxotados da enfermaria pelo Victor notei o quanto eu me preocupava com ela, o quanto o seu bem estar fazia diferença em minha vida. Aqueles olhos tão expressivos, seu jeito delicado, sua estatura. Tudo nela parecia me atrair de um jeito estranho, bom. No caminho para a sala eu me perdi em pensamentos e quase entrei na sala do segundo ano, se o Ruan não tivesse esbarrado em mim teria pago um enorme mico. - Ora, vejam só quem resolveu aparecer. - Elena não perdia uma piada quando se tratava de atrasos, sorri sem graça e me apressei a ocupar o meu lugar em silêncio. - Já que foi o último a entrar, porque não explica para a turma a importância do bem estar físico e emocional? - Não seria melhor me bater com a régua? - ao menos não seria tão vergonhoso, eu não gostava de falar em público, essa voisa de professor e aluno orador não se encaixava em mim. - Seria fácil demais. - ela riu, agora sei que não é tão diferente do seu pai como eu achava que seria. Revirei os olhos, eu não sou a melhor pessoa para falar de bem estar emocional. - É importante ter um bom condicionamento físico porque o elemento tem como combustível sua resistência muscular... e sentimental para não perder o controle. - tamborilei os dedos na mesa depois de falar. Ela complementou o que eu disse e minha mente vagou para os olhos vazios de Thalia, eu nunca estarei livre dela. A dor rapidamente se apoderou de mim sufocando todos os outros sentimentos, não sou uma pessoa controlada quando se trata do emocional. Tenho o peso da culpa em minhas costas como uma terrível carga que eu levarei para o resto da vida, eu permiti que ela cometesse o suicídio de ir lá sozinha, os fleches daquele dia me atormentavam durante a noite em forma de horríveis pesadelos. - Gabriel? - acordei do meu transe com a professora em minha frente, todos os aluno já haviam saído e apenas nós dois permaneciamos na sala. - Você está bem? - Desculpe professora eu acabei me destraindo. Não vai mais acontecer. - me levantei vom um olhar vazio e tentei sair da sala mas ela não deixou. - Se não soltar o passado nunca conseguirá segurar o futuro. - assenti e corri para os corredores lotados. Todos sabiam sobre ela, sabiam como ela tinha morrido e quem foi o covarde do seu namorado. Um nó se formou em minha garganta ao me lembrar daquele dia. [···] - Thalia, você não vai! Os soldados vão trazer seu irmão de volta, tenha paciência. - segurei em seu braço delicado, Thalia era tão linda que não tinha como olhar em seus olhos e não se perder ali. - Gabriel, eu sinto que ele não está bem, eu sinto que algo aconteceu. Venha comigo, vamos acha-lo juntos. - o medo da morte balançou meu corpo de um jeito violento. - Não, vamos ficar aqui onde é seguro. Eu não sei usar minhas habilidades ainda e você não tem nenhuma. Lia, por favor. Eu te amo tanto, por favor... - ela assentiu, a abracei com força acariciando seus cabelos negros. Levei-a para casa e depois segui para a academia onde despenquei sobre a cama. No dia seguinte a gritaria me acordou, Luiz já estava de pé vestindo o uniforme rapidamente. Fiz o mesmo em silêncio, o barulho já tinha me deixado com dor de cabeça. Ao sairmos a notícia me bateu como um soco no estômago, os alunos do terceiro ano já tinham saído e os do primeiro edtavam proibidos, driblei os guardas sendo auxiliado por Luiz e corremos em direção ao portão. O corpo de Thalia e Thales estavam jogados no chão, seus olhos abertos e agora azuis transmitiam o vazio, Victor estava ao lado dos corpos evitando que os curiosos chegassem perto e agradeci mentalmente por isso, ele me deixou passar abrindo espaço entre a multidão de alunos e soldados. Segurei seu corpo rijo entre os braços e gritei, chorei, eu tinha sido um covarde, talvez se eu tivesse ido com ela estariamos juntos agora. [···] - Gabriel você está escutando moleque?! - o treinador gritava por mim enquanto os outros riam, eu não notei ter entrado na sala e muito menos ele me chamando. - Por todos os sols, achei que você era sonâmbulo! Chegou um email solicitando sua presença na central de treinamento do GEC, Parabéns moleque, parece que todo o seu esforço valeu a pena. Assenti, do lado de fora encontrei Ruan, Leticia, Antony e Luiz a minha espera. Sem nenhum comentário caminhamos pelos corredores alternativos que dava para o ginásio. Ao ver Eris entrar senti meu coração parar na boca, eu amava vê-la mas tudo nela me lembrava Thalia. Fomos obrigados a assistir o vídeo sobre os Telectos e no final uma breve passagem falando dos Zeros. Senti um incomodo, uma angústia e ao olhar para trás Eris estava correndo, não demorei a lhe seguir. Todos começaram a procurar por ela, quando passei pelas escadas de lata senti um imã me atrair para cima e acabei por segui-lo. Ela estava alterada, angustiada. Não era fácil ouvir de todos que você estava sentenciado a morte, ali na minha frente eu vi Thalia desesperada, gritando e chorando por causa do irmão, não consegui pensar. Meus lábios se chocaram com os seus macios e doces, me deixei levar por aquele sentimento, eu nunca tinha beijado outra garota. - Desculpe, Eris... - eu tentei me afastar mas era tão bom, tão único. Por um momento eu não estava mais ali, fui transportado a noite que beijei Thalia pela primeira vez. Thalia... Quem? Ela se afastou, sua voz ecoou em minha cabeça quando meus pensamentos fluíram. Seu olhar triste passou por mim e se firmou no chão, tentei me aproximar novamente e ela recuou. - Eris, eu posso explicar... - não sei se eu realmente podia mas de fato tentaria. - Me deixe em paz Gabriel! - ela passou por mim, eu segurei em seu braço antes que se afastasse. - Por favor, não é o que você está pensando. - me senti um completo i****a sob seu olhar acusatório. - Eu não estou pensando nada, mas você está... Eu não sou a Thalia, nunca vou ser! Então não me use para afogar sua culpa! - o choque de realidade bateu em meu rosto repentinamente ao notar o que eu estava fazendo, ela correu descendo as escadas e eu a segui. Ao chegar no corredor foi violentamente acertado por um soco, ao retornar os sentidos encarei o Victor me olhando com ódio. Tentei levantar e outro soco me fez voltar ao chão, ele ima me chutar mas Ruan o interceptou jogando-o contra a parede. - Se está querendo brigar eu estou pronto! - o elemento dos dois já estavam se chocando quando Ruby apareceu desesperado d me ajudou a ficar de pé. - Mais que infernos está acontecendo aqui!? - Ruby gritou jogando água nos dois para eles se acalmarem. - Esse i****a machucou a Eris e eu vou mata-lo ! - Victor tentou se aproximar mas o soco seguinte não veio dele, o Ruan se encarregou de fazer o trabalho. - Você fez o que? ! - gritou em meu ouvido, Ruby se colocou a minha frente. - Parem seus idiotas! Mata-lo não vai resolver o problema. - que bela defesa eu tenho, consegui me por em pé e retomar as forças. - Pode até não resolver, mas vai me deixar muito mais aliviado. - Victor avançou mas foi impedido por um jato de água. - p***a, Ruby! - Esfria a cabeça, deixa o cara explicar o que aconteceu para a garota ter saído correndo daquele jeito. - Ruby ainda estava entre nós mantendo os dois lados calmos. - Eu beijei a Eris... - o dominador de água foi nocauteado pelo Ruan, usei meu elemento para criar um escudo enquanto ele tentava me acertar. - Seu filho da mãe! - que dia de sorte, prestei tanta atenção no Ruan que não notei o Victor se aproximando por trás, um soco foi o suficiente para meu elemento ceder. - Nunca mais encosta nela, é um aviso. - o ódio contido nos olhos de Victor era assustador, era bestial. - Ele é todo seu, Ruan. - merda, merda! Ruan veio para cima de mim mas uma barreira de terra ficou entre nós, Luiz se aproximava devagar com um olhar afiado sobre ele. Victor já tinha desaparecido assim como Ruby. - Já chega Ruan. - foi o suficiente para ele ir embora fumegando. - Levanta i****a, precisamos conversar.
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