pov. Eris
Eu simplesmente não acredito que ele me beijou pensando em sua ex-namorada, me sinto tão usada, tão i****a. Em Oncep não nos apaixonamos por alguém que não é nosso parceiro, e aqui eu me sinto sufocada por não ter regras, por não ter que seguir algo.
Meu coração dói com a possibilidade de não ser correspondido, de não ser amado. De fato era estranho o que eu sentia quando estava com Gabriel, Ruan e Victor, sensações diferentes e que me incomodavam. Sinto falta da certeza.
Ao passar por Victor enquanto corro apenas o iguinoro, preciso sair daqui, preciso de espaço para pensar. Talvez não seja tão bom assim ser livre, poder fazer suas próprias escolhas. Quando percebo já estou no meio da rua, no frio obscuro da noite, um arrepio estranho passa por mim e escuto passos em minha direção, começo a andar sem olhar diretamente para trás.
Eu vejo você.
Uma voz em minha cabeça me fez saltar, olhar para os lados era assustador demais por isso comecei a correr desesperada, o coração batendo acelerado contra o peito machucava meu tórax. A adrenalina rasgava minhas veias com furor e o ar m*l passava emmeus pulmões.
Corra.
Sem pensar duas vezes eu continuei a correr sem saber para onde estava indo, a angústia de antes deu lugar ao medo, o pavor, minha visão não focava em nada que pudesse me ajudar a saber onde estava. Olhei para trás verificando se tinha alguém, ao voltar para correr esbarrei em algo que me segurou antes que eu atingisse o chão, desespero me tomou.
- Ah! Me solta! Me solta! - a pessoa tapou minha boca prendendo meus braços com apenas uma de suas mãos.
- Eris! Para de gritar! Sou eu, ta maluca? - abri os olhos encarando Antony, o abracei quase de imediato quando ele me soltou.
- Anto! Que bom que é você, eu estava com tanto medo! - ele retribuiu o abraço.
- Medo de que? Hei, onde estava? O Victor está louco a sua procura! - fiz careta, eu não queria ver nenhum dos três hoje.
- Achei que alguém estava me perseguindo... Estou perdida. - dei de ombros escondendo o rosto com o cabelo emaranhado. Ele riu.
- Isso eu já notei, duvido que viria aqui se soubesse onde está. - mais a frente tinha uma casa iluminada, varias pessoas entravam e saiam o tempo inteiro, olhei em seus olhos.
- O que você tava fazendo? - ele corou e esbugalhou os olhos, respirar se tornou difícil para ele.
- Eu... bom, eu tava... ah... com... eu... puzts... estava por ai... Você não devia andar sozinha, vem vou te levar de volta para a academia. - ele segurou minha mão mas eu travei no lugar.
- Não me engana, conta agora! - exigi, embora que não precisasse. Uma loira alta quase sem roupa alguma se aproximou e sorriu para ele.
- Oi Tony, já está pronto para nossa noite? - sua voz era irritante, seus lábios extremamente vermelhos, Antony parecia indeciso mas ao olhar para mim ele respirou fundo.
- Preciso levar minha irmã para casa, minha mãe vai ficar louca se souber que ela me seguiu. Eu volto mais tarde, Linda. - a mulher me olhou com desdém e se afastou soltando um beijo para ele, fiz careta quando ele puxou meu braço em direção a academia. - Se você não andar vou te jogar nas costas igual um saco de ração.
- Sua namorada? - gargalhei me esforçando para segui-lo o que estava muito difícil. Ele parou em minha frente e fez sinal para que eu subisse em suas costas, depois do meu ego ferido ele continuou.
- Transa casual. - respondeu, gargalhei novamente. Estavamos nos aproximando da academia quando Tavarres correu em nossa direção.
- Eris! É bom saber que esta bem... - opa. Antony me ajudou a descer, o Abraço do Tavarres foi apertado e sufocante mas fiquei calada. - Achei que estava morta...
- Que? - meu corpo inteiro travou com a possibilidade, ele nos guiou até os muros onde uma garota de cabelos castanhos estava deitada no chão, seus olhos eram como os meus.
- Ela era uma sem número. - ele murmurou, semti meu corpo ser esmagado por alguém molhado e me surpreendi vendo o Victor.
- Eu achei que tinha sido você! Não fuja mais daquele jeito. - revirei os olhos com seu jeito controlador, ao olhar as pessoas que observavam o corpo notei Gabriel ali presente, eu não ia fazer questão em notar sua presença mas o rosto dele estava machucado.
- Gabe? O que aconteceu com seu rosto? - os olhos tristes dele me encararam e depois pairou sobre Victor e Ruan que se aproximava. - Mas qual é o problema de vocês? !
Victor me olhou espantado quando o empurrei com toda a minha força ao encontro de Ruan, ambos caíram no chão com olhares assustados.
- Porque bateram no Gabriel?! - irritada? Era pouco para descrever o que eu sentia nesse momento.
- Ele machucou você... Tocou em vo... - Victor começou a falar mas eu o interrompi.
- E dai?! Quem tem que resolver isso sou eu! Não te dei o direito de resolver meus problemas! E nem a você Ruan! Espancaram ele sem motivo! - eu gritava para os quatro cantos, ninguém ousava se aproximar de mim.
- Eris, você está brilhando... - Ruan murmurou tentando se levantar.
- E dai?! Vai querer controlar isso também? ! Agora peçam desculpas ao Gabe. Peçam! - Gabriel pós a mão em meu ombro tomando minha atenção.
- Eris se acalma, está assustando todo mundo. Deixa eles. - pus a mão sobre a sua.
- Olha o que eles fizeram ao seu rosto, Gabe! - ele fechou os olhos mas ao abri-los estavam diferentes, mais centrados.
- Temos problemas maiores. Por exemplo, quem e porque matou essa garota? - ele estava certo, mas agora eu precisava urgentemente ficar sozinha, é muita merda para um dia só.
- Vem, vamos limpar esses machucados. - mesmo ele recusando eu consegui lhe arrastar para a enfermaria sob os protestos do Victor sobre minha segurança.
[···]
- Não precisa... ai! - comecei a limpar os cortes do seu rosto com álcool, eu ainda não estava de bem com ele mas não podia deixar o coitado nessa situação.
- Precisa sim, agora cala a boca que ainda não estou de bem com você. - ele estava sentado sobre a maca e eu em pé sobre a cadeira para ficar mais alta e enxergar melhor seus ferimentos.
- Por isso que está passando tanto álcool?... ai! - afirmei e ele revirou os olhos, não era bem uma vingança... ta legal era sim, mas em minha defesa ele me machucou pra caramba. - Desculpe pelo que eu fiz...
- Esta pedindo desculpas por ter me beijado, por estar pensando em outra garota ou por me usar? - enxarquei o algodão de álcool e coloquei em seu nariz.
- Ai! Os três... Eu não devia ter te beijado, e muito menos te usar para afogar minha culpa em relação a Thalia. Ai! - ouvir seu nome aimda me machucava, era como se eu estivesse revivendo a cena do beijo. Fiz o curativo e desci da cadeira. - Eris...
- Eu estou chateada, Gabe. Muito chateada. Mesmo assim eu desculpo você, embora eu prefira que mantenha distância por enquanto. Sei o quanto ama Thalia, você não deixou que o sentimento morresse com ela isso é lindo mas está te sufocando e vai te matar. O sentimento que você guarda não é um amor puro é misturado com culpa e tenho certeza que ela não quer te ver assim. - segurei sua mão aspera e grande. - Ela quer que você a deixe partir em paz, sabendo qud um dia você a amou muito mas o que vai ficar dela são apenas saudades e boas lembranças...
- Seria a hora certa de te beijar... - ele se aproximou mas eu me afastei dois passos. - se eu não tivesse estragado tudo mais cedo... Obrigado...
- Não me leve a m*l, você é incrível só precisa esquecer as coisas que doem e se lembrar das que te arrancam sorrisos... - beijei sua bochecha e sai da enfermaria o deixando sozinho.
Os corredores da academia durante a noite eram silenciosos demais, tinha acontecido tanta coisa hoje que me limitei a sentar de frente a uma das janelas e fechar os olhos imaginando como seria bom que todos vivessem em paz. Com os pensamentos distantes adormeci ali mesmo no chão frio.