Capítulo 05 NH

2400 Palavras
NH Narrando Quando o jatinho pousou nesse outro estado, foi como se passasse um filme na minha mente. Já colei em várias quebradas, nunca fui de frescura pra me adaptar… mas essa missão aqui tá com um bagulho estranho no ar, papo reto. Não tô conseguindo relaxar, visão? Tem alguma fita errada nesse corre. Sou filho de um dos monstros do Rio, cresci metendo marcha em qualquer lugar, resolvendo o que ninguém queria encarar, mas aqui? Aqui o bagulho tá fora do prumo. Só que eu sou cria, né? Bicho solto. Se me jogaram, agora é deixar fluir e ver no que vai dar. Se for só neura da minha cabeça, eu finalizo essa missão como sempre fiz: missão dada é missão cumprida. Só que esse tal de Macaco já tá me tirando logo de entrada. Tá achando que porque sou "novato" aqui vai crescer pra cima de mim. Novato onde, parça? Eu posso até ser novo nessa quebrada, mas não sou o****o. Já saquei que ele não engoliu perder o posto… mas se ele vier na maldade, vai cair bonito. No meio do caminho, ele veio com uma marra de quem quer medir força. Puxei a pistola e botei na cara dele. Só pra lembrar com quem ele tá lidando. Aqui não tem bicho de pelúcia, não, irmão. Tá falando com homem. Eu nem tava a fim de fazer cena, mas ele precisou entender que respeito não é favor. Se o chefe mandou ele ser meu subordinado, então vai ter que respeitar ou vai rodar. Não sou de dar espaço pra cobra se criar. Já saquei que vou arrumar inimigo por aqui, e o primeiro é ele. Nem sei como perdeu a função, mas se caiu foi por erro dele. Não vim aqui pra brincar, vim pra botar ordem. Ele parou o carro na frente de uma casa sinistra, padrão alto… pique mansão no meio da favela. Entrei, larguei a bolsa no sofá, respirei fundo… mas a cabeça já tava longe. A mandada não saía da minha mente. Ela grávida… linda pra crlh. Tá cada vez mais perfeita. Peguei o celular, abri o w******p dela… tava online. Quando fui digitar, escutei três batidas na porta. Levantei pra ver quem era. — Oi, chefinho. Eu sou a Bruna, tô aqui a mando do chefe. Vou ficar à sua disposição. — ela soltou do nada, entrando com uma mala, cheia de marra. — Acabei de chegar de viagem, preciso de um banho. — disse como se já morasse ali. Fiquei parado na porta, com a mão na cintura, só olhando. A ficha nem tinha caído ainda. Pqp, se a Laura sonha com uma parada dessa, já era pra mim. Já tô com a cabeça fervendo por causa do caô da Verônica, que nem sei se foi verdade ou armação. Agora aparece essa mulher enviada do nada? A branquela foi entrando casa adentro. Fechei a porta com força, que ela até deixou a mala cair, assustada. — Mas aí, o chefe exagerou, hein. — soltei firme. — Eu sou moleque criado solto, sei me virar. Tem menor, tem vapor, qualquer um aí me dá uma moral. E outra, tenho boca, quem tem boca arruma o que precisa. — falei indo direto na geladeira e mandando um copo d’água goela abaixo. Ela já subiu como se fosse dona do pedaço. Suspirei fundo. Já vi que dor de cabeça vai ser dobrada. Subi pra ajeitar minhas coisas. Quando passei na frente do quarto dela, tava com a porta aberta… pelada. Sem vergonha nenhuma. — Entra, gatinho. A casa é nossa… o quarto também. — ela falou, se abrindo toda, me mostrando os p****s. Passei a mão no rosto, tentando manter a calma, olhei sério e bati de leve na porta. — Não tô afim de entrar, não. Só vim avisar uma parada pra gente manter a convivência na moral. — falei, firme. — Aqui o bagulho é respeito. Fecha essa porta, cê não tá sozinha. E outra, não gosto de mulher atirada. Se eu tiver a fim de alguém, vai ser porque eu quero, não porque a pessoa tá se jogando. Ela ficou ali, com aquele sorrisinho debochado, mas concordou com a cabeça. — Se liga, Bruna. Tu força a barra de novo, tu vaza. Não quero nem saber quem te mandou. Entendeu? — perguntei seco. Ela assentiu de novo. Saí dali e fui direto pro meu quarto no fim do corredor. Joguei a bolsa na cama, fui pro banheiro, tomei um banho rápido. Saí enrolado na toalha, vesti uma cueca box preta, bermuda, joguei desodorante, perfume, calcei minha Kenner, botei o celular e o rádio na cintura, a Glock no cós, e desci sem nem olhar pros lados. Fui direto pra garagem. Tinham três motos e dois carros. Escolhi logo uma BMW, montei e saí da casa metendo marcha. Tava precisando esfriar a mente… e principalmente esquecer que aquela casa agora é minha base. Porque, na real… minha base mesmo sempre foi ela. Saí da quebrada com calma, pilotando na moral. Os segurança da casa ficaram na contenção, e eu fui só observando o ambiente. Quando vi um restaurante na esquina da principal, parei a moto, estacionei e desci. Sentei numa mesa na parte de fora, tava querendo ver o movimento. m*l sentei, uma novinha veio atender, cheia de marra no sorriso. — Boa tarde! Você deve ser o novo chefe, né? Seja bem-vindo! m*l chegou e já tá famosinho — ela soltou, rindo, me olhando de cima a baixo. Cocei o queixo, só observando o movimento da rua. Tinha geral me encarando como se eu fosse artista, vários olhar em cima. Botei um leve sorrisinho de canto, negando com a cabeça. — Sou o NH. Vim pra assumir a comunidade, sim. Mas me explica aí... famoso por quê? — perguntei curioso, virando o rosto na direção que ela apontava. Lá fora, uma pá de morador colado no portão, menor olhando, mulher cochichando. Mais do que eu esperava. E como se não bastasse, três p**a sentaram na mesa do lado, e uma já cruzou a perna se abrindo toda, sem calcinha, mostrando o que não pedi pra ver. Crlh, será que essas mina aqui é tudo atirada ou é só porque a carne nova chegou? A verdade é que eu tô há cinco meses na seca, quase virando padre. Mas mesmo assim, foco total. Aqui o bagulho é trampo, não p*****a. — Meu nome é Karem. Sou filha da dona Maria, dona do restaurante. Vai querer o quê, chefe? — ela perguntou na moral, com aquele jeitinho educado que é raro de ver. — Manda o prato do dia aí que eu tô brocado. E trás uma cerva bem gelada também — respondi, ajeitando na cadeira. Ela saiu, e eu voltei a prestar atenção no ambiente. Quando dei por mim, o vapor que dirigia o carro mais cedo colou do meu lado, fazendo o toque e sentando de frente. — E aí, chefe — ele mandou na moral. A Karem já colou de novo. — Vai querer o de sempre, LD? — ela perguntou, e ele só confirmou com a cabeça. Minutos depois, ela já trouxe o rango dele e uma breja, deixou na mesa e saiu, dando espaço. — LD, né? — perguntei. Ele confirmou, abrindo logo a cerveja e mandando um gole. — Tu já sacou o temperamento do Macaco, né? O cara tinha tudo pra meter marcha, mas jogou a comunidade na lama. Fez merda atrás de merda. Os morador revoltaram, só que como é sobrinho do sub do comando, não rodou por completo. Só tiraram ele da linha de frente. Mas tá aí, enchendo o saco de todo mundo. — Relevar um carai. Se ele crescer pra cima de mim, vai dar r**m. Pode ser filho do Papa ou do d***o, comigo é no limite. Melhor dormir com um olho aberto — mandei seco. Ele deu risada, colocou comida na boca e fez toque comigo. — Tu devia ter vindo antes, irmão. A favela tá pedindo socorro. Agora os cria vai entender que crime não é creme, é responsa, disciplina, visão de futuro. E tu tem cara de quem vai botar tudo no eixo — ele soltou comendo. — Fala uma fita… e a tal da Bruna? Quem é essa p***a? — perguntei, só de lembrar já me veio a raiva. Ele arregalou os olhos e gargalhou. — Já chegou? Sabia que o Macaco ia apelar. Mano, Bruna tá aqui pra fuder tua cabeça. A mulher é a tentação em forma de gente. Gostosa até demais. Mas cuidado: é protegida do sub também. Pode aproveitar? Pode. Mas sabe como é… se ela grudar, já era. Só digo uma coisa: na cama, ela vale o risco — ele falou e riu de novo, e eu só balancei a cabeça, bolado. Se esses cara soubessem que o pai aqui tá em modo padre, abstinência forçada, iam entender que o psicológico já tá no limite. A mina quase me puxa pra um abismo, e eu tentando manter a postura. Terminamos de comer, a Karem veio recolher os pratos, e o LD levantou chamando uns menor que tavam perto do restaurante. — Fala, chefe! — eles cumprimentaram, se aproximando. — Esse aqui é o novo comandante, direto do RJ pra Bahia: NH! Já pode espalhar que a favela agora tem gestão e o homem é p**a! — ele falou com orgulho, e os moleque já vibraram, fizeram toque comigo, na moral. — Quero que geral se adapte ao meu modo de trabalho. Amanhã cedo, sem falta, reunião no galpão. Dá pra desenrolar? — perguntei com autoridade. — Pode deixar, chefia — um dos menor respondeu, e os outros já foram vazando. Pela troca de olhar, deu pra sentir que alguns vão fechar comigo, outros com certeza são cria do Macaco. Mas eu não tô aqui pra amizade, tô aqui pra organizar o tráfico. — LD, vou começar a observar tudo. Analisar, entender quem é quem, e montar minha própria gestão. Se precisar, vou trazer alguém meu de confiança. Mas já adianto: quero tu por perto. Tu ocupava cargo de quê? — perguntei enquanto me levantava da mesa com ele. Ele assentiu e já foi me explicando. O jogo tinha começado. Agora, ou eles me acompanham… ou vão sair do tabuleiro. — Tô na gerência ainda, mas não me apego não. Se precisar mexer no meu cargo, tá suave, chefe. Eu tô aqui é pra somar, independente da posição — LD mandou na moral, e nós já tava saindo do restaurante quando o carro do Macaco passou devagarinho na nossa frente. Ele apontou o dedo na direção da gente, naqueles dois toquinho de pistola, querendo pagar de malandro. Atrás dele, três motos cheia de cria, tudo me olhando com aquela cara de quem quer arrumar confusão. O que eles não sabem é que da onde eu vim, cara feia é fome de comida ou falta de b****a. Só encarei de volta, sem abaixar a cabeça. Fala tu, maluco acha que é quem? Saindo do restaurante, LD me levou pra dar um rolê nas bocas auxiliar. Quando colamos na principal, já mandei parar. — Freia aí. Quero entrar nessa p***a. Ver de perto como tão tocando essa p***a aqui — falei, pulando da moto com o olhar cortante. Descemos, encostamos na entrada. Tinha dois vapor na contenção, fizemos o toque. LD me apresentou, os menor ficaram tudo meio tensos, mas respeitaram. Já no corredor, o cheiro bateu forte. Parecia um lixão. — Que p***a de fedor é esse, mano? Isso aqui tá um chiqueiro, c*****o! Como é que vocês conseguem trabalhar assim? Manda alguém dar um jeito nessa merda. Não precisa luxo, não, mas higiene é o mínimo. Boca não é desculpa pra viver no lixo não — soltei bolado, já entrando, olhando tudo com olhar de chefe. LD sacou logo o caderninho e foi anotando. Ali eu entendi que o moleque quer mesmo trabalhar. Tá mostrando serviço. Pode ser que seja visão ou só medo, mas se continuar assim vai virar um dos meus. — Já tinha avisado o Macaco sobre isso. Mas ele dizia que não ia gastar p***a nenhuma com limpeza. Só queria curtição, gastava o nosso dinheiro, dinheiro da comunidade, em p*****a, droga e farra. Enquanto isso aqui virava um lixão — ele falou, com nojo na voz. — Se isso aqui tá nesse estado, imagina o posto, o colégio e o mini-hospital que vocês têm por aqui. Vou te dizer logo: comigo não tem essa. Quer roubar meu dinheiro? Beleza, mas não encosta em saúde e educação. Criança é prioridade, c*****o. Já vi que não vai ser por pouco tempo… só saio daqui quando essa p***a estiver organizada como tem que ser — respondi já de cabeça feita. Saímos dali, visitamos mais umas áreas. Paramos na pracinha, troquei umas ideias com uns valores antigos da comunidade, conversei com comerciantes, fiz toque com geral. Já deixei avisado: — Reunião 8h no galpão. Às 9h quero geral na boca. O trampo vai começar cedo, visão? A galera acenou, e eu montei na moto e meti marcha pra casa. Entrei pela garagem, passei pela lateral da cozinha, e quando virei no corredor dei de cara com a Bruna, de costas, só de top e calcinha, na pia, cortando alguma coisa. Já ia seguir direto pro quarto, nem querendo treta… mas ela não deixa. — Oi, chefinho… senta aí que tô terminando um rango gostosinho pra nós. A gente janta e depois tu me janta também — ela falou com um sorriso de putona, piscando pra mim. Nem dei moral. Só revirei os olhos e subi direto pro meu quarto. Não vim aqui pra brincadeira. Entro no cômodo, pego o celular e vejo que tá descarregado. Boto no carregador, vou pro banheiro, jogo uma água no corpo pra aliviar o calor e saio de toalha mesmo. Quando volto, pego o celular que já tinha reiniciado. E aí, toma na alma: mensagem da Laura. Respirei fundo, coração acelerou no peito como se fosse explodir. Mas já tava tarde. Não era hora de mandar mensagem com a cabeça quente. Coloquei o celular na mesinha, deixei terminar de carregar. Amanhã eu resolvo essa p***a. Acendi uma verdinha, dei duas tragadas, me joguei na cama e fechei os olhos. Amanhã o bagulho vai começar de verdade. E comigo no comando, ou anda na linha... ou vai cair. Continua......
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