A aposta Parte I

1158 Palavras
Maria Luiza Azevedo Desde aquele dia Malu não viu mais seu chefe i*****l. O acordo chegou por e-mail para a aprovação como havia solicitado, e era realmente um valor justo, embora tenha que passar um bom tempo pagando. E foi isso. Dois dias se passaram sem estresse, apenas dias comuns de trabalho, nos quais estava trabalhando em horário integral já que a faculdade ainda estava de férias. As horas extras são sempre bem vindas. Mas a noite da tal festa beneficente chegou e ela não estava nem um pouco a fim de ir. — Você não vai assim! — Patrícia apontou para a calça jeans e a blusinha frente única fresquinha que vesti. — O que tem minha roupa? Quer que eu vá com aquelas roupas normais de trabalho? Já uso saia lápis e blusa de seda todos os dias! — Não uma roupa de trabalho, mas um vestidinho de festa cairia muito bem. — Não tenho roupa de festa — comenta a verdade, mas ela sempre assaltava o armário da Paty se precisasse de um, então, essa não era uma desculpa convincente. — Malu, pelo amor, venha... vamos escolher um lindo vestido de festa pra você. Ela arrasta seu corpo desanimado para o quarto da amiga, pois não tinha a menor vontade de se arrumar para essa festa. Sansão se arrasta logo atrás, parece refletir seu desânimo. Coitado do gato. Só estava indo porque Luana disse que precisava pelo menos estar presente, que essa atitude garantiria um bom olhar do chefe sobre a sua pessoa. — Não estou a fim de ir a essa festa. Estou indo obrigada. — Mas seu chefe não precisa descobrir isso só de olhar pra você. Tome, use este. Pegou o vestido vermelho de suas mãos e o entregou no mesmo momento. — É uma festa beneficente e não uma para conquistar um homem, Paty. Olha o decote do vestido, tanto na frente quanto nas costas. E a altura dessa f***a? — Ah, você é muito chata. Não vejo o motivo de não poder seduzir um homem em uma festa beneficente. — Ela continua a fuçar suas coisas. — Achei um perfeito, sua cara. Não aceito recusa quanto a este. Ela ergueu um vestido nude de tecido levemente brilhoso e leve. Longo com a saia soltinha, alças finas, gola boba e nas costas um decote bem generoso. Realmente muito bonito. — Não acha demais para uma festa na empresa? Parece que vou ser madrinha de um casamento com esse vestido. — Você já viu como as pessoas vão a esse tipo de festa? Pego umas fotos na internet e vai ver que não estou exagerando. Malu respira fundo. — Tá, tudo bem. Retira a sua humilde calça jeans e camiseta e veste o vestido lindo que a amiga emprestou. Ela se olhou no espelho e realmente estava muito melhor assim. Malu gira o corpo na frente do espelho para ver o movimento da saia. Lindo mesmo. — Calça essa sandália — exige, mas ela olha apavorada para os saltos gigantes que ela entregava. — Tudo tem limite, Paty. Esse salto, não. — Ah, mas vai ficar tão bonito! — E o meu pé vai estar morto em menos de uma hora. Calça a sua sandália velha de guerra, mas que ainda tem uma boa aparência. Bom de calçados antigos é que não costumam fazer calo, e o que ela menos precisava é de um calo pra ficar apertando no escarpin no dia seguinte. Cabelos bem escovados, uma maquiagem leve e Malu estava pronta pra batalha. Minutos depois estaciona seu carro na garagem da empresa. O clima de festa podia ser percebido pelo lado de fora com os balões e cartazes. Meio brega, mas tudo bem. Chega no salão reservado para eventos da empresa poucos minutos depois. A porta do elevador se abre revelando uma música ambiente, com pessoas vestindo trajes de gala. Viu que precisava agradecer a Paty por não ter vindo de calça jeans. Os homens usando ternos finos e conversando elegantemente de olho nas mulheres ao redor, parece até cena de filme. Ela viu Luana conversando com mais dois colegas de trabalho, a Júlia e o Arnaldo. — Boa noite — cumprimentou e eles a encaram pasmos com sua bela aparência, graças ao vestido de sua amiga. — Está linda, Maria Luiza — Luana elogia. — Obrigada, amei seu vestido. Está linda também — retribui o elogio. Alguns sorrisos e assuntos bobos depois, Júlia resolve abrir a boca. — Soube que enfrentou o chefe — comenta, levando a taça com espumante aos lábios. — Fofocas, querida — Pega seu próprio espumante quando o garçom passa — Só levei até ele minha opinião sobre um acordo, nada demais. — Bebe um gole da bebida. — Fofoca ou não, o fato é que ele não tira os olhos de você — Arnaldo fala. — O quê? — Malu questiona não acreditando naquilo. — Arnaldo tem razão, o chefe está te olhando — agora é Luana quem fala e ela se vira para ver se é verdade e se depara com aqueles olhos escuros focados em si. O sorriso s****o crescendo em sua face conforme aproxima a taça de sua boca. “Cara de s****o e cafajeste, só se eu fosse louca que me deixaria levar por esse olhar sedutor.” Pensa. — Ele está te comendo com os olhos — Júlia comenta também o encarando e depois vira seus olhos verdes na minha direção — Cuidado com esse homem, ele não presta. É o que as mulheres da empresa sempre espalham sobre ele. — Vai passar fome se depender de mim — Seus amigos riem com o comentário. — Ele tem seus meios de persuadir — Arnaldo fala — Já escutei umas histórias. — Ah coitado, só tenho isso a dizer a ele. Luana arregala os olhos, assim como Júlia e Arnaldo logo depois. — Ai, meu Deus, ele está vindo para cá — a loira de olhos verdes se manifesta — E não é pra falar comigo nem com Luana. — Muito menos comigo — constata seu amigo. O único homem da roda. Vira-se para constatar que ele se aproximava lentamente, como um predador com medo de assustar a sua presa. Bem lentamente até o momento de dar o bote. “Ele acha que eu não sei.” — Boa noite, senhoritas — cumprimenta educadamente a todas com aquele sotaque ridículo — Arnaldo — acena para o amigo que ergue a taça em cumprimento. — Boa noite — cumprimenta simplesmente sem o encarar. — Posso conversar com você, senhorita Azevedo? Ela olha para seus amigos que estão com cara de espanto. O que ela podia fazer, precisava ouvir o que ele tem a dizer. “Vai que ele me diz que não sou bem vinda na festa e que eu devo ir embora. Faria uma carinha triste pra fingir, mas sairia dando pulinhos de alegria.” — É claro, senhor Smith.
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