Pré-visualização gratuita Uma viagem
Allan Smith
Sempre que pode Allan se perde nos braços de uma gata, e principalmente agora que ele estava de saída para uma viagem de negócios, não poderia viajar antes relaxar e curtir a noite com seu amigo. O único que restou depois de toda m***a que aconteceu na sua vida.
A morena rebola na frente do homem, segurando em uma trave de pole dance e girando seu corpo com precisão profissional e sensual.
O som é tão alto que, mesmo na cabine vip, invade o espaço com força o suficiente para tremer os ossos. As luzes coloridas girando e refletindo no corpo esbelto da mulher, deixava-a ainda mais maravilhosa.
— Gostosa pra c*****o — comenta com o amigo enquanto solta uma lufada de fumaça do charuto caríssimo pelo nariz e pela boca.
— Você não disse que ia para o Brasil esta noite? — Bryan vira o pulso, observando o relógio — Já passa das onze, meu amigo, vai perder seu voo.
— O voo pode ir se ferrar porque vou levar essa mulher pra cama, isso sim. — Las vegas é conhecida pela vida noturna e ele amava cada cantinho daquele lugar.
— E como vai fazer? Você tem compromissos lá, não é? Foi você que disse!
Ele sentia que seu amigo às vezes podia ser um pé no saco.
— Eu pago um jato, dinheiro não é problema. Você sabe. — Viro o copo do whisky Dalmore, meu preferido, na boca.
— É, eu sei, você faz questão de esfregar isso na cara de todo mundo. — Os olhos azuis de seu amigo o fuzilavam.
— Quando torrei quase toda a herança que recebi de meu pai, todos fizeram questão de esfregar na minha cara que eu era irresponsável, que perdi o dinheiro que meu pai levou uma vida para acumular, com jogos de azar — Ele enche o copo com mais da bebida âmbar — Então, meu amigo, esfrego na cara de todo mundo, sim, que hoje sou ainda mais rico que meu pai um dia foi.
— Aquela época foi uma m***a — comenta ele enquanto enche o copo com a bebida forte — Você não saía daquele buraco, e ainda brigava conosco quando tentávamos te avisar que ia acabar desperdiçando todo o dinheiro da sua família.
— Eu era jovem. — Bryan gargalha ao fim de seu argumento.
— Jovem? Cara, você tinha 31 anos. Minha mãe diz que se não virar homem até os 30, nunca mais se tornará um. — Ele vira o líquido de uma vez.
A morena sai andando, rebolando e ele se vira em sua direção, totalmente hipnotizado, seguindo-a com o olhar como um cão no cio. Uma linda loirinha cacheada toma seu lugar na trave, a mulher agacha na frente dele com as pernas abertas, esfregando-se na trave e ela já tinha toda a atenção de Allan.
— Bom, hoje sou um homem. Precisei quebrar a cara, largar os jogos, reerguer os negócios do meu pai quase que do zero, mas dez anos depois, posso dizer que sou um homem responsável e bem sucedido.
— E esse homem responsável tem que pegar o voo em... — Ele volta a olhar as horas — 20 minutos.
Smith suspira, pois seu amigo tem razão. A mala já estava no carro. Ele só quis se encontrar com Bryan antes de viajar para o Brasil, pois ficará por lá alguns meses e não poderão se encontrar tão cedo. Allan sabe que sentirá saudades de Las Vegas, da sua casa, do seu país e do seu amigo, mas o dever o chama.
Ele se ergue soltando mais uma baforada do charuto Arturo Fuente, vira o último gole de bebida, e abraça Bryan.
— Até daqui três meses — fala batendo em suas costas com força.
— A gente se fala pelas redes sociais. — Ele retribui o abraço forte. — Suas irmãs não vão se despedir de você?
— Aquelas três pragas? — fala e se aproxima da loira que larga a trave e vai na sua direção. O homem a segura pela cintura e a puxa para perto, prendendo seu corpo ao seu — Aquilo lá não são irmãs, são pragas e já fiz questão de afastá-las da minha vida.
Sussurra no ouvido da loirinha gostosa a promessa de que, quando retornar, irá fazer uma festinha particular com ela e a morena. Sorrindo, a gostosa sai rebolando com a calcinha fio dental minúscula bem cravada.
— São suas irmãs — comenta o amigo, enquanto caminham juntos para a saída da boate.
— Elas não se lembraram desse detalhe quando precisei de ajuda. Pelo contrário, só me colocaram mais para baixo e agora que sou um magnata, ficam querendo cheirar meu saco.
O amigo resmunga algo.
— Então acho que não vai gostar da surpresa...
A porta se abre e o ar gelado do lado de fora invade o ambiente. A noite em Vegas estava especialmente gelada naquela noite.
— O quê? Não vai me dizer que...
Bryan coça a nuca e retorce a face. Allan não gosta nem um pouco do que está compreendendo.
— Me desculpa, Allan , elas me pediram. Pareceram tão sinceras que...
— p***a, Bryan, você não fez isso!
Infelizmente ele havia feito e ele teria que aguentar o que estava por vir.
— Já que fez a m***a, virá comigo e distrairá as cobras — exije impaciente, já que foi o amigo que resolveu ajudar aquelas três.
Ele suspira, mas balança a cabeça em confirmação.
— Tudo bem, vamos nessa.
Os dois entram no carro e Allan dá a partida, seguindo para o Aeroporto Internacional McCarran, onde pegará um voo para o Rio de janeiro no Brasil.
Ao chegar no local, estaciona o veículo e se prepara para a tal surpresa que, para ele, tem nada de agradável.
— A Liv não é má pessoa — argumenta Bryan e seu amigo o encara sério.
— É sério isso? Olha, se você gosta dela, eu te dou os pêsames, mas não farei nada para impedir. — Retira a mala do porta malas e dá a chave para seu amigo. Já que ele veio o acompanhar, não precisará que um funcionário venha buscá-lo no dia seguinte.
— Cara, você está falando da sua irmã.
Pequenos flocos de neve começam a cair, cortando a noite gelada. Parecia até um presságio.
— Fala como se não as conhecesse. Vamos, não era você que estava me apressando?