Allan anda a passos largos, olhando as horas em seu relógio Rolex, vendo que o voo sai em cinco minutos.
Assim que faz o check-in, ouve o som de saltos e, ao se virar, ele as vê.
— Allan , ia viajar e nem nos avisou! — protesta Emily, como se tivesse direito de dizer alguma coisa.
— Cuidado pra não pegar uma doença naquele lugar. É tanto mosquito que...
— Você nunca foi ao Brasil, Sophia, como sabe sobre os mosquitos que tem lá? — Ele a corta.
— Mas é sério, Allan , tome cuidado. Parece que a violência por lá tem aumentado, tome muito cuidado — Olívia, apelidada como Liv, complementa.
— Houve uma época que vocês desejaram que eu morresse, agora se preocupam com meu bem estar e saúde? — Inquire com o olhar frio e cortante ao mesmo tempo que uma voz feminina soa, anunciando a última chamada para o voo. — Me deem licença, vou acabar perdendo a minha viagem.
Ele passa por elas sob argumentos e protestos, mas as ignora. Aperta a mão de seu amigo, o único ali que valia a pena.
— Boa sorte com essas três — Deseja à guisa de despedida e avança na direção do portão de embarque.
Allan Smith costumava viajar para os países onde tem hotéis instalados todos os anos para verificar pessoalmente se está tudo em ordem. Em alguns deles, como é o caso do Brasil, faz doações para a cidade que sedia seu negócio no país. Uma festa beneficente anual é realizada, onde os funcionários também têm a oportunidade de participar, cada um doando o que pode. Então ele faz uma doação em nome de toda a empresa e uma doação pessoal.
Essa festa acontecerá em poucos dias e precisará estar lá para o grandioso evento. Uma sequência de eventos se seguirão, mas pretendia resolver tudo o mais rápido possível para que possa tirar alguns dias de folga e aproveitar a estadia para visitar as belas praias do litoral carioca do Brasil. Diferente do local onde cresceu, lá nesta época do ano faz muito calor.
Ele se acomoda na cadeira, se preparando para uma longa viagem. Até o aeroporto do Rio de Janeiro serão mais de dez horas de viagem. E então viajará de carro para a cidade litorânea de Arraial dos Anjos.
Ele tenta descansar durante a viagem. Tira um cochilo, mas é muito tempo na mesma posição e seu joelho protesta. O incômodo de ficar tanto tempo na mesma posição o impede de descansar. Felizmente já tem um apartamento de luxo à sua espera na cidade, somente quando chegar que conseguirá descansar de verdade.
Ele sai do avião, e em mais ou menos uma hora depois, já estará no carro que o levará a seu destino final. A possibilidade de esticar as pernas foi fantástica, mas uma viagem de mais duas horas o aguarda.
O cansaço ainda é avassalador quando entra no carro de luxo que estava à sua espera no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O clima é completamente diferente e ele já pôde perceber a mudança brusca na temperatura.
Em alguns minutos ele chega no apartamento que escolheu com a ajuda de um corretor enquanto ainda estava nos Estados Unidos. O lugar é exatamente tudo o que o homem prometeu, e a vista da praia é ainda mais bonita. O sistema de ar condicionado deixa a casa em uma temperatura muito agradável enquanto o calor do lado de fora chega aos 40°C.
São quase três da tarde quando eke consegue deitar na cama macia e dormir para tirar do corpo todo o cansaço acumulado devido as 12hs de viagem.
O som estridente de seu telefone o desperta.
— d***a! — Estende a mão para pegar o aparelho que está em algum lugar entre os travesseiros macios.
Olha na tela e vê o nome de Roger brilhar na tela. O homem é seu braço direito na empresa ali no Brasil, e o representa quando Allan está fora.
— p***a, cara, sabe quantas horas eu fiquei sentado em um avião? — Esbraveja ao telefone.
— Sabe que horas são? A hora perfeita pra curtir a noite, meu amigo! — fala alegremente.
— Estou morto de cansado. Tão morto que nem banho tomei, só me joguei na cama e apaguei.
— Então tome um banho, fique bem cheiroso, pois vamos curtir uma boate nova maravilhosa. Você vai adorar, meu amigo.
— Ah, p***a, eu tô tão cansado.
— Tá ficando velho, Allan ? Prefere um filminho com três gatos gordos do seu lado?
— Vá se ferrar, Roger.
— Então levante essa b***a e vamos curtir a noite em Arraial dos Anjos.
Suspira derrotado. Só a possibilidade de terminar a noite com uma linda mulher ao seu lado o impulsiona a se levantar.
— Você venceu. Onde nos encontramos?
— Te mando a localização.
— Ok.
Não espera a resposta de seu amigo e vai se arrumar para a noite. Depois de um banho revigorante, se sente pronto para a curtição e com tudo de melhor que o dinheiro pode pagar.
Vestido elegantemente, mas despojado, perfumado e com a chave do importado que mandou que alugassem para ele em mãos, Allan desce para a garagem. O esportivo azul claro brilha como novo. Bem do jeito que o magnata gosta: caro, caro e caro.
Quando se acomoda, adiciona a localização da boate e então é guiado por ruas que são um verdadeiro caos. O engarrafamento monstruoso e o barulho de buzinas o alertam que a chegada ao local não será nada fácil.
O trânsito flui lento, mas está andando, até que o semáforo se torna amarelo e ele reduz a velocidade do carro, em alerta, mas então ele sente uma pancada na traseira do carro. O som explode em seu ouvido e não acredita que m*l deixou o apartamento para ser recebido por uma batida logo no seu primeiro dia.
Indignado, sai do carro e dá de cara com uma morena linda, ela fala algumas coisas em sua língua que ele não entende perfeitamente, mas consegue ver claramente sua feição contorcida pela raiva. “Mas que p***a! Por que ela está brava comigo se foi ela que bateu em meu carro? Era pra eu estar nervoso, não ela.” Ele pensou.
Aproxima-se mais da moça, torcendo que sua noite não seja destruída logo no começo.