Valentina Narrando A mãe me olha com aquela cara de sempre, sabe? Da mulher que já viu muito e que não tem paciência pra migué. Eu respirei fundo, tentando segurar a ressaca e a raiva. — Desce, mãe. Desce e prepara um café forte que eu já vou. Vou jogar uma água fria no corpo e tomar um remédio pra dor de cabeça. Preciso acordar esse resto de juízo que sobrou. — Falo e ela me encara, aproxima a mão do queixo como se pesasse as palavras. — Se eu fosse você, fazia um teste. Pode ser gravidez. Esses métodos improvisados não são 100% confiáveis. Vai que o esperma tava nervoso e deu um pulo certo. — Ela fala sem dó. Ri, um riso curto, amargo. — Já sei que você está vendo mil coisas, mãe. Mas eu não vou ficar nesse drama de farmácia agora. Se for, que seja. Se Deus quiser me ajuda. — Fale

