Não tem pra onde correr

1619 Palavras
- Vampiros não existem.- digo abalada.- São apenas histórias que contam para criancinhas malcriadas dormirem. - Acredite no que quiser.- ele vai até a lareira.- É verdade. - Não, não é possível. - O que não é possível é você ser imune a persuasão.- ele diz e pude sentir a irritação em sua voz. Eu suspiro. - Você tentou me persuadir.- digo lembrando das palavras.- Queria que eu esquecesse do que houve, colocando lembranças novas no lugar. - Mas você resistiu.- rebateu.- E você nem precisou se esforçar. - Essa não é a questão, tá bem? Você podia ter me deixado ir, mas ao invés disso escolheu me atacar. - Eu não tive escolha. Os humanos não podem saber sobre nós, é uma das regras do equilíbrio. Se souberem, devemos fazê-los esquecer, ja basta os lobisomens. Eu sei que é injusto, mas é assim.- ele diz.- E eu estou muito encrencado, por que você já sabe demais. - Lobisomens também existem? - Eles estão em extinção. A última alcateia apareceu na Pensilvânia há alguns anos. - Tudo tá girando.- eu me apoio no corrimão da escada, ele sai de perto da lareira e me pega pelo braço.- Você é um vampiro. Que cliché. Ele ri. - Acabo de dizer quem eu sou e você responde "cliché" - Não entendo.- digo baixinho. - Me perdoe pelo alvoroço disso tudo. Ele abaixou a cabeça e depois foi em direção a parede cheia de pinturas. - Quantos anos você tem? - Dezoito.- Ele responde.- Na verdade tenho 172, mas... Meu queixo caiu. Ando rapidamente até a porta. - Aonde você vai?- ele pergunta vindo atrás de mim. - Eu vou pra casa.- eu paro na varanda.- Isso é loucura. - Eu não contei tudo. - Não precisa.- digo levantando as mãos para interrompe-lo.- Sério, isso é demais. Vai que é um sonho. Eu devo mesmo ter tropeçado e batido a cabeça na calçada. Saí da varanda apressada para chegar em casa. Tudo era um absurdo, por um momento eu quis acreditar naquilo, que ele era um vampiro. Parecia que havia uma parede de concreto bloqueando a verdade de mim. E eu não me esforçava para derrubá-la, por que eu tinha medo do que mais poderia ter do outro lado. **** Procurei Olive por todos os corredores da escola e não a encontrei, no banheiro feminino não estava, no ginásio não estava, até na sala de aula ela não estava. Ontem Vlad me contou que ele era um vampiro, e a minha reação não foi a melhor. Eu não estava me preocupando tanto com isso, eu apenas queria viver com a mesma visão de antes. Mas eu não podia mais, por que eu enxergava o mundo diferente agora. Droga... esperei tanto que fosse apenas um sonho ou que eu estava em coma. - Ah, eu te achei.- diz Olive vindo em minha direção. - Eu que te achei, procurei você por toda a parte, onde você estava? - Eu estava no refeitório. - É eu não procurei em toda a parte... - Você está bem?- Ela pergunta tocando o meu rosto.- Está meio pálida. - Deve ser o tempo. Está muito frio últimamente. - Se deve ser isso...- olhei para os corredores que estavam vazios, pensei ter visto alguém passar perto do portão que levava ao ginásio. Uma sombra.- Terra chamando Jean. Balanço a cabeça e presto atenção em Olive. - Desculpe.- eu esfrego os olhos.- Não tive uma boa noite. - O que houve?- Ela pergunta preocupada. Olive era a minha melhor amiga, eu confiava nela de olhos fechados e de mãos atadas. Eu queria contar que Vlad era um vampiro e que vampiros e lobisomens existiam. Mas isso só a faria achar que eu estava ficando maluca, e de qualquer forma, não era um segredo meu. Se eu contasse, alguma coisa r**m poderia acontecer. Como eu poderia contar? - Eu só fiquei trabalhando até tarde no projeto.- menti.- Nada demais. - Se você diz.- ela dá de ombros.- Liam está no campo sul, treinando pro próximo jogo da temporada. Eu vou vê-lo, quer ir? Faço que sim com a cabeça e sigo Olive até o corredor que levava ao campo. Há alguns dias eu me sentia confortável andando por esses corredores, eles não eram nada para mim. Mas alguma coisa mudou, talvez era só uma bobagem, mas eu não conseguia mais enxergar humanamente as coisas, eu poderia esbarrar em um vampiro a qualquer momento e eu nunca saberia. - Por favor me diga que o Aaron não vai estar lá. Ela me encarou. - Não, ele anda meio estranho ultimamente. Mas aquele garoto, Vlad, provavelmente vai estar. Um calafrio passou pela minha espinha. - O que tem ele? - Você não soube? Ele entrou pro time de lacrosse. - sério?- aperto os lábios.- Não diga.... *** O campo estava calmo, as inscrições estavam abertas desde a semana passada, vários novatos faziam o teste para entrar no primeiro time de lacrosse e os veteranos refaziam para manter a posição titular. As líderes de torcida não precisavam refazer o teste para continuar na torcida pois eram ginastas. Pam Delga era a capitã desde o ano passado, ninguém a trocava por uma nova capitã devido a sua experiência em campo. Ela lançou um olhar de reprovação a uma garota por não ter executado perfeitamente o movimento da pirâmide. - Como assim as inscrições acabaram?- Uma garota morena de olhos castanhos escuros perguntou para o treinador do time de lacrosse. - Você devia ter vindo a uma semana.- sua voz era calma.- Sinto muito, mas não posso fazer nada. Regras da escola. - Não é justo, eu fui transferida essa semana.- ela cruza os braços.- Por favor, não tem como abrir uma exceção? Ele se virou para encará-la. - Você deveria tratar disso com a capitã.- Ele se virou para o campo e a ignorou.- Isso já não é comigo mocinha. Ela bate o pé e xinga algo. - Parece que as coisas são diferentes por aqui.- Vlad diz se juntando ao meu lado.- Entediantes também. - É tão chato pra você? - É interessante. - Interessante?- coloco minha bolsa no banco.- Como tudo isso é interessante se é entediante? Ele passa por mim e aponta para as líderes de torcida. - Ali.- eu sigo o seu dedo.- Você era uma delas, não é? - Talvez. - Você era a capitã.- ele diz e encaro seu rosto risonho. - Andou me espionando? - Ah eu não preciso.- sua voz estava suave.- O patrimônio da escola está cheio de troféus e fotos. A maioria deles foi ganho por você em campeonatos.- ele não está mais olhando para as líderes de torcida.- Por isso é entediante, uma capitã dessas abandonou o título do nada e não apresentou motivos... Por que desistiu de tudo? - Por acaso isso é da sua conta? Ele me encara. - Não, não é. - Então por que age como se fosse?- pergunto estressada.- Por que simplesmente não me deixa em paz? - Uou! Calma...- ele recua com as mãos levantadas.- Foi m*l esquentadinha. - Esquentadinha?- pergunto retoricamente.- Não gosto que me espionem, só isso. - Eu só achei que eu deveria saber mais sobre você.- ele explica.- Eu descobri muitas coisas, sei que também é teimosa e tem o pavio curto... - Eu não tenho o pavio curto!- digo alto e olho para os lados.- Eu não tenho o pavio curto.- sussurro. Ele rir. - Sim, você tem. - Como você insiste.- passo as mãos no rosto.- Não tem nada pra fazer além de estar me estressando? - Eu vim jogar. - Bem, considerando a sua estrutura. Você vai se dar tão bem quanto os outros. - Estrutura?- seu sorriso era divertido. - Bem.. Você é musculoso e é um vampiro.. e também tem o perfil certo. - Ah, sim.- ele se dá conta.- Você me acha lindo. - O quê? Não, claro que não! - digo.- Quer dizer, você é lindo, mas eu..- levo a mão ao rosto envergonhada.- Você entendeu. - Entendi.- diz ele. Eu tento relaxar e pego ele olhando para mim. - O quê foi? - O quê foi o quê?- ele mostra um sorriso brilhante. - Por que você tá me olhando desse jeito? - Não posso te olhar?- pergunta se inclinando. - Não, não pode.- digo. Ele se levanta. - Ok nervosinha. Te vejo depois?- ele pergunta andando de costas. Dou um sorriso concordando com a cabeça. - Ei.- chamo.- Eu posso ter o pavio meio curto. Ele dá um sorriso exagerado e depois se vai pelo campo. Eu o vi conversando com o treinador do time de lacrosse. Ele tirou a camisa exibindo toda a sua musculatura, as curvas e realces no do seu abdômen, seu cabelo loiro escuro clareou ao sol e seu cordão foi refletido em seu peito nu. Ele pegou uma camisa qualquer e a vestiu. Quando ele andou pelo campo algumas líderes de torcida ficaram apoiadas umas nas outras olhando para ele como se ele fosse algo que elas nunca viram na vida. Ou algo que elas não poderiam tocar, só admirar. Tirei o casaco devido ao calor e joguei junto a minha bolsa, fiquei olhando o time jogar por alguns minutos e depois deitei no banco ouvindo música. Senti meus olhos dormentes de tanto ficar olhando para o sol e os fechei. Eu estava escutando "paper love" de Alie x, ainda podia ouvir as letras da música na minha mente enquanto eu caia no sono. " I believe, I believe in the things you do.. And i wanna believe, you believe that too.." "Eu acredito, eu acredito nas coisas que você faz.. E eu quero acreditar que você também acredita.."
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