Camila não dormiu.
O olhar decepcionado de Elliot a perseguiu como uma sombra. Ela revivia cada frase dita, cada palavra engasgada, cada vez que quis gritar “eu gosto de você” e não teve coragem.
Na manhã seguinte, Ivy acordou antes do sol nascer, chorosa, com febre.
Camila correu até o berço e a pegou no colo. A testa da bebê queimava.
— Shh, meu amor, calma. A mamãe tá aqui... — ela disse, sem perceber a troca do pronome. Já era instintivo.
Elliot entrou no quarto segundos depois, os olhos preocupados.
— O que houve?
— Ela tá com febre. Baixa, mas... tô monitorando. Já dei o antitérmico.
Ele se aproximou, tocou a testa da filha e assentiu.
— Você fez certo.
Por um momento, só existia Ivy entre eles.
Camila estava sentada com a bebê no colo, e Elliot ajoelhado à frente das duas, observando.
— Me desculpa — ele disse, baixinho. — Eu não devia ter gritado com você. Estava com raiva. Com medo. Perdido.
— Eu também. — A voz de Camila saiu embargada. — Mas eu nunca quis esconder. Eu só não soube como explicar sem parecer que... que o passado ainda me define.
tocou o rosto dela.
— O que eu vi ontem... mexeu comigo. Porque eu me importo. Com você. Mais do que deveria. Mais do que posso admitir.
Camila sorriu, cansada. E inclinou a testa contra a dele, Ivy entre os dois.
— Eu nunca quis bagunçar a sua vida.
— Talvez... você tenha feito o contrário. Talvez tenha colocado tudo no lugar.
Por alguns minutos, o silêncio foi confortável.
Mas eles sabiam: ainda havia feridas. E pessoas — como Chelsea, como Nicolas — dispostas a usar qualquer rachadura para separá-los.
A febre de Ivy cedeu ao longo da manhã. Camila a manteve no colo por horas, embalando suavemente enquanto Elliot observava, silencioso.
Quando a bebê finalmente adormeceu de vez, ele se aproximou por trás, colocando as mãos nos ombros dela.
— Obrigado — disse, a voz baixa, íntima. — Por cuidar dela. Por ficar mesmo quando tudo parecia desmoronar.
Camila se virou devagar, os olhos ainda vermelhos da noite m*l dormida.
— Eu fico porque quero, Elliot. Mas não sei até quando posso continuar sendo a intrusa na sua vida.
Ele a puxou para mais perto, colando os corpos com firmeza, como se ela pudesse desaparecer a qualquer instante.
— Você não é intrusa. Você é a única coisa que faz sentido aqui dentro — murmurou, tocando o peito.
A boca dele desceu até o pescoço dela, e Camila estremeceu, os dedos cravando no tecido da camisa dele.
Beijou-a com fome, com necessidade, como se quisesse apagar todas as palavras não ditas da noite anterior. Camila retribuiu com igual intensidade, se deixando conduzir até a cama dela, onde os dois se perderam um no outro.
Ali, entre lençóis e sussurros ofegantes, os dois selaram um pacto que ainda não ousavam nomear.
Mas do lado de fora, o mundo esperava sua chance de explodir.