Episódio 13

503 Palavras
Camila não dormiu. O olhar decepcionado de Elliot a perseguiu como uma sombra. Ela revivia cada frase dita, cada palavra engasgada, cada vez que quis gritar “eu gosto de você” e não teve coragem. Na manhã seguinte, Ivy acordou antes do sol nascer, chorosa, com febre. Camila correu até o berço e a pegou no colo. A testa da bebê queimava. — Shh, meu amor, calma. A mamãe tá aqui... — ela disse, sem perceber a troca do pronome. Já era instintivo. Elliot entrou no quarto segundos depois, os olhos preocupados. — O que houve? — Ela tá com febre. Baixa, mas... tô monitorando. Já dei o antitérmico. Ele se aproximou, tocou a testa da filha e assentiu. — Você fez certo. Por um momento, só existia Ivy entre eles. Camila estava sentada com a bebê no colo, e Elliot ajoelhado à frente das duas, observando. — Me desculpa — ele disse, baixinho. — Eu não devia ter gritado com você. Estava com raiva. Com medo. Perdido. — Eu também. — A voz de Camila saiu embargada. — Mas eu nunca quis esconder. Eu só não soube como explicar sem parecer que... que o passado ainda me define. tocou o rosto dela. — O que eu vi ontem... mexeu comigo. Porque eu me importo. Com você. Mais do que deveria. Mais do que posso admitir. Camila sorriu, cansada. E inclinou a testa contra a dele, Ivy entre os dois. — Eu nunca quis bagunçar a sua vida. — Talvez... você tenha feito o contrário. Talvez tenha colocado tudo no lugar. Por alguns minutos, o silêncio foi confortável. Mas eles sabiam: ainda havia feridas. E pessoas — como Chelsea, como Nicolas — dispostas a usar qualquer rachadura para separá-los. A febre de Ivy cedeu ao longo da manhã. Camila a manteve no colo por horas, embalando suavemente enquanto Elliot observava, silencioso. Quando a bebê finalmente adormeceu de vez, ele se aproximou por trás, colocando as mãos nos ombros dela. — Obrigado — disse, a voz baixa, íntima. — Por cuidar dela. Por ficar mesmo quando tudo parecia desmoronar. Camila se virou devagar, os olhos ainda vermelhos da noite m*l dormida. — Eu fico porque quero, Elliot. Mas não sei até quando posso continuar sendo a intrusa na sua vida. Ele a puxou para mais perto, colando os corpos com firmeza, como se ela pudesse desaparecer a qualquer instante. — Você não é intrusa. Você é a única coisa que faz sentido aqui dentro — murmurou, tocando o peito. A boca dele desceu até o pescoço dela, e Camila estremeceu, os dedos cravando no tecido da camisa dele. Beijou-a com fome, com necessidade, como se quisesse apagar todas as palavras não ditas da noite anterior. Camila retribuiu com igual intensidade, se deixando conduzir até a cama dela, onde os dois se perderam um no outro. Ali, entre lençóis e sussurros ofegantes, os dois selaram um pacto que ainda não ousavam nomear. Mas do lado de fora, o mundo esperava sua chance de explodir.
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