Episódio 12

632 Palavras
No hotel em San Francisco, Elliot olhava fixamente para o teto do quarto. O quarto executivo cinco estrelas não oferecia paz. Camila estava estranha. Distante. E por mais que ele quisesse acreditar que era apenas o estresse, algo dizia que havia mais. Muito mais. Ele pegou o celular e ligou para casa. Chelsea atendeu. — Oi, maninho. Está tudo bem por aqui. — E a Camila? — Está... ótima — respondeu ela, numa voz doce demais. — Passou a tarde de hoje conversando com um certo rapaz no portão. Elliot se endireitou na cama. — Como é? — Um tipo bem latino, um charme vulgar. Parecia íntimo. Não me meti, claro. Só pensei que... talvez você quisesse saber. — Você viu isso e não me avisou antes? — Eu não sou sua babá, Elliot. — A voz dela agora estava fria. — Mas talvez devesse escolher melhor quem você coloca dentro da sua casa. Ele desligou sem responder. Algo queimava dentro dele. Raiva, ciúme, frustração. Mas, acima de tudo, uma certeza: precisava voltar. Agora. Camila não esperava a porta se abrir naquela noite. Muito menos ouvir o som grave e inconfundível da voz de Elliot ecoando pela sala. — Camila? Ela quase deixou a mamadeira de Ivy cair da mão. — Você... voltou? Ele entrou, vestindo ainda a camisa de alfaiataria azul, a mala de mão esquecida no chão. Os olhos dele, geralmente suaves quando pousavam nela, estavam duros. Sombrios. — Antecipei o voo. Não consegui ignorar a sensação de que algo estava... errado. Ela engoliu em seco. — A Ivy tá bem. Eu cuidei de tudo. Não houve nenhum problema com— — Quem era o homem que esteve com você aqui na frente da casa? Camila parou. O silêncio foi sua resposta. Um segundo longo demais. Elliot passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Então é verdade. — Não é o que parece — ela respondeu rapidamente. — Então o que parece? — A voz dele subiu um tom. — Minha irmã me liga dizendo que você estava no portão com um desconhecido, e você não me conta nada? Você me responde mensagens como se não quisesse que eu voltasse! — Porque eu não queria que você viesse com raiva. Não tem nada entre mim e ele, Elliot! — Mas já teve? Camila ficou em silêncio. Elliot riu, sem humor. — Ótimo. Ótimo. Uma babá que dorme comigo e recebe o ex-namorado na porta da minha casa. Que excelente manchete. Ela deu um passo à frente, ferida. — Não me reduza a isso. Você sabe que eu não sou esse tipo de mulher. — Então por que me escondeu? — Porque eu tive medo! — explodiu. — Medo de você pensar que eu ainda tinha laços com ele. Medo de perder a confiança da única pessoa que me deu uma chance aqui! Elliot a olhou com o maxilar travado. — Você não me deu escolha. Me deixou no escuro. Me fez parecer um i****a. — Você quer saber tudo? — os olhos dela brilharam de raiva e mágoa. — Aquele homem foi o primeiro que me partiu. Me deixou sozinha. Quando mais precisei. E agora está tentando se aproximar porque me viu feliz. Mas eu não quero ele. Eu quero... — ela parou, engolindo as palavras. — Você quer o quê? Ela hesitou. Mas não disse. Porque o medo ainda era maior do que a coragem. Elliot suspirou. — Não sei se consigo confiar em você, Camila. Não com a minha filha envolvida. Essas palavras perfuraram mais fundo que qualquer briga. Camila sentiu o chão se partir sob os pés. Mas apenas balançou a cabeça e saiu da sala, sem olhar para trás. Naquela noite, dormiram em quartos separados. E pela primeira vez... parecia que havia um abismo entre eles.
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