Episódio 11

618 Palavras
Elliot estava em seu quarto de hotel em San Francisco, olhando para o celular. Nenhuma mensagem de Camila desde o dia anterior. Era estranho. Ela costumava mandar fotos de Ivy, contar alguma pequena travessura da bebê ou apenas perguntar se ele estava comendo direito. Mas agora... silêncio. Algo não estava certo. Ele desbloqueou o celular e escreveu: “Está tudo bem por aí?” Camila respondeu quase uma hora depois. “Tudo certo. Ivy dormiu agora. Boa viagem pra você.” Frio. Distante. E errado. Elliot conhecia Camila o suficiente para saber que aquela mensagem não era dela. Não de verdade. Algo tinha acontecido. Ele podia sentir. Do outro lado, Camila segurava o celular com força. Ela queria contar tudo. Sobre Chelsea. Sobre Nicolas. Sobre o medo de ser exposta, humilhada, destruída. Mas não podia. Se ela contasse, Elliot poderia pensar que o envolvimento deles era um erro. Que ela representava risco à filha dele. Que a confiança dele havia sido m*l colocada. E Camila não podia perder Ivy. Nem Elliot. Então, pela primeira vez... ela escolheu o silêncio. E aquela escolha, por mais protetora que parecesse, começava a criar distância. No fim da tarde do segundo dia, Camila recebeu uma nova mensagem. Dessa vez, de um número conhecido: “Não vim te atrapalhar. Só quero conversar direito. Me dá 15 minutos. Estou aqui fora.” Nicolas. Ela hesitou, olhando pela janela. E lá estava ele. De pé na calçada, com as mãos nos bolsos, como se o tempo tivesse congelado. Os olhos castanhos, agora menos adolescentes e mais densos, fixos na entrada da mansão. Camila respirou fundo. Chelsea ainda não havia voltado do pilates, e Ivy dormia. Ela deixou o portão se abrir automaticamente e foi até ele, sem ultrapassar o limite da calçada. — Isso aqui não pode acontecer de novo, Nicolas. Ele levantou as mãos, como em rendição. — Só quero falar. Prometo que é a última vez. Ela cruzou os braços. — Fala. — Eu fui um i****a, Camila. Te deixei quando mais precisava. Sei disso. Mas... eu nunca esqueci você. Quando soube que estava aqui, trabalhando pra um CEO milionário, com essa menina nos braços... — Ele engoliu em seco. — Achei que você tivesse seguido em frente. Mas também achei que talvez, só talvez, ainda houvesse espaço pra mim. Camila riu, sem humor. — Você desapareceu, Nico. Eu tive que me virar. Vim pra outro país, sem nada, sem ninguém. E agora você aparece e quer... o quê? Um replay? — Não. Eu quero consertar as coisas. Ela balançou a cabeça. — Já é tarde. Muito tarde. Ele olhou para a casa atrás dela. — E esse cara? Esse CEO aí... você tá mesmo com ele? Camila hesitou por um segundo. E esse segundo foi suficiente. — Então é verdade. — A dor nos olhos de Nicolas misturava-se com orgulho ferido. — Ele sabe quem eu sou? O que eu fui? — Não é da sua conta. — Eu posso fazer disso minha conta. — A voz dele ficou mais baixa, mais ameaçadora. — Sabe como é... tem gente que paga bem por certas histórias. O público adora uma babá latina escandalosa. Camila sentiu o sangue gelar. — Vai me ameaçar agora? — Só tô dizendo que todo mundo tem um preço. Inclusive a verdade. Ela se aproximou, os olhos faiscando. — E você é a pior parte do meu passado. Mas se ousar tocar na minha vida, na minha menina — ela apontou para dentro, onde Ivy dormia —, eu juro que vai se arrepender. E então virou as costas e voltou para dentro. Do outro lado da rua, Nicolas ficou parado por um tempo... e depois sacou o celular.
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