Camila passou o resto da tarde em alerta. Cada barulho da rua fazia seu coração acelerar, como se Nicolas pudesse aparecer a qualquer momento. Mas ele não voltou.
No entanto, alguém já sabia.
— Belo passeio que você teve hoje — comentou Chelsea, assim que as duas ficaram a sós na cozinha, após o jantar. — Aquele homem com quem você falava... quem é mesmo?
Camila ficou imóvel por um segundo.
— Um conhecido do passado. Nada importante.
Chelsea riu, baixo.
— Tudo o que se enterra m*l, um dia retorna, não é? E aqui estava eu achando que só você e meu irmão tinham segredos. Mas parece que temos um triângulo surgindo.
— Não há triângulo. — A voz de Camila foi firme. — E também não há nada entre mim e ele.
— Isso importa? — Chelsea se aproximou, encostando o corpo casualmente à bancada. — Porque, veja bem... a imprensa adora esse tipo de drama. A babá envolvida com o CEO, o passado criminoso do ex... sim, sim. Bastaria um clique.
— Você não faria isso.
Chelsea sorriu, satisfeita com o medo no olhar de Camila.
— Claro que não. Não se eu tiver um bom motivo pra manter minha boca fechada.
Camila estreitou os olhos.
— O que você quer?
— Você fora da vida do meu irmão. Ou melhor... longe da cama dele. Continue sendo a babá perfeita. Cuide da Ivy. Mas não ouse imaginar um futuro que não pertence a você.
Camila sentiu um gosto amargo na boca.
— Você está me chantageando.
— Estou protegendo o que resta da reputação da minha família — ela respondeu, fria. — E você vai colaborar. Ou prefere que a primeira página da Forbes anuncie o escândalo da “brasileira interesseira que dorme com patrão e ex-traficante ao mesmo tempo”?
Camila apertou os punhos.
Chelsea se virou e saiu da cozinha com a mesma calma que entrou, deixando o cheiro do perfume doce e a tensão sufocante atrás de si.
Camila olhou pela janela, o céu de Manhattan salpicado de estrelas. Lá fora, o mundo seguia em frente. Mas dentro dela, um turbilhão se formava.
Ela precisava decidir: fugir... ou lutar.