No dia seguinte, Camila acordou antes mesmo de Ivy. A cabeça girava com o peso das mensagens anônimas, das palavras afiadas de Chelsea e da saudade irracional de Elliot.
Depois do café da manhã, enquanto passeava com Ivy pelo quarteirão, um carro preto estacionou do outro lado da rua. A porta se abriu.
Um homem saiu.
Camila congelou no lugar.
— Nicolas?
O passado veio como uma avalanche.
Nicolas tinha sido seu namorado no Brasil. O primeiro. O que prometeu o mundo e desapareceu quando ela mais precisou. Agora
estava ali, em Nova York, diante dela, como se o tempo não tivesse passado.
— Cami... Eu te procurei por todos os cantos. Acha mesmo que eu deixaria você escapar pra sempre?
Ela recuou um passo, protegendo Ivy nos braços.
— O que você quer?
— Conversar. Só isso. Vim a trabalho. Te vi em uma foto... e eu precisava te ver. Você tá linda. Tão mulher...
Camila não queria ouvir. Não ali. Não com Ivy.
— Vai embora, Nicolas.
— Me escuta, por favor! Eu mudei. Eu tô limpo, tô trabalhando direito. Eu só... eu ainda penso em você.
O olhar dele era intenso. E não era mais aquele garoto do passado. Era um homem. E parecia determinado.
Camila respirou fundo.
— Isso não é hora. Nem lugar.
— Então me dá uma chance. Um almoço. Uma conversa. Qualquer coisa. Por tudo o que a gente foi.
Ela hesitou por um instante.
Mas Ivy se remexeu no colo e olhou pra ela com aqueles olhos grandes e confiantes.
Camila balançou a cabeça.
— Eu não sou mais aquela garota que você deixou pra trás. Vai embora, Nicolas.
E saiu andando sem olhar para trás.
Mas o coração... esse sim, bateu mais forte. Porque o passado, às vezes, aparece justamente quando o presente começa a significar algo real.