Episódio 8

479 Palavras
Elliot partiu no início da tarde. Camila observou pela janela o carro preto desaparecer na curva do condomínio, sentindo uma pontada de vazio no peito que ela mesma se recusava a nomear. Era apenas uma viagem de negócios. Três dias. Setenta e duas horas. Mas a mansão de mármore e janelas amplas parecia maior — e mais gelada — sem ele por perto. Camila passou a tarde brincando com Ivy no jardim. Pintaram com os dedos, fizeram castelos de areia e riram juntas como se fossem mãe e filha. A pequena corria de um lado para o outro com as bochechas sujas de tinta, rindo de coisas simples — e Camila ria junto, tentando esquecer a voz venenosa de Chelsea ainda ecoando em sua mente. No fim da tarde, quando Ivy já cochilava em seu berço, Camila foi surpreendida por uma notificação no celular. Uma mensagem anônima. “As viúvas m*l enterram os maridos e os CEOs já colocam a babá na cama. 🐍 Boa sorte, querida.” Seu coração parou por um segundo. Camila abriu as redes sociais. Nada de fotos comprometedoras, mas já havia comentários em perfis de fofoca sobre a “nova babá quente” da filha do CEO Lancaster. A mão dela tremia enquanto deslizava o dedo pela tela. Como isso tinha começado tão rápido? Na mesma hora, a porta do quarto se abriu. Chelsea. — Ah, que bom que está de pé. Queria conversar. Camila virou-se devagar. — Pode falar. Chelsea estava com um copo de vinho na mão, e o vestido colado ao corpo parecia mais adequado para um coquetel noturno do que para estar em casa. — Eu sei que você acha que meu irmão é um príncipe encantado. E talvez ele até seja — para mulheres que ele pretende manter por pouco tempo. Camila se manteve em silêncio. — Mas você não vai durar aqui. Porque você não pertence a esse mundo, Camila. Pode até ter um corpo bonito e saber cuidar de uma criança, mas... isso não te dá status. A raiva subiu feito fogo pela espinha de Camila. — Com todo respeito, Chelsea. Eu não estou aqui pelo sobrenome do seu irmão. E também não estou à venda. — Não? — Chelsea arqueou uma sobrancelha. — Que curioso. Porque você já está na cama dele. O ar pareceu sumir por um instante. — Você não sabe nada sobre mim. — Sei o suficiente. — Ela deu um gole no vinho e virou-se. — E também sei que mulheres como você são passageiras. Como uma estação. No máximo, primavera. Bonita, mas curta. E então saiu, deixando para trás apenas o perfume doce e o veneno das palavras. Camila sentou-se à beira da cama e respirou fundo. Ela não sabia quanto tempo aguentaria aquela pressão. Mas por Ivy. Por Elliot. E por si mesma... Ela não pretendia ir embora tão cedo.
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