Camila servia o café da manhã para Ivy quando Chelsea desceu as escadas como se fosse dona do lugar. Saltos altos, cabelo impecável, perfume doce demais para aquela hora da manhã.
— Bom dia — disse Camila, tentando ser cordial.
— Hm. — Chelsea lançou um olhar breve, mas não respondeu.
Camila fingiu que não se importava. Seguiu arrumando o pratinho com frutas da bebê e distraindo Ivy com uma colher de plástico em forma de girafa.
Chelsea, porém, não parava de observá-la. Sentou-se à ilha da cozinha com uma expressão analítica, como quem avalia um inimigo invisível.
— Então... — ela começou, pegando uma xícara de café. — Você dormiu aqui de novo?
Camila sentiu o rosto queimar. Manteve o foco em Ivy.
— Trabalho aqui. É natural que passe a noite quando necessário.
Chelsea sorriu, seca.
— Claro. Muito dedicada. O tipo de babá que toda mulher gostaria de contratar, especialmente quando há um CEO viúvo envolvido.
Antes que Camila respondesse, Elliot entrou na cozinha, já de terno. Parou ao ver as duas.
— Está tudo bem aqui?
— Perfeitamente. — Chelsea sorriu e beijou a bochecha do irmão. — Estávamos apenas conversando. Sobre... trabalho.
Camila mordeu por dentro da bochecha. Aquela mulher era venenosa, e o sorriso dela carregava um julgamento afiado como lâmina.
Elliot olhou para Camila com uma expressão preocupada, como se adivinhasse o que havia por trás da troca de palavras.
— Preciso falar com você antes de sair — disse a ela, e então virou-se para Chelsea. — Você pode dar um minuto?
Chelsea se levantou com o café em mãos, dando de ombros.
— O que vocês dois têm para conversar em particular, que não possa ser dito na frente da babá e da irmã?
Camila já se levantava para sair, mas Elliot foi mais rápido:
— O que tenho pra falar é entre mim e a mulher com quem estou me envolvendo. Com licença.
Chelsea arqueou uma sobrancelha, surpresa, mas não disse mais nada. Subiu com o café na mão, batendo os saltos nos degraus com força.
Quando a porta se fechou, Elliot puxou Camila pela mão, levando-a até a sala.
— Eu não queria que você estivesse passando por isso.
Camila cruzou os braços, tentando parecer mais forte do que sentia.
— Eu entendo. É sua irmã. E eu sou só...
— Não diz isso. — Ele a interrompeu. — Você não é “só” nada. Você é a mulher que me faz querer tentar de novo. Mesmo sem saber como.
Camila respirou fundo.
— O que você queria me dizer?
— Vou viajar.
As palavras ficaram no ar por um segundo.
— Pra onde?
— San Francisco. Três dias. Reuniões com acionistas e investidores.
Camila assentiu, mas sentiu o estômago revirar.
— E Ivy?
— Quero que fique com você. Chelsea já se ofereceu, mas eu... prefiro que ela esteja com alguém que ama ela de verdade. E que eu... confio.
A confiança nos olhos dele era clara. Mas a dúvida no peito dela também era: será que ela conseguia suportar ficar sozinha na casa da irmã dele, enfrentando olhares, provocações e julgamentos... por três dias?
A resposta veio do sorriso de Ivy ao vê-la.
Sim. Por Ivy, ela aguentaria tudo.