O escritório de Elliot estava silencioso.
Na parede, uma grande tela exibia relatórios de mídia e impacto de reputação. A palavra "instabilidade" aparecia mais de uma vez.
A empresa resistia, mas a imagem pública dele começava a rachar.
Camila estava sentada à sua frente, com uma xícara de café que tremia ligeiramente entre os dedos.
— O advogado ligou — Elliot começou, direto. — O podcast do Nicolas vai ser investigado. Mas até isso acontecer, ele pode continuar falando. Mais programas já pediram entrevistas.
— Ele tá aproveitando a atenção — ela murmurou. — E quanto mais ele fala, mais gente duvida de mim.
— O advogado também disse outra coisa.
— O quê?
Elliot a encarou.
— Se você e eu estivermos oficialmente casados, os danos à imagem pública diminuem em até sessenta por cento. A mídia pode transformar o que hoje é um escândalo... em uma história de superação.
Camila piscou.
— Você está dizendo...?
— Estou propondo um casamento. Agora. Oficialmente. Não por impulso. Não por conveniência emocional. Mas como proteção mútua.
Ela ficou em silêncio por longos segundos. A mente girava.
— Um casamento de fachada?
Elliot se levantou. Caminhou até ela. E, com a voz mais baixa, mais humana:
— Um casamento... que pode ser estratégico, sim. Mas que pra mim, seria real em cada parte. Porque eu já te escolhi, Camila. Só estou pedindo que me escolha também.
Camila engoliu em seco.
A mulher que chegou nos EUA com uma mala e um sonho... agora tinha diante de si uma proposta que podia mudar tudo.
Mas também podia custar tudo.
Camila foi até o jardim dos fundos para respirar.
O céu de Nova York estava limpo, o fim de tarde tingido de tons alaranjados. Ivy dormia lá dentro. O silêncio, por fora, contrastava com a tempestade dentro dela.
Casar com Elliot.
Soava surreal. Apoteótico. E, ainda assim, inevitável.
Ela se sentou na grama e tentou imaginar: o sobrenome Lancaster, a aliança no dedo, as manchetes dizendo “CEO se casa com babá brasileira em meio a escândalo”.
Será que conseguiriam sobreviver àquilo?
Foi interrompida pelos passos de Chelsea. A cunhada surgiu com um vestido verde esmeralda e o olhar afiado.
— Vai aceitar, não vai? — disse, cruzando os braços. — Sempre soube que você se venderia se o preço fosse alto.
Camila a encarou.
— Isso não é da sua conta.
— Tudo nessa casa é da minha conta. Meu irmão está disposto a jogar o próprio império no lixo por você. E você vai deixar ele fazer isso?
— Eu não o obriguei a nada.
— Não precisou. Fez ele se apaixonar. E agora vai usar o nome Lancaster como escudo. Mas sabe o que é engraçado?
Camila permaneceu calada.
Chelsea sorriu.
— Mesmo com o sobrenome, você nunca vai pertencer a esse mundo.
E então virou as costas, deixando o veneno no ar.
Camila olhou para o céu mais uma vez, sentindo o peso de cada escolha. E sussurrou para si mesma:
— Talvez eu nunca pertença mesmo. Mas a Ivy... pertence. E se isso significar protegê-la, então eu faço o que for preciso.
Lá dentro, Elliot falava ao telefone com seu advogado, organizando os papéis.
O casamento estava em andamento.
Mas a união mais importante ainda estava para ser testada: a deles.