Camila subiu as escadas devagar, o coração ainda pesado com as palavras de Chelsea ecoando na mente.
Mas quando chegou ao quarto de Ivy e viu a bebê dormindo tranquila, deitada de barriga para cima com a fraldinha ao lado do rosto, tudo pareceu fazer sentido.
Ela desceu e encontrou Elliot ainda no escritório, com dois copos de uísque sobre a mesa.
— Pensei que você fosse precisar de coragem líquida — ele disse, erguendo um dos copos.
Camila sorriu de leve, mas seus olhos estavam firmes.
— Eu aceito.
Elliot congelou por um instante.
— Tem certeza?
— Não sei se tenho certeza de nada além disso: eu amo a sua filha. E acho que estou me apaixonando por você. Mas mesmo que esse amor ainda esteja se formando, o que eu já sinto é suficiente pra lutar com você. Se casar com você protege a Ivy... então eu
quero.
Ele se aproximou, devagar, sem pressa. A tensão entre eles era palpável, densa.
— Então vamos fazer isso direito.
Camila o olhou com uma pontada de dúvida.
— Certo... o que significa “direito” no dicionário de um CEO?
Elliot estendeu uma pasta com papéis.
— Um contrato matrimonial. Um documento que assegura sua liberdade, sua proteção e também... uma cláusula de confidencialidade mútua. Se algo der errado, você não sai prejudicada. Mas também não poderá dar entrevistas ou transformar nossa história em lucro.
Camila assentiu, pegando os papéis.
— Está sendo mais gentil do que eu esperava.
— Estou sendo honesto. Porque, se for pra fazer isso com você, quero que seja limpo. Justo.
Ela leu por alguns minutos, em silêncio. Depois, assinou.
Elliot fez o mesmo, seus olhos nunca deixando os dela.
E quando os dois colocaram as canetas de lado, o silêncio que se formou era... diferente.
Íntimo.
Quente.
Explosivo.
Elliot fechou a pasta devagar, sem desviar o olhar.
— Então... estamos noivos.
Camila mordeu o lábio, meio nervosa.
— Em tempo recorde.
— Também é recorde o quanto você bagunçou minha vida.
— E você... me deu algo que eu nunca tive. Estabilidade.
Ele se aproximou mais um pouco.
— Isso aqui, Camila... não precisa ser só um acordo.
Ela prendeu a respiração.
Ele a tocou na cintura, puxando-a devagar até o corpo dele. O calor entre eles era quase tangível.
— Me diz que você sente isso também — ele murmurou.
Ela assentiu, a voz embargada.
— Sinto. Desde a primeira vez que vi você com a Ivy nos braços. Eu... eu me apaixonei por esse homem antes mesmo de saber o seu nome completo.
Elliot colou os lábios nos dela com firmeza, mas sem pressa. Um beijo cheio de promessa. Um beijo que não pedia licença, mas também não exigia nada — apenas oferecia.
Camila retribuiu com paixão, os dedos cravando nos ombros dele. Quando se afastaram, estavam ofegantes.
— Talvez devêssemos comemorar o noivado... à nossa maneira — ela provocou, o olhar escurecido pelo desejo.
Elliot sorriu, deslizando a mão pela curva da cintura dela.
— Eu estava esperando você dizer isso.
Naquela noite, não houve aliança, vestido branco ou votos.
Mas houve um tipo de entrega que nenhum contrato seria capaz de formalizar.
A entrega de corpos... e de confiança.