Episódio 20

540 Palavras
Camila subiu as escadas devagar, o coração ainda pesado com as palavras de Chelsea ecoando na mente. Mas quando chegou ao quarto de Ivy e viu a bebê dormindo tranquila, deitada de barriga para cima com a fraldinha ao lado do rosto, tudo pareceu fazer sentido. Ela desceu e encontrou Elliot ainda no escritório, com dois copos de uísque sobre a mesa. — Pensei que você fosse precisar de coragem líquida — ele disse, erguendo um dos copos. Camila sorriu de leve, mas seus olhos estavam firmes. — Eu aceito. Elliot congelou por um instante. — Tem certeza? — Não sei se tenho certeza de nada além disso: eu amo a sua filha. E acho que estou me apaixonando por você. Mas mesmo que esse amor ainda esteja se formando, o que eu já sinto é suficiente pra lutar com você. Se casar com você protege a Ivy... então eu quero. Ele se aproximou, devagar, sem pressa. A tensão entre eles era palpável, densa. — Então vamos fazer isso direito. Camila o olhou com uma pontada de dúvida. — Certo... o que significa “direito” no dicionário de um CEO? Elliot estendeu uma pasta com papéis. — Um contrato matrimonial. Um documento que assegura sua liberdade, sua proteção e também... uma cláusula de confidencialidade mútua. Se algo der errado, você não sai prejudicada. Mas também não poderá dar entrevistas ou transformar nossa história em lucro. Camila assentiu, pegando os papéis. — Está sendo mais gentil do que eu esperava. — Estou sendo honesto. Porque, se for pra fazer isso com você, quero que seja limpo. Justo. Ela leu por alguns minutos, em silêncio. Depois, assinou. Elliot fez o mesmo, seus olhos nunca deixando os dela. E quando os dois colocaram as canetas de lado, o silêncio que se formou era... diferente. Íntimo. Quente. Explosivo. Elliot fechou a pasta devagar, sem desviar o olhar. — Então... estamos noivos. Camila mordeu o lábio, meio nervosa. — Em tempo recorde. — Também é recorde o quanto você bagunçou minha vida. — E você... me deu algo que eu nunca tive. Estabilidade. Ele se aproximou mais um pouco. — Isso aqui, Camila... não precisa ser só um acordo. Ela prendeu a respiração. Ele a tocou na cintura, puxando-a devagar até o corpo dele. O calor entre eles era quase tangível. — Me diz que você sente isso também — ele murmurou. Ela assentiu, a voz embargada. — Sinto. Desde a primeira vez que vi você com a Ivy nos braços. Eu... eu me apaixonei por esse homem antes mesmo de saber o seu nome completo. Elliot colou os lábios nos dela com firmeza, mas sem pressa. Um beijo cheio de promessa. Um beijo que não pedia licença, mas também não exigia nada — apenas oferecia. Camila retribuiu com paixão, os dedos cravando nos ombros dele. Quando se afastaram, estavam ofegantes. — Talvez devêssemos comemorar o noivado... à nossa maneira — ela provocou, o olhar escurecido pelo desejo. Elliot sorriu, deslizando a mão pela curva da cintura dela. — Eu estava esperando você dizer isso. Naquela noite, não houve aliança, vestido branco ou votos. Mas houve um tipo de entrega que nenhum contrato seria capaz de formalizar. A entrega de corpos... e de confiança.
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