CAPÍTULO 3: Tic Tac

726 Palavras
HELENA DUARTE Claramente o dia não tem as mesmas 24 horas pra todos, acordei exausta as 6:10 da manhã, ouvindo as batidas insistentes na porta da frente. — Por que não atendeu as ligações? –meu pai empurrou a porta apresado — Eu não olhei o celular, e sinceramente pai estou surpresa de você ainda ter o seu – falei caminhando calma até a cozinha, acostumada com as idas e voltas do papai. — o seu irmão já ficou rico ? — não pai. E isso – falei puxando a vitrola antiga das mãos curiosas dele— não vai render nada, mesmo se vender a um cego pai. Ele bufou irritado — preciso dinheiro para os medicamentos da pressão — medicamentos hipertensivos são gratuitos pai – respondi ligando a tv, antes que ele a levasse . Eu não esperava muito do meu pai, só de ele não dar trabalho já esta de bom tamanho. — bem, eu não como direito a dias– ele respondeu apresado — fique a vontade pra comer, tem comida na geladeira, e eu não tenho dinheiro pai. Ele me olhou com uma expressão de cansaço, como se eu fosse o pai e ele a filha. — Você precisa de um trabalho, vai viver do quê, capim ? — não pai, sou mulher posso conseguir tudo de bom que eu quiser – respondi sarcasticamente — tudo menos um marido hahahahaha – ele gargalhou alto — eu falei de bom. Agora você tem que ir eu vou ao hospital ver a Lívia e depois vou pro trabalho . Enquanto passava pelo mesa de centro, percebi o maldito cartão. Riquinho e******o, a esposa dele sabe que ele saiu às 02:47 da madrugada pra vir na minha casa? — Ahhhhh – gritei frustrada — o que foi ? — nada pai, bati o dedo na quina da parede – respondi com tanta raiva que quase senti a dor no dedinho de verdade. O que além de frustração e medo eu poderia sentir agora?. Olhei para aquele pedaço de papel como se fosse uma sentença de morte. Ele achava que podia comprar minha dignidade com um logotipo dourado? Joguei o cartão na mesa, com a intenção de esquecer aquele i****a. Eu tinha muito o que fazer, principalmente agora sem meu carro. Nem vi o tempo passar, a pressa faz isso com um CLT . As ruas estavam tão movimentadas que por um estante me esqueci o vendaval que minha mente era. Daiana me olhava desde a entrada da loja com olhos marejados, mas não disse nada até Lorena se aproximar com passos lentos mas sérios. — Vá ao RH! — o quê? Por que ? – perguntei surpresa e assustada, vendo minha amiga limpando os olhos vermelhos enquanto falava com um cliente indeciso. Eu sabia que algo estava errado, mas não sabia o que era. Queria fingir que era uma promoção ou um aumento pelos 5 anos de empresa. — Demitida ? — perguntei com raiva enquanto tentava conter meu ódio, e ouvia o barulho na loja cada vez mais abafado. — senhorita Duarte, a senhora precisa entender que ordens são ordens ... — eu sei disso Madalena, eu trabalho nessa loja desde que ela abriu, não venha me dizer que não me encaixei, por que até semana passada eu estava muito bem encaixada enquanto batia as metas mais altas da loja. – respondi interrompendo a mulher que estava mais indignada do que eu. — sinto muito Helena, somos amigas, mas eu não posso perder esse emprego. Fixei meus olhos no teto branco da sala, segurando o choro. — tudo bem Madá, obrigado pela ajuda. — Bem, você vai receber todos os seus direitos em até 10 dias e pode vir assinar a recisão de contrato dia 12, se tiver alguma dúvida sobre valores ou datas pode entrar em contato com o RH. Virei-me pra sair, vendo que não tinha mais nada agora, meu carro foi levado, minha irmã estava no hospital, meu irmão ligaria em pouco tempo pedindo mais dinheiro, e agora eu não tinha mais trabalho. — será que mais alguma coisa pode acontecer pra deixar esse dia ainda pior ? – murmurei desviando o olhar das minhas agora ex-colegas de trabalho para não constrange-las, quando um frio subiu minha espinha. — senhorita Duarte, meu nome é Davi , falo do hospital são Caetano...
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