Dor.
Abrir os olhos parecia uma tarefa difícil, a visão estava turva e embaçada, mas, ela ficou feliz com o que pôde ver. O conhecido rosto de sua mãe agora emanava uma expressão de preocupação e desespero, Helena queria poder falar, queria explicar o que havia acontecido, mas a verdade é que ela estava incapaz de pronunciar qualquer palavra, sua voz simplesmente parecia fraca demais e o som foi inaudível e mesmo que fosse capaz de se comunicar, ela não lembrava ao certo o que havia acontecido. Sua memória estava um misto de cenas e imagens borradas e embaralhadas, nada do que se lembrava fazia sentido, estava fraca demais.
Tentou se mover, um pouco pelo menos, mas, sentiu uma dor aguda percorrer sua espinha, a frustração pela ausência da fala, acrescida da dor fizeram Helena se despedaçar inteira, e então ela chorou. Em silencio para não preocupar sua mãe, mas foi em vão.
- Descansa querida, dorme mais um pouco, vai ficar tudo bem.
Catarina disse à sua filha, mesmo sem conseguir ter confiança o suficiente no que acabara de pronunciar.
O fato é que Catarina não acreditava que Helena ficaria bem, faziam três dias que havia a encontrado desacordada em meio aquelas arvores. Três dias que Catarina passara sem dormir, três dias que perdia as esperanças de que a filha ficaria bem.
Relutante, Helena fechou os olhos novamente, o cansaço a venceu e tudo ficou escuro.