CAPÍTULO TRÊS

2497 Palavras
GIULIA's POINT OF VIEW SEXTA-FEIRA, 08:24 Desperto na sexta podendo ouvir uma movimentação incomum no corredor que logo me força a levantar. Embora estivesse acordando um pouco mais tarde que o costume, o cansaço pelo dia de ontem ainda dominava o meu corpo. Estávamos aqui há três dias, o que significava que Alessio deveria chegar hoje à noite. Ontem, afim de quebrar um pouco a rotina, tinha levado Elena para um passeio pela propriedade, inclusive tendo que alugar Bart por algumas horas para que pudéssemos ir de carro até a área onde os animais ficavam. Por ser relativamente distante da casa, dava até a impressão não ser no mesmo lugar. Passamos boas horas por lá, mostrando-lhe tudo até que voltassemos quase no fim na tarde e ficássemos à beira do lago esperando a noite cair. Elena era realmente uma criança com muita energia. Durante a noite tinha virado a atração da casa enquanto forçava todos a brincar com as poucas bonecas que tinha trazido, fazendo um monte de marmanjo de render aos teus encantos em dois tempos. Pude apresentá-la oficialmente a quase todos eles, então. John, sua esposa Angela, Carlo e Marco (qual ela já tinha visto). Exceto por Angela, todos eles eram primos de primeiro e segundo grau de Alessio, ou seja, Rizzo's originais. Os outros sempre estavam fora ou em outras cidades. Eu também tinha tirado o dia para conhecer os outros funcionários que ainda não tinha visto. Em três anos muitas pessoas novas começaram a trabalhar para a família Rizzo e poder conhecer boa parte deles foi algo bom, no fim. ─── Mama? ─── Buongiorno, tesoro. Come stai? ─── Bem, grazie mama. ─── Observo ela esfregar os olhinhos com cuidado, bocejando. Volto a me sentar na cama, puxando-a para o meu colo e em seguida enchendo suas bochechas de beijos. ─── Dodói aqui. ─── Hum?─── separo-me um pouco, notando que sua mãozinha estava na barriga e então aperto-a com cuidado. ─── Aqui? Elena balança a cabeça, esfregando o rostinho no meu peito em dengo. Levo a mão para sua testa tentando verificar a temperatura, só então percebendo que ela estava um pouco quentinha. Suspiro. ─── Vamos tomar um banho rapidinho e em seguida tomar um remédio, sim? Se os sinais não diminuírem a mamãe vai ter que te levar no hospital. ─── Mas eu não gosta… ─── Rio baixinho, levantando-me da cama com ela ainda no colo e indo em direção ao banheiro. Estávamos no penúltimo quarto do corredor e ele era simplesmente enorme. Depois do quarto de Alessio, essa era a segunda maior suíte da casa inteira, porque cerca de cinco anos atrás havia passado por uma reforma demorada afim de virar um quarto para minha ex sogra. Tinham juntado com um quartinho menor que ficava ao lado, abrindo assim mais espaço e tornando-o praticamente do tamanho de quase meu apartamento inteiro. ─── A mamãe também não, mas se for necessário... ─── Sorrio, só então lembrando de Angela. ─── Ou nós podemos pedir a tia Angel, certo? Ela é uma médica boazinha. Toco o seu nariz, terminando de tirar sua roupa. Ligo o chuveiro, deixando a água em temperatura natural caindo e em seguida ajudo Elena a entrar, rindo quando ela devolve uma careta por conta da friagem. Ela era realmente uma criança boazinha. Claro que, como a maioria, tinha seus momentos de teimosia e bagunça, porém gostava de ouvir e ser compreensiva, ainda que questionasse muito sobre tudo. Ela realmente tinha esse dom. ─── Ela é boazinha, mamãe? Dá 'jeção não? Balanço a cabeça em negação, tal como ela fazia. ─── Não, não dá. Assim que sairmos daqui podemos ir falar com ela, tá? Dou-lhe um banho rápido, rindo da sua manha enquanto argumentava sobre poder comer 'muitos docinhos' já que estava dodói e isso quase me faz praguejar pela mania que Manuela tinha lhe colocado desde pequena. Lembrando da minha amiga, faço uma anotação mental de lhe mandar notícias mais tarde, assim que pegasse meu celular de volta. Depois de vestir com uma roupa confortável, finalmente posso sair do quarto e descer as escadas afim de procurar Angela pela casa. Encontro Maria colocando a mesa ao lado de Lúcia (uma das empregadas) e decido perguntar. ─── Bom dia Maria, bom dia Lúcia! Vocês viram a Angela por aí? Sento-me à mesa, passando o dedo entre os fios lisos de Elena e as duas me encaram por um tempo. ─── Bom dia, dona Giulia. Acho que ela tem plantão hoje, já que saiu há um bom tempo. Por quê? ───Elena acordou com febre e dores no estômago, acho que pode ser estresse emocional. ─── lembro-me que eu costumava muito ficar assim. ─── Esses dias foram agitados, embora não pareça. Vocês têm algum chá aí para dor? ─── Ah, acho que tenho sim. Posso fazê-lo agora mesmo, se a senhora quiser. ─── Sorrio, assentindo. ─── Talvez seja isso. Se ela não melhorar é bom levá-la ao- ─── Quem não melhorar? ─── A voz de Alessio interrompe Lúcia no meio da frase. Vejo a mulher recuar dois passos, pigarreando e só esse ato me faz suspirar. Alessio era intimidador às vezes mesmo. ─── Bom dia! Ele puxa a cadeira na ponta da mesa, olhando diretamente para mim antes de cair para o meu colo e ficar ali por bons segundos. Posso ver exatamente quando ele pigarreia, fazendo a criança, pela primeira vez na vida, recuar timidamente agarrando meu braço e me olhar curiosa. ─── Bom dia. ─── murmuro. Vejo as duas senhoras saindo, e então pego minha xícara de café, entregando a Elena o copo de suco natural que tinha pedido para fazerem na noite anterior. Puxo também uma tigela de frutas cortadas, vendo as preferidas dela e acho adorável o fato de Maria ter lembrado disso já que eu tinha comentado apenas uma vez. ─── Pensei que você voltaria hoje à noite. ─── Cheguei ontem... ─── Em milhares de anos, eu talvez jamais tinha o visto tão sem jeito como estava naquele momento. Suas poucas palavras morrem ali, por um tempo deixando um silêncio consumir o espaço, ao tempo que seu olhar cai para a mesa. Parecendo uma miragem, pela primeira vez na vida, eu via Alessio Rizzo, com todo seu poder e presença, sem saber o que fazer diante de uma criança de dois anos. ─── O que está acontecendo? ─── Ela acordou um pouco doentinha, mas a febre já baixou. Amor, como a mamãe ensinou a falar com as pessoas? Ajeito-a no colo, sorrindo fraco quando seu olhar sai de mim para o homem cuidadosamente. Elena deita a cabeça para o lado, então sorrindo timidamente. ─── Oi. Mi chiamo Elena. Noto o olhar do homem brilhar mais que o normal. Sentindo meu peito apertar em culpa, eu reconheço o ele significa porque era da mesma forma que ele costumava me olhar anos atrás; Como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. ─── Pode falar normal, bebê. Lembra que a mamãe disse para praticar a outra língua mais com o vovô? Ela está prestes a repetir, após assentir para o que eu digo, porém Alessio é mais rápido em cortar. Seu corpo quase se debruça na mesa, quando ele estica a mão com um sorriso de canto. ─── Ciao, mi chiamo Alessio. Piacere, Elena! Ela encara a mão por um tempo, antes de esticar a sua devagar e aperta-la, entregando o mesmo sorriso. Eu sempre tive noção do quanto eles eram parecidos, porém vendo agora de perto, era simplesmente surreal que fossem tanto. Desde o olhar intenso e penetrante até a maneira como sorriam. ─── Sua mamãe disse que você está dodói. Onde está doendo? ─── Aqui.─── Elena leva a mão até a barriga, ao tempo que vai pegando confiança com sua presença. ─── Mas eu vai ficar boazinha. ─── Certeza que sim. ─── Alessio pisca um olho. ─── Quantos anos você tem, Lena? Sorrio no instante que ela levanta dois dedinhos, desajeitadamente, tentando contê-lo quando beberico meu café, levando a atenção para Lúcia quando ela entra mais uma vez na sala. ─── Esse aqui deve resolver. ─── Ela coloca um bule na mesa, junto com uma xícara. ─── Ela não precisa tomar muito, só uma xícara basta. Eu já esfriei ele também, então está apenas morninho. Adocei com um pouco com mel, porém não foi muito então não precisa se preocupar, mas se a senhora quiser pos- ─── Não, tudo bem! ─── balanço a cabeça para a mulher. ─── Obrigada Lúcia e, por favor, me chame por você. Vai ser bom ter alguém me tratando assim aqui para variar. ─── Sim, senh-... Giulia. ─── rio. Sirvo um pouco para Elena, auxiliando ela a beber o líquido, realmente torcendo para que ele resolvesse o problema. O caminho até o hospital era extremamente cansativo e longo, então não queria colocá-la dentro de um carro correndo risco de piorar a dor ou de ficar enjoada. ─── Você conseguiu pensar em algo? ─── Noto o silencio incômodo, resolvendo tirar logo aquele assunto da minha cabeça enquanto houvesse tempo. ─── Entreguei meu celular há dois dias e não conseguimos nada de lá até agora. ─── Mais ou menos. ─── Alessio suspira, dirigindo um olhar frio à mim.─── Eu tenho uma pista sobre alguém que possa estar envolvido, porém é só isso. Preciso arrumar uma forma de entrar em contato com ele. ─── Conseguiu? Quem? Encaro o homem ao meu lado, surpresa. ─── Paolo. ─── Procuro na mente alguma lembrança que me indicasse quem poderia ser. ─── É o dono daquela empresa de transportes com filiais aqui na região. Fecho os olhos, só então tendo noção. Quatro anos atrás, logo após concluir minha faculdade, o caso de Paolo tinha sido o meu primeiro caso. Eu estava representando judicialmente as famílias das vítimas de um acidente fatal que envolvia um de seus meios de transporte. Na perícia havia sido constatado que não havia nenhum meio de segurança que poderia ter evitado as mortes, diferentemente dos anúncios que rodavam a cidade. O motorista estava com a carteira vencida e até então não havia nenhuma fiscalização a respeito disso. Peguei o caso que estava se arrastando por mais de 2 anos e seguia sem solução. Eu sabia que a probabilidade de um responsável ser preso ali era mínima, então teria que lutar pelo menos pela indenização das famílias por meio de uma sentença ou acordo. Obviamente Paolo não aceitou. O caso estava repercutindo no país, porém significava ainda assim um rombo muito grande na empresa, o qual ele não queria abrir mão. Não vendo outra forma, eu tive que fazer acontecer da minha forma, com a ajuda de Alessio já que a família Rizzo tinha interesse na área de transportes também. Derrubar a empresa mais forte batia com nossos interesses comuns. ─── Não acredito. ─── fecho os olhos, deitando a cabeça para trás e um riso escapa mesmo sem querer. ─── Eu devia ter dado um fim nisso naquela época. ─── Eu já coloquei alguns informantes nas ruas, assim como pedi para que monitorassem qualquer movimentação dele. ─── Alessio diz. ─── Não vamos demorar a acha-lo, então só assim vamos dar um jeito de pega-lo e arrancar alguma informação. Até agora o que sei é que ele não deve estar sozinho. ─── Por que eu estou sentindo que tem mais gente nisso do que imaginamos? ─── murmuro, frustrada e então sinto o olhar de Elena em mim. ─── A mamãe tá bem, mamãe? Rio fraco, sentindo uma vontade enorme de chorar. Eu não temia nem um pouco por mim, mas por saber que na verdade o maior alvo deles era uma criança tão doce quando ela. ─── Estou, amor. ─── beijo seu rostinho, vendo-a assentir enquanto voltava a esperar as frutas e comer. ─── Qual o nosso próximo passo? Nem preciso de muito para saber o que Alessio diria quando me encara com vigor. Fecho os olhos, assentindo devagar ao tempo que terminava de engolir o restante de café que agora parecia descer rasgando na minha garganta. ─── Eu vou cuidar disso, Giulia, fica tranquila. ─── murmura. ─── Enquanto eu puder, te prometo isso. Você sabe que eu nunca descumpro uma promessa minha. Rio baixinho, limpando a lágrima teimosa que caí antes que a criança no meu colo note e busco me acalmar. Não era que eu não confiasse nele, porém agora era tudo diferente. ─── Por isso que para garantir a segurança de vocês eu preciso que saiam daqui. De preferencia, do país. Vou garantir que façam isso o quanto antes e contar com a ajuda de pessoas de confiança. ─── Encaro-o. ─── Também vou arrumar uma papelada e documentos novos para que não sejam rastreadas. Quem quer que esteja atrás de vocês, deve ter tanto poder quanto eu. ─── Alessio, eu não posso- ─── Dois meses, Giulia. ─── me interrompe. ─── Dois meses até eu resolver tudo. Não posso arriscar fazer nada com vocês aqui e você sabe o porquê. Ele olha rapidamente para Elena, mais concentrada nas frutas do que na nossa conversa. ─── Minha mãe está morando na Itália há quatro anos com minha irmã mais nova e o meu padrasto. Ela amaria te receber lá e nós temos muito contato com pessoas que podem garantir a segurança de vocês. ─── diz. ─── Lá vão ficar mais seguras do que aqui. Não podemos confiar em qualquer um e eu não vou arriscar perder minha filha quando m*l tive a chance de conhecê-la. Quase me encolho na cadeira pelo tom decidido, porém assinto sabendo que não teria ideia melhor. Minha prioridade no momento sempre seria Elena. ─── Mamãe, eu não quer mais. ─── volto minha atenção para a tigela quase vazia, vendo a pequena afastando de perto. ─── Pode comer bolo? Fungo, assentindo enquanto sorria e lhe sirvo uma fatia pequena. Ela não era de comer muito pela manhã, então não a faria passar m*l tão cedo. ─── Está bom? ─── Simm!! Ela assente, tentando tirar um pedaço para me dar, porém faço uma careta, negando. Em seguida ela faz o mesmo com Alessio, oferecendo-o enquanto segurava desajeitada a colher na sua direção. Ele não era o maior fã de doces, mas aceitou. ─── É bom? ─── Sua cabeça balançou para cima e para baixo, influenciando ele a dizer que sim e aquilo me faz rir. Vendo que não há outra opção, ele o faz. ─── É ótimo. A Tia Maria é incrível para isso... ─── diz. ─── Mas sabe quem faz bolos maravilhosos também? Vendo que conseguiu a atenção de Elena, Alessio ri pela sua curiosidade. Os olhos castanhos refletindo felicidade, fazendo-me pensar em todas as vezes que Elena fazia do mesmo jeito. ─── Minha mãe. Ela amaria cozinhar para você. ─── Ela pode fazer bolo? ─── Ele concorda. ─── Sovete? ─── O melhor! ─── E onde tá sua mamãe? Não pode ficar longe da mamãe. ─── Ah, ela mora distante. Gostaria de conhecê-la? Elena assente, deitando a cabeça para o lado. ─── Então bom. Ela vai gostar de te conhecer também.
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