Capítulo 5

1388 Palavras
Lorenzo Ferraz Ainda não pedi mais detalhes da tal moça para Gabrielle. Não é por falta de coragem, mas porque meu medo está se transformando em algo muito maior: raiva. Eu não sei se coloco alguém atrás do meu anjo, mas a cada segundo que passo sem notícias, a escuridão em mim cresce. Celina, onde você está? Me dá um sinal, meu amor. Me diz que você está bem, que não está com outro. Porque só de imaginar essa possibilidade, sinto um ódio que nunca experimentei antes. Um ódio que me queima por dentro e me faz querer destruir tudo em meu caminho. Você é minha, Celina. Minha e de mais ninguém. Não posso aceitar que fugiu, não posso aceitar que outro tenha tocado em você. Você prometeu, minha linda, prometeu que nosso amor seria eterno. Você orava por nós. Então por que estou aqui, sozinho, sem você? Se alguém ousou tirá-la de mim, essa pessoa vai pagar. Não importa quem seja. Se foi a sua tia, que sempre te tratou como um fardo, ela vai se arrepender de cada palavra dita contra você. Se foi outra pessoa, essa pessoa não verá a luz do dia novamente. Já não durmo, já não vivo. Minha mente é uma tortura constante. Meus sonhos mostram você chorando, sozinha, perdida. Isso me destrói. Mas se eu te encontrar com outro homem, se isso for verdade, vou acabar com ele. Não importa quem seja. Gabrielle tem me procurado, tentando desabafar sobre sua própria dor, mas m*l sabe ela que minha dor é maior. Minha Celina está desaparecida. E se a moça de quem ela fala for mesmo você? Se for verdade que você está com o homem que a machucou? Hoje vou à casa dela, e se descobrir que o desgraçado que roubou a namorada dela também levou você... ele não terá onde se esconder. Celina, meu amor, eu vou te encontrar. Você é o amor da minha vida. Quero você ao meu lado, agora e sempre. Mas se descobrir que alguém te afastou de mim, essa pessoa vai conhecer o inferno. Será que o celular da minha doce menina quebrou? Ou será que tem algo muito mais sério acontecendo? Preciso descobrir, e vou fazer isso agora. Não suporto essa incerteza corroendo meu coração, como um veneno que não me dá descanso. Saio dos meus pensamentos quando minha mãe bate na porta e entra no meu quarto. — Meu amor, o que está acontecendo com você, meu filho? Estou te achando tão triste esses dias, e você está emagrecendo, meu amor! Por favor, meu bebê, fala com a mamãe. Eu posso te ajudar, mas você tem que se alimentar. Ah, essa mania dela de me chamar de bebê... Um homem de 24 anos, mas aos olhos dela, sempre "vou ser seu bebê". — Nada, mãe. Não se preocupe comigo, está bem? Logo eu vou estar melhor. Só estou com pouco apetite, mas prometo que vou comer. Agora, deixa eu me trocar. Vou na casa da Gabrielle — digo, tentando disfarçar, enquanto vejo um sorriso surgir em seu rosto. — Ah, meu filho! Que bom que você está se dando bem com sua amiga. Vocês dois fazem um belo casal. Você deveria dar uma chance a ela, eu vejo nos olhos dela que ela te ama muito. — Mãe, pode parar com isso. Gabi e eu sempre fomos amigos. Apenas amigos, e sempre seremos só isso. Ela não me ama. Ela está apaixonada por aquele cara que a abandonou, mas logo ela vai superar. — Meu filho, aquela moça te ama há muito tempo. Só você que não vê. Por que vocês homens são tão cegos? Dê uma chance a ela, meu filho. Esse amor está na sua frente! Respiro fundo, impaciente. — Mãe, preciso me trocar para sair. Saco. Sempre a mesma conversa! Enquanto ela sai do quarto, olho pela janela. A noite está fria e silenciosa, mas minha mente não para de gritar. Tudo o que quero é uma resposta. Coloco o casaco, pego as chaves e desço as escadas. No fundo, sei que algo grande está para acontecer. Gabrielle vai me dizer algo que mudará tudo, tenho certeza. E se a resposta não for a que espero? O que farei se não encontrar Celina? Quando abro a porta e sinto o vento gelado no rosto, me lembro de como ela odiava o frio. Será que ela está sozinha agora, tremendo de frio em algum lugar? Ou será que está nos braços de outro homem, quente e confortável? Essa última imagem me enche de raiva. Não. Não posso aceitar isso. Entro no carro e ligo o motor. Gabrielle, espero que você tenha as respostas que procuro. Porque, se não tiver, alguém mais vai pagar por isso. Não quero saber de Gabrielle ou de qualquer outra pessoa. Minha única preocupação é saber por que Celina desapareceu. Celina, meu amor, onde você está? Você nunca faria isso comigo. Nunca desapareceria assim, sem me dizer nada. Essa tristeza me consome. Se alguém ousou afastar você de mim, essa pessoa vai se arrepender amargamente. Saio do banho, me visto e, sem vontade de comer, pego minhas chaves do carro. Minha mãe, insistente como sempre, tenta me convencer de novo: — Filho, coma alguma coisa antes de sair. Você está emagrecendo muito, Lorenzo. Não pode ficar sem comer. Precisamos marcar uma consulta médica, e eu vou com você, porque você não está bem, meu amor. — Mãe, não estou com fome. Pode ficar tranquila, vou comer alguma coisa na rua, está bem? Lá na faculdade tem almoço. Não quero que fique preocupada. Dou um beijo rápido nela e saio antes que ela consiga insistir mais. Entro no carro e sigo direto para o colégio. Alguém ali deve saber alguma coisa. Especialmente aquele garoto que nos viu juntos. Ele vive vagando perto de onde Celina mora. Se ele souber algo e não me contar... Deus me ajude, porque ele vai se arrepender. O caminho até lá é um borrão. A raiva e o desespero se misturam, criando um peso insuportável no meu peito. Minha mente não para de criar cenários: e se ela estiver machucada? E se alguém a levou à força? Ou pior... e se ela foi embora por vontade própria? Não. Eu recuso essa última hipótese. Celina nunca faria isso comigo. Ela me ama. Ela prometeu que estaríamos juntos para sempre. Quando chego ao colégio, estaciono de qualquer jeito e salto do carro. A raiva me dá energia, mesmo com o cansaço pesando nos meus ombros. Caminho rápido pelos corredores, ignorando os olhares curiosos. Meu alvo está perto. Finalmente o vejo: o garoto que sempre está por perto. Ele está sentado no muro, mexendo no celular, despreocupado. Assim que me aproximo, ele levanta os olhos e me encara. — Lorenzo? Que foi? Não respondo imediatamente. Seguro o braço dele e o puxo para que desça do muro. Ele tenta resistir, mas minha força e determinação o fazem ceder. — Você sabe onde a Celina está? — pergunto, direto, meu tom frio e cortante. — O quê? Não sei do que você está falando. A resposta evasiva me irrita ainda mais. Aperto o braço dele, obrigando-o a olhar nos meus olhos. — Não brinca comigo. Você vive rondando a casa dela. Não minta para mim. Se souber algo e não me contar, você vai se arrepender. Ele hesita, a expressão mudando de confusa para nervosa. Isso só aumenta minha suspeita. — Cara, calma aí. Eu juro, não sei onde ela está. Vi ela outro dia, mas não sei nada além disso. — Quando foi isso? Onde? — Há uns dois dias, saindo de casa. Ela estava... sei lá, com pressa. Parecia nervosa, olhando para os lados, como se estivesse com medo de algo. A descrição me atinge como um soco no estômago. Por que Celina estaria com medo? Quem ou o quê a estava assustando? — E depois disso? Mais nada? — Não. Eu juro. Solto o garoto, mas minha mente está em alerta. Se ela estava nervosa, é porque algo aconteceu. Algo grave. Entro no carro novamente, as palavras dele ecoando na minha mente. Dois dias. Medo. Celina, minha doce Celina, o que está acontecendo? Eu vou te encontrar. E quem ousou te machucar ou te afastar de mim... vai pagar. Com tudo o que tem.
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