Capítulo 4

1474 Palavras
Lorenzo Ferraz — Gabriella, o que está acontecendo com você? Por que eu estava na sua cama, nu? Você nem sequer atendeu minhas ligações! — Exige respostas, minha voz transbordando a frustração e o ciúme acumulados durante dias. Eu precisava saber a verdade. Precisava entender o que diabos estava acontecendo. Ela suspirou, os olhos já marejados, mas minha paciência estava por um fio. — Lorenzo, nós tomamos uma dose de bebida. Quando dei por mim, estava apagada. E você também. Acho que alguém fez isso com a gente. Não sei quem foi... talvez meu namorado, talvez ele quisesse me roubar ou me fazer sentir culpada. Eu fui tão ingênua! — Ela começou a chorar, e cada lágrima dela só aumentava minha ira. Eu apertei os punhos, tentando controlar a fúria crescente. — Esse desgraçado te drogou? E você sequer pensou em me contar? — Minhas palavras saíram mais duras do que eu pretendia. — Gabriella, ele ousou fazer isso com você e me envolver nesse jogo sujo? Ele te roubou, me colocou nessa situação, e você ainda está chorando por ele? Ela soluçou, mas continuou: — Ele... ele estava aqui, Lorenzo. Eu bebi com ele a mesma bebida que te ofereci. Estou destruída por dentro. Não imaginava que o Fábio seria capaz de algo assim. Ele me usou... e agora está com a tal Celina. Ele ainda teve a audácia de me mandar uma mensagem dizendo que está apaixonado por ela! Celina. Meu sangue gelou. Esse nome, essa escola, esse maldito jogo sujo. Não pode ser... — Celina? — Minha voz era um sussurro perigoso. — Você tem certeza que é esse o nome? Gabriella assentiu, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto. Meu coração parecia prestes a explodir. Não era só o nome que batia... era ela. Era a minha Celina, a mulher que dizia me amar, que sumiu da minha vida sem explicação. A mesma Celina que eu pensei ser meu anjo. Minha visão ficou turva de ódio. — Se ele fez isso, Gabriella... — minha voz tremia de fúria — eu juro que eles dois vão pagar. Eles te fizeram de i****a, usaram você e ainda destruíram tudo que vocês construíram. Eu não sabia o que fazer primeiro: ir atrás do Fábio para arrancar respostas ou procurar Celina e exigir que ela olhasse nos meus olhos enquanto explicava por que destruiu minha vida. A única coisa que eu sabia era que ninguém mexe comigo e sai impune. Ninguém. "Só preciso ouvir você dizer que me ama e que está bem. Só isso. É tudo o que peço para não enlouquecer. Eu preciso da minha mulher. Preciso dela agora. Se ela não voltar logo para mim, eu vou perder o controle. Ela é o meu ar, minha vida. Sem ela, eu não sou nada." Saí da mesa, ignorando os olhares de Gabrielle. Caminhei até o banheiro tentando controlar o nó que se formava na minha garganta e o fogo que queimava no meu peito. Minha cabeça estava girando, meu coração parecia que ia explodir a qualquer momento. Eu estava ofegante, como se o ar tivesse sido arrancado dos meus pulmões. "Que droga é essa?! Que merda está acontecendo comigo?!" Tentei respirar fundo, fechar os olhos e afastar a avalanche de pensamentos que me consumia. "Calma, Lorenzo. Não pense besteira. Ela te ama. Eu sei que ela me ama. Minha pequena pode ser jovem, mas é minha. Só minha. Ela jamais faria algo para me ferir, certo? Certo?!" Mas então, a dúvida voltou. As palavras de Gabrielle ecoaram na minha cabeça como um martelo. Ela só mencionou um nome. Só isso. Um nome comum. Nomes iguais existem no mundo todo, certo? Não é ela. Não pode ser ela. "Mas por que diabos isso não sai da minha cabeça?! Por que estou sentindo essa dor maldita no peito como se minha mulher tivesse me traído?!" Eu me encostei na pia, o olhar fixo no espelho. "Lorenzo, você está perdendo a cabeça. Não deixe essa dúvida te destruir. Você precisa de respostas. Precisa ouvir da boca dela. Quando essa droga de jantar acabar, eu vou arrancar a verdade da Gabrielle. Quero saber tudo sobre essa tal moça. Preciso saber quem é." Respirei fundo mais uma vez antes de sair do banheiro. Meu coração ainda estava pesado, mas o suficiente para eu aguentar aquele jantar insuportável, onde só se falava de negócios. Caminhei de volta para a sala de jantar. Assim que entrei, senti os olhares de todos em mim, como se esperassem alguma coisa. — Você está bem, Lorenzo? — Gabrielle perguntou, com uma expressão preocupada. — Não se preocupe, estou bem — respondi, tentando controlar o tom de voz. Por dentro, eu estava uma bomba prestes a explodir. Se eu não fosse n***o, provavelmente estaria pálido. Aliás, será que eu estava? Porque parecia que todo mundo na sala estava me olhando como se soubessem algo que eu não sabia. "Se eles soubessem da Celina... Se soubessem do que estou sentindo agora... Eles estariam rindo de mim pelas costas, achando que sou um i****a apaixonado e traído. Mas só minha mãe, Gabrielle e o Heitor sabem da minha mulher. Ninguém mais. Eles não teriam contado, certo? Não teriam..." Meus pensamentos foram interrompidos quando decidi acabar com o clima. — Podem servir o jantar! — Ordenei, minha voz firme. Se meus pais não mandam, eu mando. Essa casa vai ser minha, e esses negócios logo serão meus também. Enquanto todos falavam, eu m*l ouvia. As vozes ao redor pareciam abafadas, distantes. Eu estava preso dentro da minha própria cabeça, lutando contra a dor e a dúvida que estavam me consumindo. "Lorenzo, pare com isso! Não seja fraco. Não se rebaixe. Não chore. Homens de verdade não choram. Mas, droga, por que parece que o chão está se abrindo sob os meus pés?!" A raiva queimava em mim, misturada com o desespero. Eu precisava da minha mulher. Eu precisava dela agora. E se alguém tivesse feito algo para nos separar... alguém vai pagar caro. Aqui está o texto reescrito, destacando o tom possessivo, ciumento e irado: --- "Não pode ser verdade. Não pode ser minha Celina. Minha linda jamais faria isso comigo. Ela é meu anjo, meu amor, minha vida! Isso só pode ser uma maldição ou um maldito pesadelo, do qual eu vou acordar e encontrá-la ao meu lado, sorrindo como sempre. Eu preciso dela para ser feliz, ela é o ar que respiro. Como vou viver sem ar? Como vou viver sem ela?" O pensamento de que ela pudesse ter feito isso me rasgava por dentro. "Se ela fez isso, eu vou odiá-la. Não apenas odiar... eu vou destruir a vida desses dois malditos com minhas próprias mãos. Ela vai se arrepender amargamente! Celina, se isso for verdade, você vai pagar por cada lágrima que eu estou derramando agora. Eu juro que vai!" Meu coração estava em chamas, a raiva e o ciúme me consumiam como um veneno. Mas então, tentei me conter. "Eu não posso deixar o ódio me dominar. Não sou assim. Não quero ser assim. Deus, me ajude. Por favor, tire esses pensamentos da minha cabeça. Não deixe que o ciúme e a raiva me transformem em alguém que eu não sou. Amém." Ainda assim, o vazio continuava. Meu amor não atendia minhas ligações. Não retornava nenhuma mensagem. "Por favor, que não seja ela... Não me deixe pensar que você está com outro. Não destrua o que temos. Você é minha, Celina. Sempre foi. Sempre será." Eu estava tão perdido em meus pensamentos que nem percebi Gabrielle me chamando. — Oi, Lorenzo? Você está tão calado e estranho. O que está acontecendo? Pode contar comigo, sabe disso. Assim como quando você me contou que estava apaixonado por aquela moça do colégio. Vocês ainda estão juntos, não é? As palavras dela só aumentaram a dor que eu sentia. "Eu gostaria tanto de estar com Celina agora... Meu Deus, como eu sinto falta dela. Falta de sua voz, seu sorriso, de tudo que ela representa. Do jeito que ela me fazia perder o controle quando estávamos juntos... Ela é a única mulher que conseguiu me enlouquecer assim. Meu anjo, onde você está?!" Gabrielle continuava me olhando, esperando por uma resposta. — Depois conversamos, Gabi. Agora, preciso entender essa história do seu namorado ter fugido com outra. Você chegou a ver a tal moça ou não? Ela suspirou, tentando segurar as lágrimas, mas não conseguiu. — Só por um vídeo. Dá para ver o rosto dela sorrindo e beijando o safado que dizia gostar de mim — disse ela, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Minha visão ficou turva de raiva. "Aquele desgraçado vai pagar. Ele não tinha o direito de fazer isso com a Gabi. Ele não tinha o direito de fazer ninguém sofrer assim. Vou acabar com ele! Eu juro que vou!"
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