Wolfgang atravessou a porta da modesta casa no bairro baixo. Ele percebera que, mais uma vez, Lina escapara furtivamente, desvanecendo-se nas sombras. Dessa vez, contudo, ele encontrou a trilha que ela deixara, traçando o caminho até aquela casa específica.
Dominik, ao notar o rastro, ficou dividido entre a irritação e a preocupação. As emoções tumultuavam-se em sua mente enquanto ele se deparava com a incerteza.
Lina era seu novo objetivo.
A garota não tinha apenas a atenção dele.
"Onde ela se meteu?" perguntou a si mesmo, a voz carregada de uma mistura de frustração e ansiedade.
A noite envolvia o bairro baixo em um manto de escuridão, com apenas a luz das estrelas e da lua para iluminar as ruas estreitas. A casa para a qual a trilha de Lina o guiara era modesta, suas janelas lançando feixes tênues de luz amarelada.
Dominik avançou com cautela, seus passos reverberando no silêncio noturno. Ele podia sentir a energia mágica no ar, uma teia sutil de influências que indicava a presença de algo incomum. A casa parecia ser apenas o ponto de chegada de algo maior.
Ao adentrar, o ambiente revelou-se sereno, mas a atmosfera estava impregnada de uma tensão misteriosa. Dominik, apesar de sua conexão com o sobrenatural, sentia-se desconcertado. Ele procurou por qualquer sinal de Lina, mas a única pista era a trilha que a conduzira até ali.
"Mary era o nome da mulher que encontramos um mês atrás mort@, com sinais de lâmina afiada na altura do pescoço. Cheguei a comentar com você."
Jason falou, analisando a postura do alfa.
Todos da matilha já comentavam sobre a escolhida do alfa. Uma prometida da lua.
Ninguém sabia como era ou como agia. As pistas começavam pela casa de Lina.
Ela era aquela que Wolfgang reivindicou sob a lua e para a matilha e que estava com ele nas montanhas. Era uma novidade.
"Quem poderia fazer isso com essa mulher?"
"Não sabemos. Mary trabalhava para os Colin, não tinha inimigos e vivia uma vida comum. Era viúva e morava com Lina, não era mãe e filha. Achamos alguns documentos, mas nenhum sinal dela. O que disseram na casa dos Colin é que ela apareceu, mas apenas pra pegar o que sobrou das coisas dela depois que ela pediu demissão. "
" Era por isso que eu estava indo para aquela festa aquela noite. Não era a filha dos Colin, era sobre Lina. Ela estava trabalhando naquela casa. "
"Devia ter perguntado sobre isso na primeira vez que viu ela."
"Parece loucura. Mas eu estava ocupado fazendo algo mais interessante."
"Você sente ela, não sente?"
"Em todo canto dessa casa, Jason."
"Bem, ela é uma escolhida da lua. Você reivindicou ela desde a primeira vez. Você vai achá-la."
Wolfgang analisou as palavras do seu braço direito.
Por que Lina devia ser tão misteriosa assim?
Ele não queria pensar que ela foi embora da cidade, mesmo não sentindo a ligação com ela.
Seus sentidos aguçados captavam cada som, cada sombra. O silêncio era opressor, interrompido apenas pelos ruídos distantes da noite. Dominik pressentia que algo significativo estava em curso, algo que escapava à sua compreensão imediata.
Ao examinar cada canto da casa, uma porta entreaberta chamou sua atenção. A luz escassa delineava um quarto. Dominik avançou para investigar. Seu coração batia acelerado, pois algo lhe dizia que ali encontraria respostas.
Quando entrou, observou o quarto pequeno e o cheiro agradável que ele conhecia. Seus olhos fitaram a foto na mesa de cabeceira e ele precisou se aproximar.
Soube rápido que ali devia ser o quarto dela. Mesmo sem Lina , tinha a energia dela impregnada.
"Por que não está em casa menina?" indagou ele, sua voz ecoando.
A resposta, no entanto, permanecia oculta. O mistério se desdobrava diante de Dominik, e a incerteza pairava no ar. Ele sentia-se cada vez mais entrelaçado na trama intricada que envolvia Lina.
" Soubemos que ela foi adotada pela mulher, achamos que seria interessante sabermos de onde ela saiu."
Wolfgang se virou.
" O nome dela é Lina, Jason. Não existe nome nos documentos?"
"Não, senhor."
"Comecem por aí, quero saber de onde ela veio, quem eram seus pais e como veio parar na casa dessa mulher. Quero saber tudo que puder sobre Lina, cada detalhe, mas, acima de tudo, eu quero cada pessoa de olhos nas fronteiras e saída da cidade. Quero achá-la. "
A ordem foi usada com autoridade do alfa. Jason apenas balançou a cabeça.
" Qual o motivo dela estar aqui, Dominik? "
" Mulheres assim tem um propósito, uma áurea diferente e uma energia cativante. Não só isso, mas ela parece a coisa mais deliciosa que existe. Parece ter sido feita pra mim."
"Bem, então acho melhor acharmos."
"Deem um alerta, quero achá-la o mais rápido. Vou fazer uma visita na casa dos Colin, quero saber o que sabem sobre Lina."
"Vão falar sobre a filha deles, Stella."
"Eu já tenho a minha escolhida. Não quero mais ninguém além dela."
Ele ergueu o quadro, o rosto iluminado e a boca pequena. O corpo dele chegou a vibrar com a foto dela. Sentia a energia viva. Queria Lina de qualquer forma.
O telefone vibrou no bolso e ele puxou o aparelho.
" Senhor, estamos com problemas."
"Diga logo."
"Avistamos um lobo grande indo na direção da cidade. Tentamos pará-lo, mas ele não deu ouvidos. Corre rápido. Achamos que pode trazer problemas e caçadores."
"Façam uma equipe e vão atrás dele. Não quero nada chamando atenção."
"Sim, senhor."
Quando Dominik se virou, olhou para Jason e viu ele com uma expressão não tão legal. O homem ergueu o celular dele na direção do alfa.
"Veja, acabou de acontecer."
Wolfgang olhou a foto da perna de um ciclista e viu as garras fundas.
"Merda!"
"O que vamos fazer?"
"Vamos até lá. Não sabemos a dimensão desse intruso."
Falando isso, os dois deixaram a casa de Lina, mas antes, deixaram alguém ali, pronto pra rastrear a garota e cuidar do lugar.
Distante dali, os pensamentos de Lina lutavam para manter algum tipo de controle sobre a situação. O que Eliza havia feito não era meramente magia; era como uma prisão sem grades, uma gaiola invisível confinando-a dentro de um animal que transbordava violência e descontrole.
Ela percebia o mundo ao seu redor, via e ouvia tudo, mas não detinha nenhum comando sobre suas ações. Estava consciente a cada passo, uma espectadora impotente da própria existência enquanto o lobo, impelido pela maldição, traçava seu caminho.
Lina, com seu conhecimento sobre o funcionamento da matilha, compreendia que já havia despertado a atenção deles. Após derrubar um ciclista e desviar de um grupo pertencente à matilha, ela sabia que seus passos estavam sendo observados. O presságio de ser caçada pela própria matilha, como se fosse uma ameaça, a assombrava.
O medo pulsava em seu interior, não apenas pelo instinto de sobrevivência, mas também pela possível veracidade das palavras de Eliza. A ideia de ser perseguida por lobos, outrora companheiros de alcateia, cortava-lhe o coração. Não era apenas uma questão de evitar predadores selvagens, mas sim de escapar de seus próprios irmãos lobos, uma matilha que ela já considerara como sua família.
O dilema se aprofundava à medida que Lina ponderava sobre o que fizera para merecer tal destino. Eliza, a mulher que lançara sobre ela a maldição, tornara-se a causa de seus tormentos. Uma vingança amarga, uma traição que agora a fazia ansiar pela liberdade que lhe fora cruelmente negada.
Ela, que outrora era uma escolhida da lua, agora estava aprisionada em sua forma lupina, vulnerável à caça iminente. A noite se estendia à sua frente como um labirinto sombrio, cada passo marcado pela incerteza e o eco dos uivos distantes ressoando como um lembrete constante de sua condição.
No coração de Lina, entrelaçado com o medo e a solidão, ardia a determinação de resistir. Ela sabia que, mesmo na forma de lobo, carregava consigo uma força que transcendia os limites físicos. O desafio que se apresentava agora não era apenas escapar da matilha, mas também desvendar os segredos da magia que a aprisionava e, assim, recuperar não apenas sua forma humana, mas também a dignidade e o controle sobre seu próprio destino.
Mas aquela era apenas sua primeira noite.
O que ela era corria e estava ao redor da cidade, a força dela mantinha ele afastado das pessoas. Mas ela estava cansada, queria parar de correr, queria respirar e tentar controlar aquele corpo animal.
Por um segundo ela conseguiu fazer isso. Lina sentiu o vento no seu rosto e o cheiro familiar, então o uivo alto e forte.
Dominik estava perto.
Aquilo agitou ela, criou um laço imediato de força e reação. Ela uivou de volta, mas aquilo não foi a melhor ideia.
A áurea, energia e pureza dela estava misturada com a do animal que ela carregava, na forma de um lobo escuro e pavoroso.
Quando atravessou duas árvores, ela sentiu quando seu corpo foi jogado com tudo para trás, sua lobar amassou o tronco da árvore.
O lobo pareceu perder as forças no chão, as patas demoraram um pouco a se fixar no chão.
O olhar animal se ergueu, ela viu Wolfgang parado, bem na frente dela. Com olhos vermelhos e pelo arrepiado. Grande e forte.
Era o alfa.
Não sentiu a ligação com ele, então soube que ele não reconheceu ela.
O lobo no chão rangeu os dentes e Lina ficou de pé, escolhida na frente do homem ao qual ela passou uma noite incrível e que fez ela ter coragem pra arriscar.
O alfa rangeu os dentes para o lobo desnorteado, era menor que os da matilha e não era da região. O pelo era mais grosso e escuro. Os olhos castanhos escuros e uma energia escura e r**m.
Dominik só pensou em como iria mandá-lo embora ou arrancar a cabeça dele.
Lina tentou se mexer, mas foi coagida.
Quando a troca de olhares se cruzaram, Lina sentiu seu alfa e o homem que a lua uniu com ela.
Mas Wolfgang não sentiu nada, ficou frio e distante.
Mesmo que na sua frente estivesse tudo que ele mais queria naquele momento.
Lina sentiu a própria frustração fazê-la perder o pouco de controle que tinha naquele corpo animal.
O lobo avançou sobre Wolfgang e apenas sentiu a fúria do alfa, os dentes se cravaram na perna do animal e apenas afundou os dentes, com o intuito de ferir e arrancar.
Lina sentiu a dor atravessar as barreiras e apenas pensou em como se defender.
Dominik não era apenas um simples lobo, ele era duas vezes maior, não havia forma nenhuma de atacá-lo.
Seu coração bateu rápido enquanto desviava seu corpo dos dentes afiados.
Ela pensou em uma forma de pedir ajuda, mas nada pareceu aparecer.
Na fuga mais intensa, ela apenas avançou sobre o alfa mais uma vez. Não para machucá-lo ou atacá-lo.
Apenas pra desviar dos ataques e sair na defensiva.
O lobo que causou desordem apenas correu pra longe. A fuga nada planejada e ela sentindo a energia e os barulhos atrás dela.
Ela só pensou em ficar viva.
Precisava se defender da própria matilha.
Mesmo que fugindo pra longe.